No último episódio do podcast Bem‑Estar, divulgado em 21 de outubro de 2026, especialistas abordam a relação entre o tamanho da barriga e a saúde cardiovascular. A gravação foi feita no estúdio do Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, com a presença do cardiologista André Dabarian. O programa traz explicações científicas e orientações práticas para quem deseja controlar a gordura abdominal.
Por que a gordura abdominal importa
A gordura que se acumula na região do abdômen, conhecida como gordura visceral, tem comportamento metabólico distinto da gordura subcutânea que fica sob a pele. Enquanto a primeira está diretamente ligada à produção de hormônios inflamatórios, a segunda tem impacto menor nos processos inflamatórios do organismo.
Estudos recentes demonstram que indivíduos com maior volume de gordura visceral apresentam níveis elevados de citocinas pró‑inflamatórias, que podem danificar os vasos sanguíneos e favorecer o desenvolvimento da hipertensão. Esse processo aumenta o risco de aterosclerose, condição em que as artérias ficam obstruídas por placas de colesterol.
Além da pressão alta, a gordura visceral está associada a outras doenças crônicas, como diabetes tipo 2, esteatose hepática (gordura no fígado) e até alguns tipos de câncer. Por isso, o tamanho da barriga se tornou um marcador importante na avaliação do risco cardiovascular.
Como medir a gordura visceral
Existem diferentes métodos para estimar a quantidade de gordura abdominal, variando em precisão e custo. A escolha do método depende do contexto clínico e da disponibilidade de recursos.
- Índice de cintura‑quadril (ICQ): medida simples que compara a circunferência da cintura com a do quadril. Valores acima de 0,90 para homens e 0,85 para mulheres indicam risco aumentado.
- Espessura da camada de gordura por ultrassom: exame não invasivo que quantifica a espessura da gordura subcutânea e visceral em pontos específicos do abdômen.
- Tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM): técnicas de imagem que fornecem a medida mais precisa da gordura visceral, porém são caras e pouco acessíveis para triagem rotineira.
- Bioimpedância elétrica (BIA): aparelho que estima a composição corporal a partir da resistência elétrica do corpo; algumas versões avançadas oferecem estimativas da gordura abdominal.
Para a maioria das pessoas, o ICQ combinado com a circunferência da cintura (medida em centímetros) é suficiente para identificar quem precisa de intervenção mais intensiva.
Estrategias para reduzir o risco cardiovascular
Controlar a gordura visceral exige mudanças de estilo de vida que envolvem alimentação, atividade física e manejo do estresse. Cada aspecto contribui de forma sinérgica para a diminuição da inflamação e da pressão arterial.
- Alimentação balanceada: priorizar alimentos ricos em fibras, como frutas, legumes, grãos integrais e leguminosas. Reduzir o consumo de açúcares simples, gorduras trans e alimentos ultraprocessados diminui a deposição de gordura abdominal.
- Exercícios aeróbicos regulares: caminhadas rápidas, corrida, ciclismo ou natação, praticados por pelo menos 150 minutos por semana, são eficazes na queima de gordura visceral.
- Treinamento de força: sessões de musculação ou exercícios com peso corporal, duas a três vezes por semana, aumentam a massa magra e elevam o metabolismo basal.
- Controle do sono: dormir de 7 a 9 horas por noite regula hormônios como leptina e grelina, que influenciam o apetite e o armazenamento de gordura.
- Gestão do estresse: práticas como meditação, yoga ou técnicas de respiração reduzem a liberação de cortisol, hormônio que favorece o acúmulo de gordura abdominal.
Além das mudanças de hábitos, é fundamental monitorar a pressão arterial e os níveis de glicemia periodicamente. Caso os valores estejam fora da normalidade, o acompanhamento médico pode incluir uso de medicamentos, sempre aliado a intervenções de estilo de vida.
O cardiologista André Dabarian destaca que a prevenção deve ser personalizada. “Não existe solução única; cada paciente tem um perfil metabólico diferente. Avaliar a circunferência da cintura, o histórico familiar e a presença de comorbidades permite traçar um plano de ação mais eficaz”, afirma.
Em resumo, observar o tamanho da barriga vai além da estética. É um indicador valioso da saúde do coração e do metabolismo geral. Ao adotar medidas simples, como ajustar a dieta, praticar exercícios e controlar o sono, é possível reduzir significativamente o risco de hipertensão, doenças cardíacas e outras complicações graves.








