A mais recente pesquisa da consultoria Tendências indica que Axel Kicillof pode se tornar o próximo presidente da Argentina, com 46,1% dos votos no segundo turno previsto para outubro de 2025, em Buenos Aires. O levantamento coloca o governador da província de Buenos Aires à frente do atual mandatário libertário, Javier Milei, que aparece com 37,4% das intenções de voto. Essa diferença de quase nove pontos evidencia uma possível guinada no cenário político do país.
Contexto político atual
Desde que assumiu o poder, Javier Milei tem adotado uma agenda agressiva de liberalização econômica, buscando reduzir o tamanho do Estado e atrair investimentos estrangeiros. Apesar de ter conseguido conter a alta inflação, o índice ainda está longe de ser zerado e a taxa de juros permanece elevada. A política de privatizações e a tentativa de desregulamentar setores estratégicos geram dúvidas entre investidores que ainda esperam resultados concretos.
Ao mesmo tempo, a população sente os efeitos da crise no bolso: 41,2% dos argentinos afirmam que o salário não cobre nem as despesas básicas, enquanto 22,4% já precisaram cortar gastos essenciais. Apenas 16,9% conseguem reservar algum valor para poupança, segundo a mesma pesquisa da Tendências. Esses números reforçam a percepção de que a responsabilidade pelos problemas econômicos recai, em grande parte, sobre o governo atual.
Perfil de Axel Kicillof
Axel Kicillof, atual governador da província de Buenos Aires, tem um histórico marcado por uma postura estatista e por políticas de intervenção estatal. Foi ministro da Economia durante o governo de Alberto Fernández, período em que nacionalizou a empresa petrolífera YPF, medida que acabou gerando prejuízos financeiros significativos para o Estado. Seu discurso econômico se apoia fortemente nas ideias de John Maynard Keynes, defendendo o papel ativo do governo na regulação da economia.
Kicillof também possui formação acadêmica sólida: economista, professor universitário e autor de diversos livros que abordam a teoria keynesiana e a importância da política fiscal expansionista. Sua trajetória política está intimamente ligada ao kirchnerismo, embora ele tente se distanciar da figura de Cristina Kirchner para conquistar eleitores mais centristas.
- Formação: Economista pela Universidade de Buenos Aires.
- Experiência: Ministro da Economia (2019‑2021) e governador de Buenos Aires (2021‑presente).
- Ideologia: Keynesianismo moderado, defesa de políticas públicas de estímulo.
- Desafio atual: Reconquistar o eleitorado peronista sem depender exclusivamente do legado kirchnerista.
Para se posicionar como alternativa viável a Milei, Kicillof tem enfatizado a necessidade de retomar o controle estatal sobre setores estratégicos, aumentar investimentos em infraestrutura e promover programas sociais que aliviem a pressão sobre as camadas mais vulneráveis da população.
Desempenho de Javier Milei
O governo de Javier Milei, eleito em 2023, tem sido marcado por reformas estruturais que visam reduzir o tamanho do Estado. Entre as principais medidas, estão a reforma tributária, a diminuição de subsídios e a tentativa de privatizar empresas estatais. Apesar de alguns elogios internacionais por sua coragem reformista, a realidade doméstica ainda apresenta sinais de resistência.
Um ponto crítico tem sido a gestão da inflação. Embora a taxa tenha desacelerado em relação aos anos anteriores, ainda se mantém em patamares que afetam o poder de compra da população. Além disso, a falta de um plano claro para a geração de empregos tem gerado críticas de sindicatos e movimentos sociais.
Na esfera internacional, a postura de Milei tem atraído olhares cautelosos. Investidores estrangeiros observam a agenda liberal com interesse, mas permanecem receosos diante da instabilidade política e da possibilidade de reversões abruptas nas políticas econômicas.
Desafios da eleição de 2025
A corrida presidencial de 2025 promete ser uma das mais polarizadas da história recente da Argentina. O duelo entre Milei e Kicillof representa, ao mesmo tempo, um embate ideológico (liberalismo x intervencionismo) e um teste de resistência institucional, já que o país tem um histórico de governos que se anulam mutuamente.
Entre os principais fatores que podem influenciar o resultado final, destacam‑se:
- Desempenho econômico nos próximos meses, especialmente a evolução da inflação e do desemprego.
- Capacidade de mobilização dos partidos peronistas e kirchneristas, que ainda enfrentam divisões internas.
- Reação da comunidade internacional, que pode oferecer ou retirar apoio financeiro conforme o cenário político se desenvolva.
- Impacto de possíveis escândalos ou revelações sobre a gestão de ambos os candidatos.
Além disso, a estratégia de comunicação será decisiva. Enquanto Milei costuma usar discursos provocativos e frases de efeito, Kicillof aposta em uma retórica mais técnica, baseada em dados econômicos e propostas de políticas públicas.
O eleitorado ainda está em formação, e pesquisas de opinião podem mudar significativamente até o dia da votação. Contudo, o cenário atual indica que a disputa será acirrada, com ambos os candidatos apresentando argumentos sólidos para seus respectivos eleitores.
Em suma, a Argentina se encontra em um momento crítico, onde a escolha entre um governo liberal de mercado ou um retorno ao intervencionismo estatal pode definir o rumo econômico e social do país nos próximos anos. O desfecho da eleição de outubro de 2025 será, sem dúvida, um marco histórico para a democracia argentina.








