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Muro antigo encontrado em Paris pode redefinir o marco zero da capital francesa

Arqueólogos anunciaram, nesta quarta‑feira, a descoberta de uma estrutura de pedra e madeira que pode ser a muralha mais antiga da região que hoje abriga Paris.

A escavação ocorreu nas obras de renovação do Hôtel‑Dieu, hospital histórico situado na Île de la Cité, no coração da cidade.

O achado pode mudar a compreensão sobre o local exato da primeira cidade celta, conhecida como Lutécia.

A descoberta no Hôtel‑Dieu

Os trabalhadores que ampliavam o corredor subterrâneo do antigo hospital encontraram, a cerca de dois metros abaixo do nível atual, uma parede maciça de cerca de vinte metros de largura.

Segundo os especialistas, a construção combina blocos de pedra calcária com vigas de madeira, técnica típica dos primeiros assentamentos gauleses.

Ao analisar a camada de carvão encontrada na base da muralha, os cientistas detectaram sinais de que o local sofreu um intenso incêndio há mais de dois mil anos.

Testes de datação por carbono‑14 indicam que o fogo ocorreu entre 55 e 50 a.C., período que coincide com a famosa Batalha de Lutécia descrita por Júlio César.

O Ministério da Cultura francês confirmou que a estrutura pode fazer parte de um sistema defensivo que cercava a aldeia original da região.

Contexto histórico da Lutécia

A tribo dos Parisii habitava a margem esquerda do Sena e, por volta do século I a.C., ergueu um pequeno núcleo urbano que os romanos mais tarde chamariam de Lutécia.

Na época, a Gália era um mosaico de povos celtas que resistiam à expansão do Império Romano.

Júlio César, em seu relato das Guerras Gálicas, menciona uma cidade incendiada pelos próprios gauleses antes de enfrentar as legiões romanas.

Essa passagem tem sido fonte de debates entre historiadores, pois a localização exata de Lutécia nunca foi confirmada de forma inequívoca.

Algumas teorias apontavam para a zona de Nanterre, a oeste da capital, enquanto outras defendiam a própria Île de la Cité como o coração da antiga aldeia.

A nova evidência encontrada no Hôtel‑Dieu reforça a segunda hipótese, ao apresentar materiais e técnicas compatíveis com a arquitetura gaulesa do período.

Além da muralha, arqueólogos identificaram fragmentos de cerâmica e ferramentas de ferro que correspondem ao estilo de produção da tribo Parisii.

Implicações e próximas etapas

A ministra da Cultura, Catherine Pégard, destacou que “podemos estar diante de uma das descobertas mais relevantes para entender a gênese de Paris”.

Entretanto, ela também ressaltou a necessidade de rigor científico antes de afirmar que o local seja o marco zero da cidade.

Os pesquisadores planejam realizar escavações adicionais ao longo dos próximos meses, focando em áreas adjacentes à parede recém‑descoberta.

O objetivo é mapear todo o perímetro da fortificação e identificar possíveis entradas, torres ou estruturas complementares.

  • Consolidar o cronograma de escavações em parceria com universidades europeias.
  • Aplicar técnicas de fotogrametria e varredura a laser para criar modelos 3D da muralha.
  • Realizar análises de DNA em resíduos orgânicos para entender a população que habitou a região.
  • Divulgar os resultados preliminares em conferências internacionais de arqueologia.

Se confirmada, a descoberta poderá transformar o itinerário turístico da capital, adicionando um novo ponto de interesse histórico ao tradicional circuito da Île de la Cité.

Especialistas de museus locais já manifestam interesse em montar uma exposição permanente que mostre a evolução da cidade desde a era gaulesa até a Paris medieval.

Além do valor cultural, o achado tem potencial econômico, pois pode atrair visitantes interessados em história antiga e impulsionar a indústria de guias especializados.

Para a comunidade acadêmica, a muralha representa uma oportunidade única de reavaliar fontes literárias, como os escritos de César, à luz de evidências materiais concretas.

Os próximos relatórios deverão incluir comparações detalhadas entre a estrutura encontrada e outras fortificações gaulesas conhecidas em territórios vizinhos.

Enquanto isso, o público pode acompanhar as atualizações em tempo real através de transmissões ao vivo organizadas pelo próprio Ministério da Cultura.

Em resumo, a descoberta abre um novo capítulo na história de Paris, oferecendo pistas valiosas sobre as origens da cidade que hoje é sinônimo de arte, moda e inovação.

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