Na segunda‑feira, 7 de setembro de 2025, Flávio Bolsonaro realizou um ato de campanha na Avenida Paulista, em São Paulo, que chegou a reunir cerca de 28,5 mil pessoas no seu pico de participação, segundo a metodologia desenvolvida pelo Monitor do Debate Político da USP/Cebrap em parceria com a More in Common.
Metodologia de contagem e margem de erro
O monitor utilizou fotos aéreas tiradas em três momentos diferentes – 15h15, 15h44 e 16h32 – e aplicou um software de inteligência artificial para identificar e contar os indivíduos presentes. Foram selecionadas 12 imagens capturadas exatamente às 16h32, horário de pico, garantindo que toda a extensão do evento fosse coberta sem sobreposições.
Com uma margem de erro de 12%, a estimativa indica que o público variou entre 25,1 mil e 32 mil pessoas naquele instante. Essa mesma técnica vem sendo empregada desde agosto de 2022 para mensurar a participação em diversos eventos políticos no país.
Para contextualizar, o mesmo monitor registrou 42,2 mil participantes na Paulista e 42,7 mil em Copacabana, Rio de Janeiro, no ato de 7 de setembro de 2025. Em 2024, o número foi de 45,4 mil na Paulista, enquanto em 2022 foram 32,7 mil em São Paulo e 64,6 mil no Rio. Não houve registro de protesto oficial em 2023.
O clima do ato e as mensagens dos apoiadores
Por volta das 13h30, grupos carregando bandeiras do Brasil e vestindo camisetas amarelas começaram a se concentrar na avenida. Muitos chegaram com faixas que criticavam o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente o ministro Alexandre de Moraes, reforçando o slogan “Fora Lula, Fora Moraes”.
Durante o discurso, Flávio Bolsonaro denunciou o ato de 8 de janeiro como uma “farsa” e acusou Moraes de ser uma “laranja podre”. Ele também fez referência ao ataque sofrido por seu pai, o ex‑presidente Jair Bolsonaro, em 2018, comparando-o a uma segunda facada política.
As imagens do evento mostraram um grande número de apoiadores segurando cartazes, bandeiras e troféus simbólicos, criando um ambiente visualmente impactante que reforçava a mensagem de protesto contra o atual governo e o Judiciário.
Propostas e discurso de Flávio Bolsonaro
No cerne do discurso, o candidato apresentou um conjunto de propostas voltadas para segurança pública e saúde. Ele prometeu declarar guerra aos narcoterroristas a partir de janeiro do próximo ano, classificando o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Além disso, Flávio Bolsonaro propôs mudanças legislativas e operacionais que, segundo ele, trariam mais rigor e eficiência ao combate ao crime:
- Declaração de guerra aos narcoterroristas;
- Classificação do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas;
- Redução da maioridade penal;
- Corte de impostos;
- Castração química de agressores de mulheres;
- Prisão mínima de oito anos para ladrões de celular.
Na área da saúde, o candidato afirmou que pretende transformar o SUS em um modelo comparável ao padrão Einstein, com investimentos em infraestrutura, tecnologia e gestão de recursos. Ele destacou que a meta é garantir um sistema de saúde que não dependa de políticos para suprir necessidades básicas da população.
Flávio Bolsonaro também enfatizou que sua candidatura tem caráter de protesto, buscando demonstrar que o Brasil ainda tem futuro e que ele está disposto a “cuidar do Brasil” com base em valores conservadores e religiosos.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também esteve presente no evento, reforçando a aliança entre as lideranças do PL no estado. A presença de Tarcísio foi vista como um sinal de apoio institucional ao candidato presidencial.
O ato foi amplamente coberto pela imprensa, que destacou tanto a alta participação quanto a retórica agressiva contra o STF e o governo federal. Analistas políticos apontam que a demonstração de força nas ruas pode influenciar a percepção pública nas próximas semanas de campanha.
Em resumo, o evento da Avenida Paulista não apenas reuniu um grande número de eleitores, mas também serviu como plataforma para divulgar propostas de segurança e saúde, ao mesmo tempo em que reforçou um discurso de oposição ao Judiciário. A metodologia de contagem da USP fornece um parâmetro confiável para avaliar a real dimensão de apoio ao candidato nas ruas.








