A empresa americana Butterball foi condenada a pagar R$ 1,25 milhão a uma funcionária que foi demitida após solicitar licença para sessões de quimioterapia. O acordo foi anunciado em julho de 2024, nos Estados Unidos, e encerra uma ação movida pela Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego (EEOC).
Contexto da denúncia e decisão judicial
A funcionária, que trabalhava há mais de dez anos na linha de produção de carnes de peru, informou à empresa que havia sido diagnosticada com câncer e que precisaria de ausências regulares para tratamento. Apesar do pedido, a empresa transferiu a análise para uma administradora terceirizada de benefícios, sem garantir a aprovação da licença.
Com a ausência de aprovação formal, as faltas foram registradas como faltas não justificadas no sistema interno da Butterball. O acúmulo de ausências gerou penalizações disciplinares, culminando na demissão da colaboradora sob a alegação de violação da política de assiduidade.
Violação da Lei dos Americanos com Deficiências (ADA)
A EEOC argumentou que a conduta da Butterball violou a Lei dos Americanos com Deficiências (ADA), que protege trabalhadores com condições de saúde que demandam adaptações razoáveis no ambiente de trabalho. A advogada regional da EEOC, Melinda C. Dugas, ressaltou que a terceirização da gestão de benefícios não exime o empregador de sua responsabilidade legal.
Antes de chegar ao acordo, a EEOC tentou uma conciliação administrativa, mas não obteve sucesso, o que levou o caso à Justiça Federal da Carolina do Norte. O advogado da agência, Samuel Williams, destacou que a legislação federal assegura igualdade de oportunidades e que o órgão continuará atuando contra práticas discriminatórias.
Termos do acordo e medidas corretivas
Além do pagamento de US$ 230 mil (aproximadamente R$ 1,25 milhão), a Butterball se comprometeu a implementar mudanças internas nos próximos dois anos. Entre as exigências está a realização de treinamentos obrigatórios sobre a ADA para as equipes de recursos humanos e de gestão de benefícios.
A empresa também deverá apresentar relatórios periódicos à EEOC, demonstrando o cumprimento das medidas corretivas estabelecidas. Essa supervisão visa garantir que futuros casos semelhantes sejam evitados e que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados.
Impacto para o mercado e lições para empregadores
O caso da Butterball serve como um alerta para empresas que terceirizam a administração de benefícios, reforçando que a responsabilidade legal permanece com o empregador direto. A decisão evidencia a importância de políticas claras de licença médica e de comunicação transparente com os funcionários.
Especialistas em recursos humanos recomendam que as organizações revisem seus protocolos internos, adotem procedimentos de avaliação de solicitações de licença e garantam que a documentação seja processada de forma ágil e justa.
- Estabeleça canais de comunicação direta entre o colaborador e o RH.
- Treine gestores para reconhecer e atender demandas de saúde.
- Monitore o cumprimento das leis de proteção ao trabalhador.
- Documente todas as etapas do processo de concessão de licença.
Ao cumprir essas boas práticas, as empresas reduzem o risco de processos judiciais e promovem um ambiente de trabalho mais inclusivo e saudável. A experiência da Butterball demonstra que a negligência pode resultar em custos financeiros elevados e danos à reputação corporativa.
Para os trabalhadores, o caso reforça a importância de conhecer seus direitos e buscar apoio de agências como a EEOC quando enfrentam discriminação. A legislação americana oferece mecanismos de proteção que, quando acionados, podem levar a indenizações significativas e a mudanças estruturais nas empresas.







