Na última semana, produtores rurais da região de Itapetininga, interior de São Paulo, lançaram um programa de turismo de contato com a natureza, oferecendo aos visitantes experiências de lazer e aprendizado no campo. O evento, que começou em setembro de 2026, reúne agricultores, empreendedores e especialistas em turismo para promover o interior paulista.
Transformação das propriedades rurais
Fazendas que antes funcionavam exclusivamente como centros de produção passaram a receber turistas em ambientes preparados para hospedagem e recreação. Os proprietários investiram em chalés, áreas de camping e infraestrutura de apoio, criando novos fluxos de receita que complementam a atividade agrícola tradicional. Essa mudança tem gerado emprego local e diversificado a economia das comunidades.
Experiências oferecidas nas propriedades
Os visitantes podem participar de trilhas interpretativas, degustar produtos artesanais e aprender técnicas de cultivo sustentável. Cada fazenda desenvolveu um roteiro próprio, combinando história regional, gastronomia e atividades ao ar livre. O objetivo é proporcionar um contato direto com a produção familiar, valorizando a cultura do campo.
- Trilhas interpretativas com guias locais
- Degustação de vinhos e queijos artesanais
- Oficinas de agroecologia e plantio colaborativo
- Visitas a vinícolas e queijarias familiares
Casos de destaque: Angatuba e Itapetininga
Em Angatuba, a produtora Bárbara Soares adaptou sua propriedade para receber turistas, oferecendo chalés rústicos, trilhas ecológicas e produção agroecológica certificada. Ela destaca que a essência do espaço é transmitir paz e simplicidade, permitindo que os visitantes desconectem da rotina urbana. O aumento da procura fez com que a fazenda ampliasse sua capacidade de hospedagem e criasse pacotes temáticos.
Na própria Itapetininga, a prefeitura, em parceria com o Sindicato Rural e o Senar, organiza passeios guiados pelos parreirais locais. A produção familiar de vinho tornou‑se atração principal, com degustações que explicam todo o processo, desde o plantio da videira até a fermentação. O produtor Ademir Marques relata que a interação com os visitantes ajudou a manter a vinícola operando e a divulgar a cultura do vinho artesanal da região.
Visão dos especialistas em turismo
A turismóloga Andressa Martins ressalta que paisagens, histórias e produtos locais podem se transformar em fortes atrativos turísticos. Ela aponta um crescimento significativo do turismo regenerativo, que envolve os visitantes em ações de preservação ambiental, como o plantio de árvores e a restauração de áreas degradadas. Essas práticas reforçam o compromisso dos produtores com a sustentabilidade.
Andressa também destaca que a integração entre turismo e agricultura pode gerar inovação, estimulando novos negócios e parcerias. Os empreendedores locais têm aproveitado a visibilidade para lançar linhas de produtos com identidade regional, como mel de flora nativa e cachaças artesanais.
Impacto econômico e social
A artista plástica Walkiria Paunovic, que realiza exposições nas propriedades, comenta que o turismo rural gera empregos diretos e indiretos, além de incentivar a profissionalização de queijarias, vinícolas e restaurantes. Ela observa que a presença de visitantes aumenta a demanda por serviços de alimentação, artesanato e transporte local.
Os produtores relatam que a troca de experiências entre fazendeiros e turistas abre espaço para novas ideias, como a implementação de sistemas de energia solar e o uso de tecnologias de irrigação inteligente. Essa colaboração fortalece a resiliência das comunidades rurais.
Desafios e perspectivas futuras
Apesar dos resultados positivos, os envolvidos reconhecem desafios como a necessidade de capacitação contínua, a manutenção da qualidade dos serviços e a preservação dos recursos naturais diante do aumento da demanda. A prefeitura está estudando políticas de incentivo fiscal e programas de formação para atender a essas demandas.
Olhar para o futuro, os produtores acreditam que o turismo rural pode se consolidar como motor de desenvolvimento sustentável, atraindo visitantes de outras regiões do país e do exterior. O modelo adotado em Itapetininga pode servir de referência para outras áreas do interior paulista que buscam diversificar sua economia sem perder a conexão com a terra.








