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EUA afundam embarcação equatoriana no Pacífico acusando vínculo com cartel

Na segunda‑feira, 7 de maio, o Comando Sul dos Estados Unidos afundou uma embarcação equatoriana no leste do Oceano Pacífico, alegando vínculo com o cartel Los Choneros. A ação ocorreu durante uma operação conjunta com autoridades do Equador e foi divulgada em vídeo pelos militares norte‑americanos. O incidente marca a quinta interceptação de um navio nos últimos quatorze dias.

Operação e justificativa dos EUA

De acordo com o comunicado oficial do Comando Sul, uma força‑tarefa integrada identificou um barco que funcionava como posto flutuante de abastecimento para redes de narcotráfico. O alvo teria sido usado para transportar combustível, munições e suprimentos a embarcações que operam no Pacífico oriental.

Os militares norte‑americanos descrevem a missão como “precisa e profissional”, destacando que o projétil disparado atingiu o casco central, provocando o afundamento imediato da embarcação. O vídeo divulgado mostra helicópteros sobrevoando a área, agentes abordando o navio e, em seguida, a explosão que o submergiu.

O comunicado ainda afirma que a operação faz parte de uma campanha mais ampla para desmantelar as rotas logísticas que alimentam o tráfico de drogas no Hemisfério Ocidental. Até o momento, os EUA contabilizam mais de 60 ataques a embarcações desde o início da estratégia, que teria causado a morte de mais de 200 pessoas.

  • Objetivo principal: interromper o fluxo de drogas.
  • Alvo: embarcação usada como posto de abastecimento.
  • Resultado imediato: afundamento e retirada dos tripulantes.
  • Reação esperada: reforço da cooperação com países da região.

Reação dos países latino‑americanos

As autoridades equatorianas ainda não emitiram um posicionamento oficial sobre o incidente, embora tenham confirmado a captura de 26 tripulantes que foram levados ao porto de Manta no domingo anterior. Famílias de pescadores aguardam notícias e expressam preocupação com a falta de transparência.

Outros países da América Latina têm observado a escalada das ações militares norte‑americanas com cautela. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, anunciou recentemente acordos de cooperação com Colômbia, Guatemala e Honduras, mas a Guatemala negou ter firmado tal pacto. O Equador, por sua vez, tem buscado equilibrar a colaboração com os EUA e a defesa da soberania nacional.

Em relatos de tripulantes de embarcações como OM2 e Los Tres Hermanos, os pescadores afirmam que foram surpreendidos por ataques aéreos sem aviso prévio. Alguns sobreviventes alegam que não há evidências concretas de envolvimento com organizações criminosas, levantando dúvidas sobre a validade das acusações.

Impactos humanitários e controvérsias

Os críticos das operações norte‑americanas apontam para o alto número de vítimas civis e para a ausência de processos judiciais que justifiquem os ataques. Organizações de direitos humanos questionam a legalidade das intervenções em águas internacionais e a falta de mecanismos de responsabilização.

Além das mortes, há relatos de pescadores desaparecidos, como no caso do barco Fiorella, que deixou oito tripulantes desaparecidos desde janeiro. As famílias desses desaparecidos continuam sem respostas, enquanto autoridades equatorianas afirmam não ter encontrado provas de envolvimento em atividades ilícitas.

O debate também inclui a classificação do grupo Los Choneros como organização terrorista estrangeira pelos EUA. Essa designação permite o uso de recursos militares mais amplos, mas gera controvérsia entre especialistas que argumentam que a rotulagem pode ser política e não baseada em evidências claras.

Para contextualizar a escala da campanha, segue um resumo dos principais incidentes registrados nos últimos meses:

  1. María Candelaria – atingido em operação conjunta com autoridades equatorianas.
  2. Conquista II – oito pescadores localizados em Manta.
  3. OM2 e Los Tres Hermanos – afundados após serem identificados como postos de abastecimento.
  4. Fioreza – tripulação desaparecida desde janeiro.
  5. Barco não divulgado – quinto alvo em menos de duas semanas.

Os números revelam um padrão de ação que, segundo analistas, visa pressionar redes criminosas, mas também pode gerar instabilidade nas comunidades costeiras que dependem da pesca para subsistência.

Em síntese, a afundação da embarcação equatoriana no Pacífico evidencia a intensificação da política de combate ao narcotráfico dos EUA na América Latina, ao mesmo tempo em que levanta questões sobre soberania, direitos humanos e eficácia das medidas adotadas.

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