Home / Economia / Ex‑pesquisador da OpenAI e Anthropic denuncia riscos existenciais da IA e abandona o setor

Ex‑pesquisador da OpenAI e Anthropic denuncia riscos existenciais da IA e abandona o setor

Jacob Coxon, de 27 anos, deixou a OpenAI e a Anthropic para abandonar definitivamente a indústria de inteligência artificial. Ele revelou que, nos cenários mais agressivos, a corrida por sistemas capazes de autoaperfeiçoamento pode sair do controle já no fim do próximo ano. A denúncia foi feita em entrevista ao The Wall Street Journal, em setembro de 2024, nos Estados Unidos.

Motivos da saída e alerta sobre o autoaperfeiçoamento

Coxon trabalhou três anos no pré‑treinamento de grandes modelos de linguagem, primeiro na OpenAI e, mais recentemente, na Anthropic, empresa que ele considerava mais cautelosa. O pré‑treinamento consiste em alimentar a IA com enormes volumes de dados para que ela aprenda padrões e respostas. Durante esse período, o pesquisador observou sinais claros de que a tecnologia estava se aproximando de um ponto crítico.

Ele afirmou que, em “cenários mais agressivos”, a IA poderia desenvolver a capacidade de melhorar a si mesma sem supervisão humana, um fenômeno conhecido como autoaperfeiçoamento recursivo. Quando isso ocorre, o sistema pode gerar versões cada vez mais avançadas, reduzindo a intervenção humana a quase zero. Segundo Coxon, esse processo pode tornar o controle da IA impraticável já no fim de 2025.

O risco, segundo o ex‑funcionário, não se limita a falhas técnicas, mas inclui a possibilidade de a IA tomar decisões que coloquem em perigo a vida humana. Ele citou a preocupação de que um modelo superinteligente possa agir de forma contrária aos interesses humanos, gerando consequências catastróficas.

Reações das empresas e do setor

Evan Hubinger, executivo de segurança da Anthropic, corroborou as afirmações de Coxon em post no X, dizendo que “realmente acreditamos, de forma sincera, que a IA pode matar todos os humanos”. Hubinger estimou que a probabilidade de um evento desse tipo na próxima década seja superior a 10 %.

Apesar do tom alarmista, Hubinger também destacou que, atualmente, o risco de um modelo atual causar danos massivos é baixo. A Anthropic, segundo ele, está “fazendo o possível” para mitigar ameaças, embora ainda não possua um plano definitivo que garanta a obediência de um sistema superinteligente aos seus criadores.

A OpenAI, por sua vez, interrompeu o treinamento de seus modelos mais recentes por duas semanas em agosto de 2024, retomando as atividades com controles mais rigorosos. Jakub Pachocki, cientista‑chefe da empresa, defendeu a adoção de “extrema cautela” em todas as fases de desenvolvimento.

Além das empresas, líderes do setor têm reconhecido que o autoaperfeiçoamento recursivo está se aproximando. Em julho, mais de mil profissionais de tecnologia, incluindo o CEO da Anthropic, Dario Amodei, pediram ao governo dos EUA apoio a uma desaceleração coordenada no desenvolvimento de IA avançada.

Contexto regulatório e iniciativas de contenção

Nos Estados Unidos, ainda não existe uma legislação federal que regule o desenvolvimento de IA. Em setembro de 2024, o senador Bernie Sanders e o deputado Greg Casar apresentaram um projeto de lei que propõe suspender o avanço de IA até a criação de um órgão regulador federal.

A Anthropic, que se prepara para abrir capital na bolsa, removeu de sua carta de princípios de segurança o compromisso de interromper o desenvolvimento caso não conseguisse controlar os riscos. A justificativa foi que suspender unilateralmente as atividades poderia abrir espaço para concorrentes menos cautelosos, aumentando a vulnerabilidade do setor como um todo.

Para ilustrar os principais riscos apontados por Coxon e pelos especialistas, segue uma lista resumida:

  • Autoaperfeiçoamento recursivo: sistemas que projetam e treinam novas versões sem intervenção humana.
  • Falta de alinhamento de valores: a IA pode perseguir objetivos diferentes dos humanos.
  • Concentração de poder: poucas empresas controlam tecnologias capazes de influenciar sociedades inteiras.
  • Escalada de armamentos automatizados: uso militar de IA pode acelerar conflitos.
  • Desinformação massiva: geração de conteúdo falsificado em escala sem precedentes.

Os especialistas concordam que a única maneira de garantir um desenvolvimento responsável seria por meio de intervenção governamental ou de um acordo internacional de desaceleração. Coxon enfatiza que, sem uma regulação forte, nenhuma empresa – nem mesmo a Anthropic, que se considera mais cautelosa – conseguirá conter os perigos inerentes a uma IA que supere a inteligência humana.

Enquanto o debate legislativo avança lentamente, a comunidade científica continua a pressionar por transparência, auditorias independentes e protocolos de segurança robustos. A esperança é que, antes que a tecnologia alcance o ponto de não‑retorno, haja um consenso global capaz de impor limites claros.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

loader-image
Guarulhos, BR
6:57 am, set 17, 2026
temperature icon 10°C
Névoa
1025 mb
Hora
7:00 am
temperature icon
10°/11°°C 0.01 mm 33% 12 Km/h 92% 1026 mb 0 cm
10:00 am
temperature icon
11°/12°°C 0.01 mm 29% 12 Km/h 87% 1026 mb 0 cm
1:00 pm
temperature icon
12°/12°°C 0.01 mm 29% 13 Km/h 86% 1024 mb 0 cm
4:00 pm
temperature icon
11°/12°°C 0.01 mm 31% 13 Km/h 91% 1024 mb 0 cm
7:00 pm
temperature icon
11°/11°°C 0 mm 39% 12 Km/h 95% 1026 mb 0 cm
12:00 am
temperature icon
11°/11°°C 0 mm 36% 11 Km/h 95% 1024 mb 0 cm
3:00 am
temperature icon
11°/11°°C 0.02 mm 32% 12 Km/h 90% 1024 mb 0 cm
6:00 am
temperature icon
11°/13°°C 0 mm 25% 13 Km/h 89% 1025 mb 0 cm