Zélia Duncan abriu a noite de 25 de setembro de 2026 na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro, com o espetáculo homônimo “Agudo grave”. O show, que estreou em São Paulo no início do mês, trouxe uma nova roupagem sonora ao repertório da cantora, graças à direção musical de Maria Beraldo. A apresentação marcou mais um capítulo da carreira de 45 anos da artista, que começou em Brasília em 1981.
A proposta sonora de “Agudo grave”
O álbum “Agudo grave” já anunciava uma mudança de textura, mas foi no palco que a experimentação ganhou forma concreta. Maria Beraldo, produtora e arranjadora, conduziu a banda por caminhos que mesclam o experimental ao acessível, mantendo a identidade que cativa o público desde 1994.
Os arranjos exploram timbres incomuns, como o clarone de Maria Beraldo, que dá nova vida a clássicos como “Catedral”. A canção, que impulsionou a carreira de Zélia na década de 90, recebeu um sopro leve e inventivo que surpreendeu os presentes.
Outra peça de destaque foi “Me revelar”, escrita em parceria com Christiaan Oyens em 2001. No Vivo Rio, a música ganhou uma pulsação renovada, evidenciando a capacidade da artista de reinterpretar seu próprio legado.
Os músicos e a construção da atmosfera
A banda que acompanhou Zélia Duncan é formada por músicos multi-instrumentistas, cada um trazendo um universo sonoro próprio.
- Aline Gonçalves – flautas e clarinete
- Amanda Camargo – piano
- Antonio Loureiro – bateria
- Ciro Bellucci – violões
- Fabio Sá – baixo
Esses artistas criam uma textura sonora que oscila entre a concretude urbana de “Olhos de cimento” e a delicadeza solar de “Meu plano”. A bateria de Antonio Loureiro, quase marcial em “Sentidos”, contrasta com a suavidade dos arranjos de violão em “Pontes no ar”.
O resultado é uma experiência que equilibra força e leveza, permitindo que o público sinta tanto a energia do rock quanto a melancolia do folk brasileiro.
Momentos especiais e colaborações ao vivo
Um dos pontos altos da noite foi a participação de Lenine, que subiu ao palco para cantar “Maravilha disforme” e “Meu xamego”. A presença do convidado trouxe ainda mais vitalidade ao espetáculo, reforçando a ideia de que “Agudo grave” é um projeto colaborativo.
Após o bis, Lenine se juntou a Zélia e a Maria Beraldo para uma versão refrescante de “Nos lençóis desse reggae”, transformando a canção em um verdadeiro ritual de celebração.
Além de Lenine, a cenógrafa Simone Mina contribuiu com um cenário de móbiles que lembram cristais, criando uma atmosfera visual que complementa a fluidez sonora do show.
O gestual teatral de Zélia, que tem experiência como atriz, acrescenta camadas de significado às letras, especialmente em faixas como “E aí, IA?” e “Importante”.
Embora nem todas as canções do álbum tenham alcançado a mesma intensidade sonora, a performance ao vivo compensou essas diferenças, oferecendo versões mais robustas de temas como “Importante”.
O repertório, que inclui tanto novidades quanto clássicos, demonstra a versatilidade da artista. Faixas como “Olhos de cimento” revelam um lado quase roqueiro, enquanto “Meu plano” oferece uma paisagem sonora mais introspectiva.
O público, que acompanha Zélia desde os anos 90, reagiu com entusiasmo a cada reinterpretação, mostrando que a cantora ainda consegue surpreender e encantar.
Ao final da noite, a energia permanecia alta, e a sensação era de que cada música havia sido apresentada como se fosse a primeira vez.
Em resumo, o show “Agudo grave” no Vivo Rio consolidou-se como um marco na trajetória de Zélia Duncan, combinando inovação sonora, colaborações de peso e uma produção visual que eleva a experiência ao nível de arte total.








