Fortes chuvas e tempestades provocaram inundações e deslizamentos de terra que resultaram em 56 mortes no estado de Uttar Pradesh, na Índia, e 14 vítimas fatais no Nepal. Os eventos ocorreram entre 25 de setembro e o início de 27 de setembro de 2026, atingindo áreas densamente povoadas e regiões montanhosas. As autoridades de ambos os países emitiram alertas de risco de novas cheias repentinas e mobilizaram equipes de resgate.
Situação crítica na Índia
No norte da Índia, o estado de Uttar Pradesh registrou 66,5 milímetros de precipitação entre 25 de setembro e a manhã de 27 de setembro, muito acima da média esperada de 7,6 milímetros. O excesso de água causou alagamentos em cidades e vilarejos, destruindo casas, estradas e plantações de trigo e arroz. As comunidades mais vulneráveis foram as primeiras a sofrer perdas humanas e materiais.
Equipes de busca e salvamento foram deslocadas para as áreas mais afetadas, utilizando barcos infláveis e veículos todo-o-terreno. Os socorristas distribuíram mantimentos, água potável e kits de higiene a milhares de deslocados. Simultaneamente, servidores públicos foram instruídos a avaliar os danos nas lavouras e iniciar processos de indenização para os agricultores afetados.
Além das perdas humanas, os alagamentos interromperam o fornecimento de energia elétrica em vários distritos, gerando apagões que dificultaram ainda mais as operações de socorro. As linhas de transmissão foram submersas, e as autoridades de energia trabalharam em turnos para restaurar a eletricidade o mais rápido possível.
Alerta e impactos no Nepal
No Nepal, as autoridades alertaram para a possibilidade de cheias repentinas em 49 dos 77 distritos do país, sendo mais da metade dessas áreas classificadas como de alto risco. As cheias são alimentadas pelo aumento dos níveis dos rios Ganges, Gandak, Kosi, Bagmati e Narmada, que já ultrapassaram os limites de perigo estabelecidos.
Shanti Mahat, porta‑voz da Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres, ressaltou que os distritos de Rasuwa e Nuwakot, ainda se recuperando de enchentes mortais no mês anterior, permanecem em estado de alerta máximo. Embora as duas regiões não sejam atualmente classificadas como áreas de risco extremo, a situação pode mudar rapidamente.
O fornecimento de energia foi totalmente interrompido nos distritos de Manang, Mustang, Myagdi e Baglung. Funcionários do Ministério da Energia relataram que equipes técnicas já estão trabalhando para restabelecer a eletricidade, mas a extensão dos danos às torres de transmissão e às linhas de fibra óptica complica a tarefa.
Entre os rios que apresentaram níveis críticos, destacam‑se:
- Ganges
- Gandak
- Kosi
- Bagmati
- Narmada
Além das inundações, um deslizamento de terra em Devighat, distrito de Nuwakot, resultou na morte de 14 pessoas e deixou 11 desaparecidas. As famílias das vítimas foram encaminhadas para abrigos temporários, onde recebem alimentação e apoio psicossocial.
Resposta das autoridades e desafios logísticos
Os governos da Índia e do Nepal ativaram planos de emergência que incluem a mobilização de forças militares, bombeiros e equipes de saúde. No Nepal, o ministro de Recursos Hídricos e Energia, Biraj Bhakta Shrestha, informou que as cheias do rio Rahuganga danificaram estruturas de uma usina hidrelétrica de 40 megawatts, comprometendo a geração de energia na região.
O ministro das Comunicações, Bikram Timilsinha, confirmou danos significativos às fibras ópticas, interrompendo serviços de telefonia e internet em áreas rurais. As empresas de telecomunicações enviaram equipes de reparo, mas a combinação de água, lama e terrenos íngremes torna o acesso difícil.
Em um incidente separado, uma avalanche atingiu o acampamento‑base do Himlung Himal, no distrito de Manang, deixando 10 trabalhadores locais desaparecidos. Eles estavam montando barracas para alpinistas estrangeiros, que não estavam presentes no momento da avalanche.
Os esforços de resgate nas áreas de avalanche incluem o uso de cães farejadores, helicópteros de alta altitude e equipes de montanhismo experientes. As autoridades solicitaram apoio internacional para equipamentos de busca e salvamento.
Consequências sociais e perspectivas futuras
As inundações já causaram mais de 1.450 mortes em todo o subcontinente, além de milhares de desaparecidos, segundo dados consolidados das agências de socorro. No Nepal, a combinação de deslizamentos, cheias e interrupções de energia agravou a vulnerabilidade das populações rurais, que dependem da agricultura de subsistência.
Especialistas em mudanças climáticas apontam que a frequência e a intensidade de eventos extremos estão aumentando devido ao aquecimento global. Eles recomendam a implementação de sistemas de alerta precoce mais robustos, a construção de infraestruturas resilientes e a reestruturação de políticas de uso da terra.
Organizações não‑governamentais estão fornecendo suporte imediato, como kits de higiene, alimentos não perecíveis e assistência médica. Ao mesmo tempo, projetos de longo prazo estão sendo planejados para reforçar diques, melhorar o manejo de bacias hidrográficas e promover práticas agrícolas sustentáveis.
Enquanto as equipes de resgate continuam a procurar os desaparecidos, as comunidades afetadas enfrentam o desafio de reconstruir suas casas, retomar a produção agrícola e restabelecer serviços básicos. A cooperação entre governos, sociedade civil e organismos internacionais será decisiva para reduzir o impacto futuro de desastres semelhantes.








