Uma pesquisa conduzida pela Pew Research Center entre março e junho de 2026 revelou que mais da metade dos brasileiros sente medo em relação ao avanço da inteligência artificial (IA). O levantamento abrangeu 37 países de diferentes continentes e mostrou que o Brasil registra 52% de preocupação, número que supera a média global de 37%.
Panorama global do receio com IA
Nos demais países analisados, a preocupação com a IA varia significativamente. Enquanto na Austrália e nos Estados Unidos o índice de medo chega a 76% e 71% respectivamente, na maioria das nações o percentual fica entre 30% e 50%.
O estudo aponta ainda que, em escala mundial, 48% dos entrevistados entre 18 e 34 anos vêem a IA com um sentimento equilibrado, combinando expectativa e receio. Essa percepção mais neutra contrasta com a tendência de aumento do medo entre os jovens em alguns países, como Brasil, Estados Unidos, Austrália e Japão.
Perfil demográfico do medo no Brasil
O recorte brasileiro demonstra que a preocupação é mais intensa entre pessoas acima de 50 anos, com 58% desse grupo manifestando receio. Entre os jovens de 18 a 34 anos, 44% afirmam estar apreensivos, um salto de 12 pontos percentuais em relação a 2025.
Além da idade, o nível de instrução também influencia a percepção. Enquanto 30% dos entrevistados com ensino superior consideram que a IA pode ampliar a desigualdade social, 24% acreditam que isso acontecerá, e 46% permanecem indecisos.
- 52% dos brasileiros temem a IA (comparado a 37% global).
- 58% dos maiores de 50 anos estão preocupados.
- 44% dos jovens (18‑34) demonstram receio, +12pp desde 2025.
Impactos percebidos no mercado de trabalho
O medo de que a IA reduza vagas de emprego é uma das principais preocupações, sobretudo entre a população jovem. Nos Estados Unidos, 74% dos indivíduos entre 18 e 34 anos acreditam que a automação diminuirá a oferta de trabalho.
No Brasil, 42% das pessoas, independentemente da faixa etária, temem que a IA afete negativamente o mercado de trabalho. Por outro lado, 13% veem a tecnologia como geradora de novas oportunidades, indicando uma divisão de opiniões.
Essas percepções são reforçadas por eventos recentes, como vaias a executivos de tecnologia em formaturas nos EUA e a pesquisa da CNBC com o Generation Labs, que apontou mais de 70% de desconfiança dos jovens em líderes da IA.
Conhecimento e conscientização sobre IA no Brasil
Um dado curioso do levantamento mostra que 27% dos brasileiros afirmam nunca ter ouvido falar de IA. Já 42% dizem conhecer pouco sobre o assunto, e 31% consideram-se bem informados.
O nível de conhecimento tem evoluído rapidamente. Em 2025, apenas 22% dos brasileiros relataram ter ouvido falar de IA; esse número subiu para 31% em 2026, colocando o país entre os que mais cresceram nesse aspecto.
Comparativamente, países mais ricos apresentam maior familiaridade com a tecnologia, refletindo maior acesso a recursos digitais e educação especializada.
Para melhorar a compreensão pública, especialistas recomendam investimentos em programas de alfabetização digital nas escolas e campanhas de comunicação que desmistifiquem os benefícios e riscos da IA.
Em síntese, o Brasil se destaca tanto pelo alto índice de medo quanto pela crescente conscientização sobre a inteligência artificial. Enquanto a maioria da população permanece cautelosa, há sinais de que o conhecimento está se expandindo, o que pode equilibrar as percepções nos próximos anos.








