Os empregados da Caixa Econômica Federal mantiveram a greve nesta segunda‑feira (21) ao rejeitar a última proposta apresentada pelo banco para o Acordo Coletivo de Trabalho. A votação, realizada virtualmente pelos sindicatos de São Paulo, Osasco e região, contou com 59,3% de votos contrários. O movimento permanece em vigor nesta terça‑feira (22) e deve se estender até que haja acordo.
Rejeição da proposta e principais impasses
A assembleia virtual foi conduzida pelo Sindicato dos Bancários, que abriu a pauta às 11h e encerrou a votação às 18h. Após a divulgação do resultado, o comando da greve se reuniu para definir os próximos passos, reforçando a decisão de manter a paralisação por tempo indeterminado.
O ponto central de discordância continua sendo o plano de saúde “Saúde Caixa”, considerado pelos trabalhadores como o maior obstáculo nas negociações. Enquanto a proposta previa alterações nas contribuições e nos valores de mensalidade, os representantes sindicais argumentam que as mudanças comprometem a cobertura e aumentam os custos para os empregados.
Detalhes da proposta de plano de saúde
De acordo com o documento apresentado pela Caixa, a contribuição dos titulares passaria a ser de 3,7% da remuneração‑base a partir de 2027. Para os dependentes diretos, a mensalidade ficaria fixada em R$ 560, e o limite de contribuição do grupo familiar seria de 9%.
A proposta também incluía a redução da taxa por consulta em pronto‑atendimento, de R$ 150 para R$ 120, e a manutenção da isenção de coparticipação na telemedicina. Apesar dessas concessões, os sindicatos apontam que o aumento da contribuição representa um ônus significativo para os trabalhadores.
- Contribuição titular: 3,7% da remuneração‑base (a partir de 2027)
- Mensalidade dependente: R$ 560
- Limite familiar: 9% da soma das remunerações
- Consulta pronto‑atendimento: de R$ 150 para R$ 120
- Telemedicina: isenção de coparticipação mantida
Alterações na remuneração variável e prêmios
Além das mudanças no plano de saúde, a Caixa propôs ajustes no programa de remuneração variável conhecido como Super Caixa. Entre as medidas previstas para o segundo semestre, destacam‑se a ampliação da premiação inicial por habilitação, que passaria de 25% para 50%.
Outras modificações incluem novos critérios de avaliação, maior transparência nos painéis de resultados e a garantia de que não haverá penalização nos programas Figital e Genesys em 2026. Os projetos permaneceriam em fase piloto, com discussões futuras entre a direção e os representantes dos empregados antes da definição das regras para 2027.
Um ponto que agradou parcialmente os trabalhadores foi a manutenção de um prêmio extraordinário de R$ 3 mil por empregado, vinculado à superação de metas operacionais já atingidas neste ano.
Cenário nacional e perspectivas
A greve da Caixa se soma a um movimento mais amplo que envolve a categoria bancária desde 10 de setembro, quando mais de 90% das bases sindicais rejeitaram a proposta anterior de renovação do acordo coletivo. Enquanto a Caixa permanece em impasse, o Banco do Brasil também enfrenta paralisações em alguns estados, ampliando a pressão sobre o setor.
Paralelamente, a categoria bancária já assinou a Convenção Coletiva de Trabalho com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Esse acordo prevê a reposição da inflação pelo INPC, aumento real de 0,6% ao ano por dois anos, além de medidas voltadas à saúde mental, combate ao assédio e direito à desconexão.
Especialistas apontam que a continuidade da greve pode impactar o pagamento de benefícios sociais, como o Bolsa Família, que utiliza a rede da Caixa para a distribuição dos recursos. Contudo, até o momento não há indicação de interrupção dos pagamentos, pois o banco tem buscado alternativas operacionais para garantir a continuidade dos serviços essenciais.
Os sindicatos reforçam que a negociação só avançará quando houver consenso sobre o plano de saúde, pois consideram que esse benefício é fundamental para a qualidade de vida dos trabalhadores e de suas famílias. Enquanto isso, a Caixa mantém a oferta de prêmios e ajustes salariais, mas sem atender às demandas centrais da categoria.
Observadores do mercado recomendam que os empregados mantenham a coesão sindical e continuem a pressionar por um acordo que equilibre a sustentabilidade financeira da instituição com a proteção dos direitos trabalhistas. A expectativa é que novas rodadas de negociação ocorram nas próximas semanas, possivelmente com a mediação de entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores (CNT).
Em resumo, a greve da Caixa segue firme, com os trabalhadores rejeitando a segunda proposta do banco e exigindo melhorias concretas no plano de saúde e nas condições de remuneração. O desfecho ainda depende de um diálogo efetivo entre as partes, que deverá considerar tanto a viabilidade econômica da instituição quanto a necessidade de garantir direitos básicos aos seus milhares de empregados.







