Irene Vallejo, escritora e historiadora, afirmou que a leitura nos conecta durante entrevista concedida à revista VEJA, publicada em 2 de outubro de 2026, na edição nº 3015. Ela abordou o papel dos livros como escudo contra o esquecimento e como aliados na construção de um pensamento independente. O discurso ocorreu em um contexto de crescente distração digital e debates sobre censura e elitismo cultural.
O poder atemporal dos livros
Desde os primórdios da civilização, os livros têm servido como guardiões da memória coletiva. Sem eles, as narrativas que definem identidades e valores seriam rapidamente consumidas pelo esquecimento. Cada obra funciona como um mapa que orienta gerações rumo à democratização do conhecimento.
A censura, o elitismo e a indiferença são inimigos históricos dos textos escritos. Mesmo diante desses obstáculos, quem segura um livro nas mãos tem a capacidade de escolher o que internalizar, afastando-se da propaganda imposta. Essa autonomia se torna ainda mais valiosa na era das redes sociais, onde flashes de informação podem sobrecarregar a atenção.
Ao ler, o indivíduo recupera a capacidade de concentrar-se por períodos prolongados, favorecendo a reflexão serena. Essa prática, segundo Vallejo, representa um ato de resistência contra a velocidade frenética que caracteriza a vida contemporânea.
Leitura como resistência e saúde mental
Em seu manifesto pela leitura, publicado pela Editora Dublinense, Vallejo compara o ato de ler a uma ginástica para a saúde. Estudos recentes demonstram que dedicar apenas seis minutos à leitura antes de dormir pode reduzir o estresse em até 68%, superando muitas outras atividades relaxantes.
A leitura estimula a criatividade e a imaginação, ativando áreas cerebrais responsáveis por regular a ansiedade. Neurologistas apontam que o hábito regular de ler funciona como um dos melhores exercícios preventivos contra o declínio cognitivo, inclusive contra a doença de Alzheimer.
Além dos benefícios individuais, a leitura se configura como um exercício democrático. Bibliotecas públicas e livros digitais oferecem acesso barato e universal ao conhecimento, tornando‑se essenciais para a formação intelectual em todas as idades.
Democracia do conhecimento
Os livros são academias acessíveis que permitem que qualquer pessoa, independentemente de sua condição econômica, exercite a inteligência. Por isso, Vallejo defende a inclusão da leitura desde a primeira infância, mantendo‑a como prática ao longo de toda a vida.
Quando a mente se envolve com diferentes narrativas, ocorre uma espécie de “Big Bang” neuronal, um explosão de conexões que ilumina o santuário da mente. Esse processo gera empatia, amplia horizontes e fortalece a capacidade crítica.
A autora ressalta que o verdadeiro valor da leitura não está na quantidade de obras consumidas, mas na qualidade da experiência vivida. Cada página lida pode ser um ponto de contato com outras pessoas, ideias e culturas.
Dicas para retomar o hábito de ler
Para quem deseja iniciar ou intensificar a prática da leitura, Vallejo recomenda abordar o hábito com curiosidade e mente aberta. Ler por obrigação ou sob pressão costuma gerar frustração e pouca retenção.
- Escolha obras que despertem seu interesse imediato, sem se preocupar com gêneros “de prestígio”.
- Participe de clubes de leitura para trocar impressões e manter a motivação.
- Releia livros que marcaram sua vida; a nova perspectiva pode revelar camadas antes invisíveis.
- Leia em voz alta para crianças; essa prática reforça laços afetivos e melhora a compreensão.
Ao transformar a leitura em um momento de conexão social, seja em grupos, famílias ou comunidades online, o leitor cria uma rede de apoio que potencializa os benefícios cognitivos e emocionais.
Em síntese, a mensagem de Vallejo destaca que a leitura é muito mais que um passatempo: é uma ferramenta de resistência cultural, um exercício de saúde mental e um caminho para a democratização do saber. Ao adotar pequenas rotinas de leitura, cada pessoa contribui para um futuro mais reflexivo e conectado.








