Na manhã desta terça‑feira (3), mais de 50 milhões de cidadãos dos Estados Unidos já haviam votado antecipadamente nas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. A votação, que ocorre em todo o país, decidirá a composição total da Câmara dos Representantes e cerca de um terço das cadeiras do Senado. O resultado tem implicações diretas para o presidente Donald Trump e para a agenda legislativa nacional.
Contexto das eleições de meio de mandato
As midterms são realizadas a cada quatro anos, exatamente na metade do mandato presidencial, e servem como termômetro da popularidade do governo em exercício. Em 2026, os eleitores escolherão 435 representantes da Câmara e 34 senadores, além de governadores, deputados estaduais e cargos locais.
O sistema eleitoral americano diferencia-se do brasileiro: no Senado, cada estado tem duas vagas, independentemente da população, totalizando 100 senadores. Já na Câmara, as 435 cadeiras são distribuídas proporcionalmente ao número de habitantes de cada estado, criando distritos eleitorais de tamanho variado.
Antes das midterms, os partidos realizam primárias para definir seus candidatos. Na maioria dos distritos, a disputa se resume a dois nomes – um republicano e um democrata – embora candidatos independentes ou de terceiros partidos também possam aparecer.
O que está em jogo para Trump e o Congresso
Para Donald Trump, a manutenção da maioria republicana no Congresso é estratégica. Uma bancada controlada pelos aliados do presidente facilita a aprovação de projetos de sua agenda e reduz a capacidade da oposição de bloquear iniciativas.
Em 2024, o Partido Republicano conquistou 218 cadeiras na Câmara, contra 214 dos democratas, com um deputado independente e duas vagas ainda vagas. No Senado, os republicanos mantêm 53 assentos, garantindo a maioria mínima.
Entretanto, a maioria republicana é frágil. Alguns legisladores do próprio partido já se mostraram críticos a políticas de Trump, o que pode gerar divergências internas nas votações mais polêmicas.
Uma derrota nas midterms – seja na Câmara, no Senado ou em ambas – poderia enfraquecer significativamente a influência de Trump, obrigando-o a negociar com democratas ou a buscar apoio de grupos de pressão externos.
Projeções, pesquisas e possíveis cenários
As últimas projeções indicam que os democratas chegam como favoritos para retomar a maioria na Câmara, enquanto o Senado permanece em disputa, com leve vantagem percebida para o partido de esquerda.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda‑feira (2) mostrou que a aprovação de Trump está em 32%, próximo ao seu nível histórico mais baixo. A mesma pesquisa revelou que grande parte do eleitorado vê as midterms como oportunidade para expressar oposição ao presidente.
- Se os democratas reconquistarem a Câmara, poderão iniciar investigações e bloquear projetos chave de Trump.
- Se os republicanos mantiverem a maioria, o presidente terá maior margem para avançar sua agenda legislativa.
- No Senado, um equilíbrio mais estreito pode levar a negociações intensas para aprovação de leis importantes.
Além das questões partidárias, temas como a inflação, a política de imigração e a segurança nas fronteiras estão no topo da agenda dos eleitores, influenciando suas escolhas nas urnas.
Os resultados das midterms também servirão de indicativo para a corrida presidencial de 2028, sinalizando quais tendências políticas estão em ascensão e quais estratégias de campanha podem ser ajustadas.
Especialistas apontam que, caso os democratas obtenham a maioria na Câmara, o Congresso pode iniciar processos de impeachment ou investigações sobre possíveis irregularidades na administração Trump.
Por outro lado, se os republicanos mantiverem o controle, é provável que reforcem a agenda de cortes de impostos, desregulamentação e políticas de energia que favorecem os interesses do setor privado.
Independentemente do resultado, as midterms de 2026 representam um momento decisivo para o futuro político dos Estados Unidos, definindo não apenas quem ocupará as cadeiras legislativas, mas também o rumo da política interna nos próximos quatro anos.
Os americanos, ao comparecerem às urnas, exercem um direito fundamental que, ao mesmo tempo, reflete suas expectativas, medos e esperanças em relação ao país que desejam construir.








