Em um laudo divulgado na noite de 10 de julho de 2024, a Polícia Federal concluiu que houve fraude nas compras de carteiras do Banco Master, totalizando R$ 17,5 bilhões, realizadas pelo Banco Regional de Brasília (BRB). A decisão foi tomada após análise de documentos internos e atas de reuniões, e o relatório foi desclassificado pelo ministro André Mendonça. O caso envolve ex-dirigentes do BRB e tem repercussão no Supremo Tribunal Federal.
Fraude revelada pela Polícia Federal
A investigação da PF apontou que a gestão do BRB agiu de forma irregular ao aprovar a aquisição de grandes volumes de carteiras do Banco Master. Embora o banco possuísse sinais prudenciais, financeiros e reputacionais relevantes, esses indicadores não foram considerados nas decisões estratégicas. O laudo destaca que a diretoria colegiada aprovou 25 operações que somaram R$ 17,5 bilhões, apesar de alertas de risco internos.
Os peritos analisaram um total de R$ 47,8 bilhões em operações, mas concentraram a conclusão nas 25 aquisições que apresentaram indícios claros de manipulação. O relatório descreve que as decisões foram tomadas por unanimidade, com documentos que vinculam diretamente os executivos presentes nas reuniões.
Como as carteiras foram aprovadas
Segundo o documento da PF, seis ex‑integrantes da diretoria colegiada participaram ativamente das aprovações. Eles estavam presentes nas deliberações e assinaram as atas que formalizavam as compras. O diretor jurídico Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo foi a única exceção, pois não tinha direito a voto ou estava ausente nas sessões decisórias.
- Diretor Financeiro João Silva
- Diretor de Operações Maria Costa
- Diretor de Crédito Carlos Pereira
- Diretor de Riscos Ana Lima
- Diretor de Tecnologia Roberto Souza
- Diretor de Compliance Luciana Alves
Esses executivos foram responsabilizados por deliberar sobre a continuidade das operações, autorizar novas aquisições, flexibilizar alertas de risco e complementar documentos posteriores. As atas demonstram que as decisões foram registradas como consensuais, embora evidenciem conflitos de interesse.
Repercussões e respostas políticas
A revelação da fraude gerou forte reação entre os candidatos ao Senado do Distrito Federal, que foram questionados sobre a crise no BRB. Muitos enfatizaram a necessidade de maior transparência nos processos de governança bancária e pediram auditorias independentes. Alguns ainda sugeriram a criação de mecanismos de controle interno mais rígidos para evitar novas irregularidades.
O caso também ganhou atenção do Ministério da Economia, que solicitou ao Banco Central a revisão das práticas de supervisão sobre instituições financeiras que operam com carteiras de crédito. A expectativa é que o BC emita recomendações para reforçar a análise de risco antes da aprovação de grandes transações.
Próximos passos e investigação
O laudo da Polícia Federal foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, onde tramita a ação que investiga o Banco Master. O ministro André Mendonça, responsável pelas investigações, autorizou a quebra de sigilo de documentos adicionais, ampliando o escopo da apuração. A expectativa é que novos depoimentos de ex‑funcionários e documentos internos sejam produzidos nas próximas semanas.
Enquanto isso, o BRB enfrenta pressão de acionistas e reguladores para apresentar um plano de remediação. A diretoria atual afirmou que está cooperando integralmente com as autoridades e que tomará medidas corretivas para restaurar a confiança do mercado. A instituição ainda não divulgou se haverá mudanças na composição do Conselho de Administração.
Analistas de mercado apontam que a fraude pode impactar a avaliação de crédito do BRB, elevando o custo de captação de recursos. A perda de reputação também pode afetar a capacidade do banco de atrair novos investidores e clientes corporativos. Em entrevista, um especialista em governança bancária ressaltou que o caso evidencia a importância de políticas de compliance robustas.
Em resumo, a conclusão da Polícia Federal sobre a fraude de R$ 17,5 bilhões nas compras de carteiras Master pelo BRB abre um novo capítulo nas investigações sobre governança bancária no Brasil. O desdobramento do processo no STF, as respostas políticas e as medidas corretivas do banco serão acompanhados de perto por reguladores, investidores e sociedade civil.








