Na abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada em Nova Iorque, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva pronunciou um discurso contundente sobre a atual crise da ONU. O evento, que reuniu chefes de Estado, representantes de governos e organizações internacionais, ocorreu em setembro de 2025. Lula utilizou a tribuna para denunciar o imobilismo do Conselho de Segurança e convocar uma reforma urgente.
Crise de legitimidade da Organização
O mandatário brasileiro destacou que a credibilidade da ONU está em seu ponto mais baixo desde a sua criação, após décadas de decisões paralisadas por vetos de potência. Ele afirmou que a missão mais elevada da instituição – impedir guerras e proteger os vulneráveis – está sendo negligenciada. Segundo Lula, a falta de ação tem custado vidas e alimentado conflitos que se multiplicam ao redor do mundo.
Ao recordar a primeira sessão da Assembleia, em 1946, o presidente lembrou que o Brasil já alertava sobre os riscos do direito de veto. Ele descreveu esse mecanismo como um “vício de origem” que favorece a insensatez das grandes potências. Essa crítica serve como pano de fundo para o pedido de mudança estrutural.
Apelo à reforma do Conselho de Segurança
Lula enfatizou que o Conselho de Segurança, criado para garantir a paz, tornou‑se um órgão de impasse. Ele convocou os membros permanentes a se reunirem urgentemente para discutir a reforma dos vetos. O presidente brasileiro ressaltou que a atual postura representa “concessões à lei do mais forte” que ultrapassam os limites da diplomacia.
O discurso apontou ainda que a guerra não é “a continuação da política por outros meios”, mas sim a falência total da política. Nesse sentido, o presidente pediu que os líderes adotem responsabilidade e senso de urgência, colocando a humanidade acima de interesses nacionais estreitos.
Desafios globais e a necessidade de multilateralismo
O ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial, segundo o discurso de Lula. Trilhões de dólares foram canalizados para uma nova corrida armamentista, enquanto tensões geopolíticas ameaçam transformar conflitos regionais em confrontos de escala global.
Para enfrentar essa realidade, o presidente enumerou as escolhas que a comunidade internacional deve fazer:
- Multilateralismo ou unilateralismo;
- Democracia ou extremismo;
- Soberania ou subordinação.
Ele alertou que essas decisões exigem coragem, vontade política e clareza de objetivos, qualidades que, segundo ele, caracterizam um verdadeiro estadista.
O líder brasileiro ainda citou figuras históricas como Yasser Arafat e Yitzhak Rabin, apontando que ambos buscaram a paz, ainda que tenham sido derrotados pelo ódio. Essa referência serve para reforçar a mensagem de que a paz requer sacrifício e visão de longo prazo.
Conclusão e chamada à ação
Encerrando o discurso, Lula lembrou que o Brasil, sob sua liderança, saiu do mapa da fome e tem uma história de luta contra a ditadura e o golpe de Estado. Ele pediu que a Assembleia corrija distorções históricas, reconheça crimes contra a humanidade e promova uma representação mais justa do mapa‑múndi.
O presidente conclamou os países a deixarem de lado o “imobilismo” e a adotarem políticas que protejam civis, reduzam a corrida armamentista e garantam o acesso a recursos essenciais como combustíveis, fertilizantes e alimentos. Ele finalizou com um apelo à solidariedade internacional e ao fortalecimento das instituições que defendem a paz.








