Nesta terça‑feira, 3 de novembro de 2024, milhões de eleitores americanos vão às urnas para decidir o futuro das eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. A votação ocorre enquanto o mandato do presidente Donald Trump está na metade, servindo como termômetro da popularidade do chefe de Estado e de seu partido.
O cenário político nas urnas
O Partido Republicano, liderado por Trump, ainda mantém maiorias estreitas tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado, mas os índices de aprovação do presidente despencaram nos últimos meses. Pesquisas recentes apontam que a confiança do eleitorado na figura de Trump está nos níveis mais baixos desde o início de seu mandato.
Essa queda de popularidade tem reflexos diretos nas expectativas de desempenho dos republicanos nas eleições de meio de mandato. Caso os democratas consigam ampliar sua bancada, a agenda legislativa de Trump pode ser bloqueada ou significativamente enfraquecida.
Além disso, o clima político está marcado por questões de política externa, como a postura dos EUA em relação à Ucrânia e à China, que influenciam a percepção dos eleitores sobre a competência do governo. Analistas apontam que a estratégia de “America First” está sendo questionada por eleitores moderados que buscam maior estabilidade internacional.
O que está em jogo nas urnas
Os eleitores decidirão o destino de diversos cargos importantes, que determinarão o equilíbrio de poder nos próximos quatro anos. Entre os postos disputados, destacam‑se:
- 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, que definem a maioria legislativa.
- 35 das 100 vagas do Senado, que podem mudar a dinâmica de aprovação de projetos presidenciais.
- 36 governadores estaduais, responsáveis por políticas regionais e pela coordenação de recursos federais.
O resultado desses pleitos terá impacto direto nas políticas internas, como saúde, educação e infraestrutura, bem como nas decisões de política externa que dependem da aprovação do Congresso.
Entrevistas que explicam o momento
No episódio especial do podcast O Assunto, o apresentador Victor Boyadjian recebeu dois convidados de peso para analisar o panorama eleitoral. O jornalista Guga Chacra, baseado em Nova York, trouxe uma visão detalhada do mapa eleitoral e explicou como a política externa de Trump está afetando o humor dos eleitores nas regiões mais competitivas.
Chacra destacou que estados tradicionalmente republicanos, como Ohio e Pensilvânia, mostram sinais de desgaste, enquanto democratas ganham terreno em áreas suburbanas de crescimento. Ele também ressaltou que a postura agressiva de Trump em relação à China tem gerado preocupação entre empresários que temem retaliações comerciais.
Já o historiador Filipe Figueiredo abordou os diferentes cenários possíveis para o Congresso após as eleições. Segundo ele, uma vitória dos democratas nas duas casas pode levar a um bloqueio de projetos-chave da agenda trumpista, como reformas fiscais e políticas de imigração.
Figueiredo também apontou para a importância dos governadores eleitos, que podem influenciar decisões judiciais e a aplicação de políticas federais em nível estadual. Ele alertou que um aumento significativo de governadores democratas poderia acelerar iniciativas de energia limpa e de expansão de direitos civis.
Ambos os convidados concordaram que o resultado das midterms será um indicativo claro da capacidade de Trump de manter sua base de apoio e de sua habilidade de atrair eleitores indecisos. Eles ressaltaram ainda que, independentemente do resultado, o Congresso permanecerá como palco de intensas negociações nos próximos anos.
Impactos globais de uma eventual derrota
Uma derrota dupla para o Partido Republicano pode reverberar em toda a política internacional. Analistas de relações internacionais afirmam que aliados dos EUA, como a União Europeia e o Japão, podem ganhar mais espaço para influenciar decisões conjuntas em áreas como segurança cibernética e mudanças climáticas.
Ao mesmo tempo, adversários estratégicos, como a Rússia e a China, podem interpretar a fraqueza interna dos EUA como um convite para avançar em suas próprias agendas regionais. Essa percepção pode levar a uma maior assertividade em zonas de conflito, como a Ucrânia ou o Mar do Sul da China.
Para o mercado financeiro, a expectativa de um Congresso mais alinhado ao Partido Democrata costuma elevar o preço de ativos considerados mais seguros, como títulos do Tesouro, e reduzir a volatilidade nas bolsas de valores. Investidores acompanham de perto os resultados das midterms para ajustar suas estratégias de risco.
Por fim, a sociedade civil nos Estados Unidos também sente os efeitos de uma mudança de poder. Organizações de direitos humanos e grupos ambientalistas costumam encontrar maior abertura legislativa quando o Congresso está sob controle democrata, o que pode acelerar projetos de justiça climática e de reforma policial.
Em resumo, as eleições de meio de mandato de 2024 representam muito mais do que um simples exercício democrático; elas são um termômetro da estabilidade política interna dos EUA e um barômetro das relações internacionais nos próximos anos.








