Uma pesquisa realizada pelo Datafolha, divulgada nesta quinta‑feira, 22 de outubro, revelou um empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a apenas três dias do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. A sondagem, que entrevistou 2.520 eleitores em todo o país, analisou as intenções de voto válidas, excluindo brancos, nulos e indecisos.
Os resultados chegam em um momento de alta tensão política, com campanhas intensificadas nas redes sociais e debates ao vivo nas principais emissoras. A proximidade da data de votação aumenta a importância de cada ponto percentual, já que a margem de erro da pesquisa pode ser decisiva para a interpretação dos números.
Na edição anterior da mesma pesquisa, divulgada na semana passada, Flávio Bolsonaro liderava por dois pontos dentro da margem de erro (51% contra 49%). O novo levantamento mostra que a diferença desapareceu, reforçando a ideia de que o eleitorado está ainda em fase de consolidação de preferências.
Metodologia e margem de erro
O Datafolha conduziu as entrevistas entre os dias 20 e 22 de outubro, utilizando questionários presenciais e por telefone, garantindo representatividade nas cinco regiões brasileiras. A amostra de 2.520 eleitores foi selecionada por meio de estratificação por sexo, idade, nível de escolaridade e renda, de modo a refletir a composição demográfica do eleitorado habilitado.
A margem de erro declarada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Esse parâmetro indica que, se a pesquisa fosse repetida diversas vezes, 95% das vezes os resultados cairiam dentro de um intervalo de duas unidades percentuais ao redor dos valores apresentados.
O protocolo de registro na Justiça Eleitoral (BR-09709/2026) assegura a transparência e a legalidade do levantamento, permitindo que partidos e candidatos acompanhem a evolução das intenções de voto de forma oficial.
Resultados por categoria de voto
Quando analisados apenas os votos válidos – ou seja, excluindo brancos, nulos e indecisos – Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva ficaram exatamente empatados em 50% cada. Esse dado demonstra que, entre eleitores que já têm uma escolha definida, não há vantagem clara para nenhum dos candidatos.
Em termos de votos totais, que consideram também brancos e nulos, Flávio aparece ligeiramente à frente com 47%, enquanto Lula registra 46%. Brancos e nulos somam 5% e os indecisos representam 2% do universo pesquisado.
A pesquisa espontânea – na qual o entrevistado não recebe a lista de candidatos – também aponta para um cenário de quase igualdade: 46% para o senador e 45% para o presidente. Nessa modalidade, 4% dos respondentes optaram por branco ou nulo, 4% ainda estavam indecisos e 1% citou outros nomes.
Os números podem ser visualizados de forma resumida na lista a seguir:
- Votos válidos: Flávio 50% | Lula 50%
- Votos totais: Flávio 47% | Lula 46%
- Brancos e nulos: 5%
- Indecisos: 2%
- Espontânea: Flávio 46% | Lula 45%
Implicações para o segundo turno
O empate técnico observado coloca a disputa em um terreno altamente competitivo, onde estratégias de mobilização de eleitores podem mudar rapidamente o cenário. Campanhas de última hora, alianças regionais e a atuação dos partidos menores terão peso significativo para converter os indecisos e reduzir a taxa de brancos.
Especialistas apontam que a presença de 5% de eleitores que ainda não decidiram entre branco ou nulo pode ser decisiva, pois esses votos não são contabilizados nos resultados oficiais, mas influenciam a percepção de legitimidade do vencedor.
Além disso, a proximidade da publicação da última pesquisa do Datafolha, prevista para o sábado, 24 de outubro, pode gerar novas oscilações. Se a margem de erro permanecer a mesma, a tendência é que os candidatos continuem em pé de igualdade até o momento da votação.
Para os analistas de campanha, a mensagem central é a necessidade de reforçar a presença nas urnas, sobretudo em estados onde o eleitorado ainda está volátil. A logística de transporte, a comunicação de voto seguro e a motivação de bases partidárias são fatores que podem transformar os pequenos diferenciais em vitória clara.
Em síntese, o panorama apresentado pelo Datafolha evidencia que a corrida presidencial está longe de ser decidida, e que o segundo turno será marcado por uma disputa acirrada, onde cada ponto percentual pode mudar o rumo da história política brasileira.








