A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026, a aprovação de dois novos registros de medicamentos genéricos à base de liraglutida. Os produtos, desenvolvidos pela empresa brasileira EMS, são versões genéricas de canetas injetáveis utilizadas no controle da obesidade e do diabetes tipo 2. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União, ampliando as opções terapêuticas disponíveis no país.
Entendendo os genéricos aprovados
Os dois registros correspondem a versões genéricas de medicamentos já existentes no mercado: um vinculado ao Olire, indicado para obesidade, e outro ao Lirux, destinado ao tratamento do diabetes tipo 2. Como genéricos, os novos produtos serão comercializados exclusivamente pelo nome do princípio ativo – liraglutida – sem marcas comerciais próprias.
Ambos os genéricos apresentam concentração de 6 mg/mL em solução injetável para aplicação subcutânea. A Anvisa classificou esses lançamentos como “genéricos clone”, um procedimento que permite que o registro seja atrelado a um medicamento matriz já aprovado, simplificando a avaliação regulatória.
Características da liraglutida e diferenciais de uso
A liraglutida integra a classe dos agonistas do receptor de GLP‑1, que inclui também a semaglutida (presente em Ozempic e Wegovy) e a tirzepatida. Uma das principais particularidades da liraglutida em relação a esses concorrentes é a frequência de aplicação: enquanto a semaglutida e a tirzepatida são administradas semanalmente, a liraglutida requer aplicação diária, o que pode influenciar a adesão ao tratamento.
- Frequência de uso: diário, ao contrário das injeções semanais de semaglutida e tirzepatida.
- Indicação: controle de peso (obesidade) e controle glicêmico (diabetes tipo 2).
- Via de administração: subcutânea.
Essas diferenças são relevantes para pacientes e profissionais de saúde na escolha do regime terapêutico mais adequado, considerando fatores como rotina, preferências pessoais e perfil de efeitos colaterais.
Impacto econômico e regras de precificação
Os genéricos no Brasil devem ser comercializados com preço, no mínimo, 35% inferior ao do medicamento de referência. Essa regra, estabelecida pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), fixa um teto de 65% do preço de referência para os genéricos. Em 2025, a EMS já havia anunciado preços sugeridos de R$ 307,26 por caneta para os produtos de referência Olire e Lirux.
Até o momento, a empresa não divulgou os valores exatos que os genéricos de liraglutida terão ao chegar às farmácias. Contudo, a expectativa é que o preço seja competitivo, contribuindo para a ampliação do acesso a tratamentos de alta complexidade.
- Preço máximo permitido para genéricos: 65% do preço do medicamento de referência.
- Desconto mínimo exigido: 35% em relação ao preço de referência.
- Preço sugerido para os produtos de referência (2025): R$ 307,26 por caneta.
Procedimento de registro “clone” e sua relevância
O registro “clone” permite que a farmacêutica utilize a documentação já aprovada de um medicamento matriz – neste caso, Olire e Lirux – para obter a aprovação de um genérico. Essa abordagem simplifica o processo regulatório, pois não exige a apresentação de um dossiê completo do zero.
Como resultado, os genéricos compartilham com os medicamentos de referência características essenciais, como composição, fabricante, linha de produção e dados técnicos e clínicos. Essa semelhança garante que a eficácia e a segurança dos genéricos sejam equivalentes às dos produtos originais.
A aprovação desses genéricos reforça a competitividade no segmento de agonistas de GLP‑1, que tem experimentado crescente demanda tanto para controle de peso quanto para manejo da glicemia em pacientes diabéticos.
Perspectivas para o mercado brasileiro
Com a inclusão de genéricos de liraglutida, espera‑se que o número de opções terapêuticas disponíveis nas farmácias aumente, favorecendo a redução de custos para o Sistema Único de Saúde (SUS) e para os usuários privados. A concorrência pode estimular também a inovação de novos produtos e a negociação de preços mais acessíveis.
Especialistas apontam que a maior oferta de canetas diárias pode melhorar a adesão ao tratamento, principalmente entre pacientes que preferem doses mais frequentes e que já estão habituados a rotinas diárias de cuidados com a saúde.
Enquanto a EMS ainda não definiu a data de lançamento dos genéricos, a expectativa é que eles cheguem ao mercado nos próximos meses, acompanhando a tendência de expansão dos agonistas de GLP‑1 no Brasil.








