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José Badim, ícone da cirurgia plástica brasileira, falece aos 95 anos

O renomado cirurgião plástico José Badim faleceu na noite de quinta‑feira, 10 de setembro de 2026, no Hospital Badim, instituição que ele fundou no Rio de Janeiro. Badim tinha 95 anos e deixava um legado de pioneirismo em reimplantes, queimaduras e reconstruções complexas.

Carreira marcada por inovações

Desde a década de 1960, Badim se destacou ao introduzir técnicas que ainda hoje são referência nos protocolos brasileiros. Em 1968, realizou o primeiro reimplante de mão do país, um feito que recebeu ampla cobertura da imprensa médica.

Além da mão, ele também foi responsável pelo primeiro reimplante de couro cabeludo, ampliando as possibilidades de tratamento estético e funcional. Sua abordagem combinava precisão cirúrgica e um profundo entendimento da anatomia humana.

Ao longo de seis décadas, Badim participou de mais de mil procedimentos de alta complexidade, sempre acompanhado de um rigor científico que inspirou gerações de colegas. Ele manteve um laboratório de pesquisa dentro do próprio hospital, onde testava novos enxertos e materiais biocompatíveis.

  • 1968 – Primeiro reimplante de mão no Brasil;
  • 1972 – Pioneiro no reimplante de couro cabeludo;
  • 1985 – Liderou equipe em resgate de 50 vítimas de explosão em refinaria;
  • 1999 – Introduziu técnica de reconstrução de laringe usando retalho facial;
  • 2010 – Desenvolveu protocolo de tratamento de queimaduras de terceiro grau com terapia de pressão negativa.

Contribuições para a cirurgia de queimados

Em agosto de 2025, a revista VEJA publicou um relato de Badim sobre sua atuação na emergência que seguiu a explosão de uma refinaria no interior do Rio de Janeiro. Ele coordenou o atendimento de mais de 50 pacientes queimados, aplicando enxertos de pele cultivados em laboratório.

Essas intervenções salvaram vidas e reduziram drasticamente as sequelas estéticas e funcionais dos sobreviventes. Badim enfatizou que o trabalho em equipe e a preparação prévia foram decisivos para o sucesso da operação em massa.

Ele também escreveu capítulos de livros-texto que são adotados em cursos de residência de cirurgia plástica em todo o país. Seu método de “cicatrização orientada” ainda é citado como referência em congressos internacionais.

Vida pessoal e legado familiar

Badim mantinha uma rotina saudável, combinando exercícios físicos leves e uma dieta equilibrada, o que, segundo ele, contribuiu para sua longevidade profissional. Mesmo aos 94 anos, ele declarava que não sentia tremores e que a prática da cirurgia o mantinha mentalmente ativo.

Ele dividia o consultório com o filho, também cirurgião plástico, e ocasionalmente operava ao lado do neto, ortopedista de formação. Essa colaboração intergeracional reforçava a ideia de que a medicina é um legado familiar.

Em entrevistas, Badim afirmava que não temia a morte, mas sentia pena por deixá‑la tão cedo, pois ainda se sentia saudável e produtivo. Essa filosofia de vida inspirou pacientes e colegas a adotarem uma postura mais positiva diante do envelhecimento.

Despedida e homenagens

A diretoria do Hospital Badim informou que o velório será realizado no sábado, 12 de setembro, no Cemitério e Crematório São Francisco de Paula, capela A, a partir das 8h, com cremação marcada para as 11h30. A cerimônia contou com a presença de familiares, ex‑pacientes e autoridades da saúde.

O Sindicato dos Hospitais do Rio de Janeiro (Sindhrio) divulgou nota de pesar, ressaltando que Badim “deixa um legado que ultrapassa sua trajetória pessoal na medicina e se estende à história da saúde do Rio de Janeiro”.

O Sindhrio destacou ainda que o pioneirismo de Badim incluiu a reconstrução de laringe e esôfago, além de correções de deformidades congênitas em crianças, áreas que antes eram consideradas inoperáveis.

Vários colegas de profissão publicaram mensagens nas redes sociais, lembrando a ética incansável e a paixão que o cirurgião demonstrava em cada sala de operação. Muitos citaram que Badim era “um professor de vida”, que ensinava tanto técnica quanto humanidade.

O Hospital Badim, que hoje atende milhares de pacientes por ano, continuará a honrar sua memória com a criação de um fundo de pesquisa em cirurgia reconstrutiva, destinado a apoiar jovens cirurgiões que desejam inovar.

Assim, a história de José Badim se encerra com a certeza de que suas contribuições permanecerão vivas nas práticas clínicas e nos corações daqueles que tiveram a oportunidade de aprender com ele.

Em resumo, a morte de Badim representa não apenas o fim de uma vida extraordinária, mas também o início de um capítulo institucional que continuará a promover excelência, ética e inovação na cirurgia plástica brasileira.

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