Uma pesquisa da Quaest divulgada nesta segunda‑feira, 7 de setembro, revelou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vê sua vantagem nas intenções de voto diminuir, enquanto Flávio Bolsonaro ganha terreno nas avaliações eleitorais. O levantamento, realizado em todo o país, traz números que alarmam a campanha petista a menos de um mês da eleição. Os dados apontam para um cenário de alta desaprovação ao governo e para um possível empate no segundo turno.
Cenário atual das intenções de voto
De acordo com a pesquisa, Lula ainda lidera o primeiro turno com 36% das intenções de voto, mas o senador Flávio Bolsonaro alcançou 41%, igualando o petista em um possível segundo turno. Essa inversão de posições reflete uma tendência observada desde julho, quando a vantagem de Lula era de oito pontos.
Os analistas destacam que a curva de apoio a Flávio tem subido de forma constante, enquanto a de Lula apresenta queda gradual. Esse movimento sugere uma mudança de percepção entre eleitores indecisos, que passam a considerar alternativas ao atual presidente.
Os números também mostram que 41% dos entrevistados pretendem votar em Flávio Bolsonaro, enquanto 41% permanecem com Lula, indicando um empate numérico que pode se traduzir em um segundo turno altamente disputado.
A crescente desaprovação ao governo Lula
Além das intenções de voto, a pesquisa trouxe indicadores de avaliação do governo. A taxa de desaprovação chegou a 50%, enquanto apenas 43% dos entrevistados aprovam a gestão. A rejeição ao presidente, medida distinta da desaprovação, alcançou 53%.
Comparado ao levantamento anterior, a desaprovação subiu de 48% para 50%, mostrando um aumento consistente nos últimos meses. Esse índice de rejeição permanece alto desde o ano passado, indicando que a imagem do presidente não melhorou apesar da campanha intensiva.
O especialista José Benedito da Silva, editor de Política da VEJA, ressalta que a persistência desses números é preocupante porque Lula continua em campanha, realizando comícios, viagens e usando a máquina de propaganda governamental sem conseguir reverter a avaliação negativa.
Ele compara o fenômeno a “a famosa boca do jacaré”, expressão usada para descrever curvas eleitorais que se abrem em vez de se fecharem. No caso de Lula, as curvas de aprovação, desaprovação e intenção de voto se afastam, sinalizando um cenário desfavorável.
Estratégias de campanha e o impacto da crise do STF
Flávio Bolsonaro tem aproveitado a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) como ponto central de sua campanha. A estratégia inclui associar Lula ao “sistema” e ao ministro Alexandre de Moraes, apresentando-se como candidato disposto a enfrentar o judiciário.
Essa abordagem ganhou força após o caso Dark Horse, que inicialmente trouxe pressão à campanha de Flávio. O efeito negativo desse episódio diminuiu, permitindo que o senador reconstrua sua imagem e atraia eleitores críticos ao governo.
Além disso, a oposição tem usado a insatisfação com o STF para criar um discurso de combate ao establishment, reforçando a narrativa de que o presidente está ligado a decisões judiciais impopulares.
Os analistas apontam que a combinação de aumento da desaprovação ao governo, a ascensão de Flávio nas intenções de voto e a exploração da crise do STF cria um cenário de grande volatilidade para a reta final da eleição.
- Intenções de voto: Lula 36%, Flávio Bolsonaro 41%.
- Desaprovação ao governo: 50%.
- Aprovação ao governo: 43%.
- Rejeição ao presidente: 53%.
- Rejeição a Flávio Bolsonaro: 55%.
Em julho, a vantagem de Lula era de oito pontos, mas a pesquisa atual mostra que essa margem desapareceu, resultando em um empate numérico que pode definir o futuro político do país. A constatação de que a desaprovação permanece alta mesmo com a intensificação da campanha indica que a mensagem do governo não está ressoando entre os eleitores.
Para a equipe de Lula, o desafio agora é encontrar novos argumentos que revertam a percepção negativa, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro busca consolidar seu discurso anti‑establishment e capitalizar a insatisfação com o STF. O desenrolar desses fatores será decisivo nas próximas semanas.
Observadores políticos recomendam que o presidente invista em ações de governança que gerem resultados concretos e visíveis para a população, a fim de melhorar a aprovação. Simultaneamente, a oposição deverá manter a pressão sobre temas judiciais e de corrupção para sustentar a narrativa de mudança.
Em síntese, a pesquisa Quaest sinaliza um alerta para Lula: a combinação de alta desaprovação, crescimento da oposição e estratégias focadas em crises institucionais pode transformar a corrida eleitoral em um duelo apertado. O próximo mês será crucial para definir se o presidente conseguirá reconquistar eleitores indecisos ou se o empate se consolidará, preparando um segundo turno imprevisível.








