A candidata ao governo regional de Áncash, Susy Aponte, foi morta a tiros durante um ato de campanha no sábado, 19 de setembro, no distrito de Caraz, no norte do Peru. O incidente ocorreu poucos minutos depois de ela conceder entrevista a repórteres, quando disparos foram efetuados contra o palanque onde discursava. A violência deixou a candidata sem vida e provocou ferimentos em outras cinco pessoas que estavam presentes.
Contexto do ataque e perfil da vítima
Susy Aponte, de 44 anos, era mãe de quatro filhos e mantinha um portal de denúncias chamado “China Polo Dominical”. No site, ela publicava relatos sobre supostas irregularidades e casos de corrupção envolvendo autoridades policiais. Nas semanas que antecederam o atentado, a candidata havia alertado seus seguidores nas redes sociais sobre ameaças recebidas de pessoas ligadas ao sistema prisional.
Além de sua atuação como comunicadora, Aponte concorreu às eleições regionais de 2025, previstas para 4 de outubro. Seu programa de campanha enfatizava a transparência na gestão pública, a melhoria dos serviços de saúde e a criação de oportunidades de emprego para jovens da região.
O ataque aconteceu em um momento de alta tensão política, com vários candidatos relatando tentativas de intimidação. A presença de jornalistas e de membros da imprensa no local foi registrada por diversas agências de notícias internacionais.
Desenvolvimento dos fatos no local
Os vídeos divulgados nas redes sociais mostram Susy Aponte falando com a equipe de imprensa, quando de repente disparos ecoam e a candidata cai no chão. Testemunhas relataram que, logo após o tiro, o público entrou em pânico e correu para prestar socorro. Equipes de emergência foram acionadas e levaram as vítimas feridas ao Hospital Regional de Caraz.
Segundo o Ministério do Interior do Peru, dois homens de nacionalidade venezuelana foram detidos como suspeitos do crime. As autoridades afirmam que os suspeitos estavam armados e foram identificados por câmeras de segurança instaladas nas proximidades do local.
O inquérito ainda está em fase inicial, mas a polícia já iniciou a coleta de depoimentos de testemunhas, análise de imagens de segurança e exame balístico das armas utilizadas. A investigação também busca entender possíveis motivações ligadas ao trabalho de denúncia da vítima.
Repercussão nacional e internacional
O assassinato gerou forte condenação de organizações de imprensa e de direitos humanos. O Conselho da Imprensa Peruana solicitou que as autoridades garantam uma investigação imparcial e aprofundada, ressaltando a necessidade de proteger jornalistas e candidatos que exercem a liberdade de expressão.
Em 2025, quatro jornalistas peruanos foram assassinados, segundo dados da polícia local. Esse número alarmante reforça o clima de insegurança que permeia o cenário político do país.
Entidades internacionais, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, também manifestaram preocupação, pedindo que o Peru cumpra seus compromissos de proteção a candidatos e profissionais da mídia durante períodos eleitorais.
- Data do ataque: 19 de setembro de 2025
- Local: distrito de Caraz, região de Áncash, Peru
- Vítima: Susy Aponte, 44 anos, mãe de quatro filhos
- Feridos: cinco pessoas, encaminhadas ao Hospital Regional
- Suspeitos: dois homens venezuelanos detidos
O funeral de Susy Aponte foi realizado na segunda‑feira, 21 de setembro, em Lima, com a presença de familiares, lideranças políticas e representantes da imprensa. O cortejo fúnebre seguiu trajeto tradicional, e a família pediu silêncio e respeito durante o luto.
Com as eleições regionais marcadas para 4 de outubro, o cenário político de Áncash permanece incerto. Partidos e candidatos têm intensificado suas campanhas, mas o clima de medo e violência pode influenciar a participação dos eleitores.
Especialistas em segurança eleitoral apontam que o Peru precisa reforçar a proteção de candidatos, especialmente aqueles que se posicionam contra a corrupção. Medidas como escolta policial, controle de armas e monitoramento de ameaças digitais são recomendadas para evitar novos incidentes.
Enquanto isso, a comunidade de Caraz tenta retomar a rotina diária, apesar da dor e do trauma. Vizinhos relataram que o local onde ocorreu o ataque ainda traz lembranças dolorosas, mas há um esforço coletivo para manter viva a memória da candidata, destacando seu compromisso com a justiça social.
O caso também reacendeu o debate sobre a presença de imigrantes venezuelanos no Peru e seu envolvimento em atividades criminosas. Autoridades afirmam que a nacionalidade dos suspeitos não deve ser usada como estigmatização, mas como parte de uma investigação baseada em evidências.
Nos próximos dias, o Ministério do Interior deve divulgar relatórios preliminares da investigação, enquanto organizações de direitos humanos monitoram o cumprimento das recomendações internacionais de proteção a candidatos.
Para os eleitores de Áncash, a morte de Susy Aponte pode representar um ponto de inflexão nas próximas eleições, estimulando debates sobre segurança pública, combate à corrupção e o papel da imprensa na denúncia de irregularidades.
O legado da candidata, marcado por sua coragem ao expor casos de corrupção, permanece como inspiração para ativistas e jornalistas que continuam a lutar por transparência no país.







