O Ministério da Saúde notificou o Google nesta sexta‑feira, 8 de setembro, solicitando a remoção de vídeos que apresentam médicos falsos criados por inteligência artificial no YouTube. A medida vem após a identificação de quase cem perfis que divulgam curas sem comprovação científica, colocando em risco a saúde dos usuários da plataforma. A ação foi coordenada pela Advocacia‑Geral da União e pelo programa Saúde com Ciência.
Identificação e alcance dos perfis falsos
Entre 1º de janeiro e 10 de julho deste ano, o programa Saúde com Ciência realizou uma varredura sistemática no conteúdo disponível no YouTube. Foram encontrados 97 perfis que utilizavam avatares de supostos médicos, com diplomas inexistentes e linguagem alarmista. Cada perfil apresentava um personagem artificial que, com aparência de autoridade, oferecia soluções milagrosas para doenças comuns.
Esses perfis concentraram grande parte de sua audiência em faixas etárias mais vulneráveis, especialmente idosos que tendem a confiar em figuras que se apresentam como especialistas. Em alguns casos, os vídeos eram acompanhados de chamadas “urgentes” que incentivavam a compra de e‑books, suplementos ou serviços pagos, explorando a credibilidade aparente dos avatares.
Além do YouTube, a investigação apontou para grupos no Telegram que comercializavam certificados e passaportes vacinais falsificados. Foram identificados 18 canais que prometiam documentos adulterados capazes de ser inseridos nos sistemas oficiais do SUS. Essa prática amplia ainda mais o risco de desinformação e fraude.
Riscos à saúde pública e respostas das autoridades
Os especialistas do Ministério da Saúde alertam que a disseminação desses conteúdos pode desencadear uma série de comportamentos prejudiciais, entre eles:
- Automedicação sem orientação profissional;
- Uso de terapias sem eficácia comprovada;
- Atraso na busca por atendimento médico adequado;
- Interrupção ou substituição de tratamentos já prescritos.
Esses fatores aumentam a probabilidade de complicações graves, especialmente em pacientes com doenças crônicas. O Conselho Federal de Medicina e a Polícia Federal foram imediatamente informados sobre os resultados da análise, garantindo que as investigações prossigam em paralelo.
A Anvisa, por sua vez, já havia emitido alerta sobre “gurus” e “xamãs” digitais que utilizam IA para criar receitas milagrosas. O padrão observado — medo, informação errônea e venda de material pago — demonstra uma estratégia coordenada de engano que precisa ser combatida em todas as frentes.
Medidas adotadas e recomendações para a população
A notificação enviada à Google, elaborada pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, exige a indisponibilização dos vídeos identificados ou, alternativamente, a aplicação de rotulagem clara que indique a natureza artificial dos personagens. O prazo estabelecido para cumprimento é de 72 horas a partir do recebimento.
O YouTube ainda não se pronunciou oficialmente, mas a plataforma já removeu alguns grupos e canais denunciados no Telegram, além de excluir a conta de um usuário responsável pela distribuição de certificados falsos. As evidências foram encaminhadas à Polícia Federal para providências legais.
As autoridades reforçam que a população deve permanecer vigilante e buscar informações de saúde em fontes oficiais, como o site do Ministério da Saúde, portais de hospitais reconhecidos e aplicativos governamentais. Em caso de dúvidas, a recomendação é consultar um profissional de saúde antes de adotar qualquer tratamento sugerido na internet.
Denúncias de conteúdos suspeitos podem ser feitas diretamente nas ferramentas de reporte das plataformas, contribuindo para a remoção rápida de material perigoso. A colaboração cidadã é essencial para conter a propagação de desinformação e proteger a saúde coletiva.








