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Procurador denuncia normalização da corrupção e critica ausência de propostas na campanha presidencial

O procurador de Justiça do Ministério Público de São Paulo e presidente do Instituto Não Aceito Corrupção, Roberto Livianu, apontou nesta semana que a corrupção no Brasil está se tornando normalizada. Em declarações concedidas durante a campanha presidencial de 2024, ele criticou a falta de propostas concretas dos candidatos para enfrentar desvios de recursos públicos. A fala ocorreu em São Paulo, no dia 2 de outubro de 2024, durante entrevista coletiva organizada pela revista VEJA.

Contexto da crítica do procurador

Livianu ressaltou que os escândalos de corrupção se multiplicam sem que isso se reflita nas pesquisas eleitorais, indicando um grau de anestesia da população. Ele descreveu a situação como “desesperadora”, pois o cidadão parece aceitar a prática como parte do cotidiano político. Segundo o procurador, a campanha tem sido marcada por discursos vazios e confrontos retóricos, sem aprofundamento nas questões estruturais.

O crítico ainda destacou que a ausência de políticas públicas voltadas ao combate à corrupção demonstra uma “pobreza de propostas” por parte dos candidatos. Ele esperava, ao menos, uma agenda que envolvesse os três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – para criar mecanismos de prevenção e punição mais eficazes. A falta desse debate, segundo ele, compromete a credibilidade do processo eleitoral.

Reação de outras organizações

A Transparência Internacional, outra entidade que atua na defesa de políticas anticorrupção, corroborou a avaliação de Livianu. Guilherme France, gerente de pesquisas da ONG, afirmou que, apesar dos escândalos como o mensalão, o petrolão e o caso Banco Master, não há propostas de reformas estruturais em debate. A organização destacou ainda o pior desempenho do Brasil no Índice de Percepção da Corrupção de 2024, com apenas 35 pontos em uma escala de 0 a 100.

O índice coloca o país na 107ª posição entre 182 nações analisadas, repetindo a segunda pior nota da série histórica iniciada em 2012. France alertou que a manutenção de um ambiente de impunidade favorece a perpetuação de práticas ilícitas e afeta a confiança dos investidores estrangeiros. Para ele, a solução passa por reformas no sistema de financiamento de campanhas, maior transparência nos gastos públicos e fortalecimento dos órgãos de controle.

Como a campanha abordou os escândalos recentes

Durante os debates, os candidatos tocaram nos casos do Banco Master e dos supostos desvios de recursos do INSS, mas de forma superficial. O então presidente Lula argumentou que sua gestão teria reduzido a “sangria” de recursos públicos, enquanto os opositores acusaram-no de ser responsável pelos mesmos escândalos. Ambos os lados, no entanto, limitaram-se a discursos de defesa e prometeram aprofundar as investigações, sem apresentar medidas concretas.

  • Propostas de reforço ao Ministério Público
  • Criação de um órgão independente de auditoria
  • Revisão das regras de imunidade parlamentar

Essas sugestões foram citadas por analistas como exemplos de ações que poderiam ser incorporadas ao programa de governo, mas até o momento não foram formalmente incluídas nas plataformas eleitorais. A falta de detalhamento impede que eleitores avaliem o comprometimento real dos candidatos com o combate à corrupção.

Impactos da normalização da corrupção

Segundo Livianu, a normalização da corrupção tem consequências diretas sobre a qualidade dos serviços públicos. Quando recursos são desviados, áreas como saúde, educação e segurança sofrem com a escassez de investimentos. Além disso, a percepção de impunidade alimenta a descrença da população nas instituições democráticas.

Especialistas apontam ainda que a corrupção sistêmica pode desencadear um círculo vicioso de desconfiança, levando a maior apatia eleitoral e, consequentemente, à perpetuação de políticos que não se comprometem com a ética. Esse cenário, alerta o procurador, pode comprometer a estabilidade econômica e social do país a longo prazo.

Para reverter esse quadro, Livianu recomenda a implementação de campanhas de educação cívica, reforço ao controle interno nas instituições públicas e a criação de canais de denúncia acessíveis e protegidos. Ele enfatiza que a mudança depende tanto da ação governamental quanto da participação ativa da sociedade civil.

O que os eleitores podem fazer?

Os cidadãos têm um papel fundamental na pressão por mudanças. O acompanhamento de projetos de lei, a participação em audiências públicas e o apoio a organizações de transparência são formas de cobrar responsabilidade dos candidatos. Além disso, a escolha consciente de representantes que apresentem propostas claras pode mudar o panorama político.

Plataformas digitais também podem ser utilizadas para divulgar informações sobre casos de corrupção e mobilizar a população. O engajamento nas redes sociais, quando orientado por fontes confiáveis, amplia a discussão e pode influenciar a agenda dos candidatos.

Em síntese, a crítica de Roberto Livianu e de outras organizações evidencia a necessidade urgente de inserir o combate à corrupção como prioridade nas campanhas eleitorais. A falta de propostas concretas representa um risco para a democracia e para o desenvolvimento sustentável do Brasil. Cabe aos eleitores, à sociedade civil e aos próprios candidatos transformar esse alerta em ação efetiva.

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