Kimberly Guilfoyle, nomeada embaixadora dos Estados Unidos na Grécia, renunciou ao cargo nesta terça‑feira, 13 de outubro de 2026, após solicitação da Casa Branca. A decisão chegou em meio a um escândalo envolvendo supostas transferências de US$ 100 mil para quitar dívida pessoal.
Renúncia inesperada
A embaixadora anunciou a saída por meio de uma publicação na rede X, anteriormente conhecida como Twitter, ressaltando seu apoio ao presidente Donald Trump e ao movimento “America First”. Apesar da saída, Guilfoyle afirmou que seu comprometimento com o presidente e com os Estados Unidos permanece inabalável.
O comunicado oficial da Casa Branca, divulgado pela porta‑voz Katie Zacharia, confirmou que o presidente havia solicitado a renúncia da diplomata. A mensagem enfatizou que a decisão foi tomada em conjunto, buscando preservar a credibilidade da missão diplomática em Atenas.
Acusações de corrupção
O escândalo ganhou força após o Wall Street Journal publicar mensagens trocadas entre Guilfoyle e o advogado Eric Deters, que revelavam um pedido de transferência de US$ 100 mil para a American Express. Segundo as capturas de tela obtidas pelo jornal, Guilfoyle enviou a mensagem “Querido, preciso que você faça isso ainda hoje” em 3 de julho de 2025.
Deters, que também atuou como candidato ao Congresso de Kentucky, recusou o pedido alegando que a operação poderia colocar seu casamento em risco. O repórter destacou que Deters havia tentado, em outras ocasiões, influenciar o governo Trump para intervir em questões fiscais que o beneficiariam.
O doador republicano envolvido, cuja identidade não foi revelada, teria contribuído com centenas de milhares de dólares para a família Trump e para a campanha presidencial de 2024. A transferência solicitada por Guilfoyle, no entanto, teria caráter estritamente pessoal, visando quitar uma dívida de cartão de crédito.
- Pedido de US$ 100 mil para pagamento de dívida pessoal;
- Comunicação feita via aplicativo Signal, supostamente seguro;
- Negativa de Deters por risco ao casamento;
- Acusação de tentativa de ocultação de pagamento.
Guilfoyle negou categoricamente as alegações, classificando-as como falsas e prometendo defender sua reputação e integridade. Em sua publicação no X, a ex‑promotora e apresentadora da Fox News afirmou que as acusações são infundadas e que tomará as medidas legais necessárias.
Repercussões políticas
O caso surgiu em um momento crítico para o Partido Republicano, que enfrenta eleições de meio de mandato (midterms) em novembro, com o controle do Congresso em jogo. As pesquisas indicam baixa popularidade de Trump, o que aumenta a pressão sobre os candidatos republicanos.
Além das questões financeiras, a imprensa destacou possíveis conflitos de interesse envolvendo Guilfoyle. Ela é divorciada do governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, e já foi noiva de Donald Trump Jr., filho mais velho do presidente.
Analistas políticos apontam que a renúncia pode ser vista como tentativa de limitar danos à campanha de Trump e ao partido. A saída de uma figura tão ligada ao círculo interno do presidente pode reduzir a atenção da mídia sobre outras questões internas do Partido Republicano.
Especialistas em relações internacionais comentam que a mudança abrupta de embaixadora pode afetar as relações diplomáticas entre Estados Unidos e Grécia, embora o governo grego tenha declarado que continuará colaborando com Washington independentemente da pessoa no cargo.
Em síntese, a renúncia de Kimberly Guilfoyle reflete a intersecção entre política interna dos EUA, alegações de corrupção e estratégias de gerenciamento de crise durante um período eleitoral decisivo.








