Na manhã da última terça‑feira (3), o Senado Federal aprovou, em dois turnos, a PEC 18/25 – conhecida como PEC da Segurança Pública – sem a inclusão da proposta de redução da maioridade penal. A votação ocorreu no plenário do Senado, em Brasília, e a medida agora segue para a promulgação. A decisão mantém a proposta focada na integração dos órgãos de segurança e no combate ao crime organizado, enquanto a discussão sobre a idade mínima de responsabilização penal será tratada em projeto separado.
Contexto da aprovação da PEC
A PEC da Segurança Pública tem como objetivo ampliar a cooperação entre polícias federais, estaduais e municipais, permitindo a troca de informações estratégicas e o uso conjunto de recursos operacionais. Além disso, a proposta cria mecanismos de apoio logístico e tecnológico para as forças de segurança que atuam em áreas de alta vulnerabilidade. O texto original trazia, entre outras mudanças, a possibilidade de reduzir a maioridade penal, mas as emendas que continham esse tema foram desmembradas antes da votação final.
O desmembramento das emendas sobre maioridade penal ocorreu após intensos debates nas comissões temáticas da Câmara dos Deputados. Os parlamentares decidiram que o assunto demandaria um debate mais aprofundado e, por isso, deveria ser tratado em um projeto autônomo, a chamada PEC 32/15, que trata da redução da maioridade civil e penal para 16 anos. Essa estratégia evitou que a proposta de segurança fosse comprometida por controvérsias políticas.
Com a aprovação da PEC, o Senado reforça o compromisso de fortalecer a estrutura de segurança pública no país, sobretudo no enfrentamento ao crime organizado transnacional. A medida prevê a criação de centros de comando integrados, a padronização de bases de dados criminais e a ampliação de programas de treinamento especializado para agentes de segurança.
Reações dos parlamentares
Durante a sessão da Câmara dos Deputados que antecedeu a votação no Senado, a retirada da redução da maioridade penal gerou críticas de membros da oposição. O delegado Paulo Bilynskyj (PL‑SP) classificou a mudança como um “recuo” em relação às promessas feitas durante a campanha eleitoral, alegando que a medida enfraqueceria a luta contra a criminalidade. O coronel Assis (PL‑MT) também denunciou a retirada das emendas, chamando‑a de “manobra política” para atender a interesses específicos.
Por outro lado, vários deputados defenderam a separação dos temas. Jandira Feghali (PCdoB‑RJ) argumentou que a discussão sobre a maioridade penal deveria ser feita à parte, permitindo que a PEC da Segurança se concentre na organização da segurança pública e na atuação federal contra o crime organizado. Murilo Galdino (Republicanos‑PB) e Otoni de Paula (PSD‑RJ) manifestaram apoio à redução da maioridade penal, mas ressaltaram a necessidade de um debate independente, especialmente em casos de crimes hediondos.
Gilmar Machado (PT‑MG) reforçou a posição de que a bancada pretende analisar a questão da maioridade penal, porém não como parte integrante da PEC da Segurança. Essa postura busca evitar que a polêmica sobre a idade de responsabilização penal atrase ou comprometa a aprovação de medidas essenciais ao combate ao crime organizado.
- Jandira Feghali (PCdoB‑RJ) – defesa da separação temática.
- Murilo Galdino (Republicanos‑PB) – apoio à redução, porém em debate próprio.
- Otoni de Paula (PSD‑RJ) – apoio à redução em crimes hediondos, discussão separada.
- Gilmar Machado (PT‑MG) – análise da maioridade penal em projeto autônomo.
Essas declarações refletem a complexidade do cenário político brasileiro, onde questões de segurança pública e justiça penal costumam se entrelaçar, gerando divergências entre partidos e blocos parlamentares.
Próximos passos e implicações
Com a aprovação no Senado, a PEC da Segurança Pública segue agora para a promulgação pelo Presidente da República. Uma vez sancionada, a lei entrará em vigor e exigirá a adaptação dos órgãos de segurança em todo o território nacional, incluindo a implementação de sistemas integrados de inteligência e a criação de unidades de resposta rápida.
A proposta de redução da maioridade penal, por sua vez, continuará em tramitação na Câmara dos Deputados, por meio da PEC 32/15. Essa iniciativa está sob análise de uma comissão especial que avalia os impactos sociais, jurídicos e penais da mudança, bem como a necessidade de adequar o sistema prisional e o sistema de justiça juvenil.
Especialistas apontam que a separação dos temas pode favorecer um debate mais técnico e menos polarizado sobre a maioridade penal. Eles argumentam que, ao desvincular a proposta de segurança pública, os legisladores podem concentrar esforços na avaliação de dados criminais, na eficácia de medidas preventivas e nas alternativas de ressocialização para menores infratores.
Entretanto, críticos alertam que a falta de uma decisão conjunta pode gerar atrasos na implementação de políticas integradas de combate ao crime. Eles sugerem que a ausência de um marco legal unificado pode dificultar a alocação de recursos e a definição de prioridades entre as diferentes esferas de segurança.
O cenário futuro dependerá, portanto, da capacidade do Congresso de avançar simultaneamente em duas frentes legislativas distintas, mas interligadas. Enquanto a PEC da Segurança Pública pode trazer ganhos imediatos na luta contra o crime organizado, a discussão sobre a maioridade penal continuará a dividir opiniões e a demandar amplo debate social.
Em síntese, a aprovação da PEC da Segurança sem a redução da maioridade penal representa um passo significativo para a modernização da segurança pública no Brasil, ao mesmo tempo em que abre espaço para um debate aprofundado sobre a responsabilidade penal de menores. O desenrolar desses processos legislativos será crucial para definir o rumo da política criminal do país nos próximos anos.








