Na sexta‑feira, 25 de setembro, foi lançada a versão completa do EP “Elas cantam Arlindo”, projeto que reúne cinco cantoras brasileiras para reinterpretar clássicos do sambista Arlindo Cruz. A gravação final, assinada por Vanessa da Mata, chegou às plataformas digitais, encerrando a sequência de lançamentos que começou no início do mês.
O conceito por trás do tributo
O produtor musical Liminha idealizou o EP como uma homenagem ao legado de Arlindo Cruz, que marcou a história do samba desde o fim dos anos 1970. A proposta era simples, porém ousada: colocar a voz feminina em composições tradicionalmente dominadas por cantores masculinos, revelando novas nuances e emoções.
Ao escolher canções que atravessaram diferentes fases da carreira do compositor, o projeto demonstra a amplitude de sua obra, que vai do samba de raiz ao pop‑samba contemporâneo. Cada faixa foi selecionada para representar um momento específico da trajetória de Arlindo, garantindo que o público reconheça tanto os hits quanto as joias menos conhecidas.
As interpretações das cantoras
O elenco do EP reúne artistas de estilos variados, o que enriquece ainda mais a proposta. Agnes Nunes abre o disco com “Será que é amor?”, trazendo uma interpretação delicada e introspectiva que destaca a melodia suave da composição de 2003.
Duda Beat assume o ritmo mais agitado em “Agora viu que perdeu e chora”, um samba de 2012 que ganha uma batida eletrônica sutil, característica da cantora.
Ivete Sangalo revive “Meu lugar”, lançada em 2007, com sua energia contagiante e o timbre potente que a tornaram uma das maiores intérpretes do Brasil.
Luedji Luna entrega “O bem”, de 2011, com uma voz aveludada que confere à letra uma profundidade poética, reforçando a conexão entre o samba e a MPB contemporânea.
E, finalmente, Vanessa da Mata fecha o disco com “O que é o amor”, composição de 2007, trazendo sua assinatura melódica única e fechando o ciclo de homenagens.
- Agnes Nunes – “Será que é amor?”
- Duda Beat – “Agora viu que perdeu e chora”
- Ivete Sangalo – “Meu lugar”
- Luedji Luna – “O bem”
- Vanessa da Mata – “O que é o amor”
Produção e direção artística
A produção musical ficou a cargo de Liminha, nome respeitado no cenário da música brasileira, que também compartilhou a direção artística com Boris Farias. Ambos garantiram que cada faixa mantivesse a essência original de Arlindo Cruz, ao mesmo tempo em que permitiam que as cantoras imprimissem sua identidade sonora.
Os arranjos foram cuidadosamente trabalhados para equilibrar instrumentos tradicionais do samba – como cavaquinho, pandeiro e tantã – com elementos contemporâneos, como sintetizadores e batidas eletrônicas leves. Essa fusão cria uma ponte entre gerações, reforçando a relevância do repertório de Arlindo nos dias atuais.
A capa do EP, divulgada pela imprensa, apresenta um retrato estilizado de Arlindo Cruz ao lado das cantoras, simbolizando a união entre o passado e o presente da música brasileira.
Impacto cultural e legado de Arlindo Cruz
Arlindo Cruz, que faleceu em 8 de agosto de 2025, deixa um legado que vai muito além das centenas de composições que escreveu. Seu papel como um dos fundadores do grupo Fundo de Quintal consolidou o pagode como gênero nacional, influenciando gerações de músicos.
O EP “Elas cantam Arlindo” não só celebra sua obra, mas também abre espaço para discussões sobre a representatividade feminina no samba. Ao colocar mulheres na frente de canções tradicionalmente cantadas por homens, o projeto desafia estereótipos e amplia o panorama cultural.
Desde o seu lançamento, o disco tem sido destaque em playlists de streaming, programas de rádio e críticas especializadas, que elogiam a escolha das cantoras e a qualidade da produção. A repercussão nas redes sociais demonstra que o público está receptivo a iniciativas que renovam o repertório clássico com novas vozes.
Além disso, o tributo reforça a importância de preservar a memória musical de artistas como Arlindo Cruz, garantindo que suas composições continuem vivas nas rádios, nas festas e nos corações dos fãs. Cada interpretação oferece uma nova camada de significado, permitindo que novas gerações descubram a riqueza do samba de raiz.
Em resumo, o EP “Elas cantam Arlindo” representa um marco na história da música brasileira, ao unir talento, produção de alto nível e um profundo respeito pela obra de um dos maiores compositores do país. A participação de Vanessa da Mata como a última voz a fechar o disco simboliza a continuidade da tradição, ao mesmo tempo em que projeta o samba para o futuro.








