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Médico residente do HC Ribeirão Preto é afastado após expor prontuário e fazer piada sobre paciente com sobrepeso

Um médico residente do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) foi afastado temporariamente após publicar, nas redes sociais, a imagem de um prontuário contendo dados sensíveis de um paciente com sobrepeso e acrescentar comentários considerados ofensivos. O episódio ganhou destaque na internet em 21 de setembro de 2026, quando a postagem alcançou mais de 100 mil visualizações antes de ser removida.

Contexto da denúncia

Guilherme Lourenço Monteiro, 26 anos, ingressou no programa de residência em anestesiologia do HC Ribeirão Preto no início de 2026, após ser aprovado em sétima posição entre 231 candidatos. Formado há um ano pela Universidade Federal do Tocantins, ele já possuía experiência em projetos de pesquisa e monitoria acadêmica.

Na data de 21 de setembro, o residente compartilhou em sua conta pessoal de rede social uma captura de tela do prontuário de um paciente atendido no hospital. Na legenda, ele escreveu em tom de “desabafo” que a imagem servia como “amostra para vocês entenderem com o que lidamos aqui”, ao mesmo tempo em que ridicularizava indicadores como peso, altura, IMC e condição respiratória.

A publicação rapidamente se espalhou, atingindo entre 100 mil e 130 mil visualizações. Usuários e profissionais de saúde denunciaram a violação de privacidade e o teor preconceituoso da mensagem, gerando grande repercussão nas mídias digitais.

Repercussão e medidas adotadas

Em resposta ao caso, a chefia do programa de residência em anestesiologia e a Comissão de Residência Médica (Coreme) decidiram afastar Guilherme de suas funções no hospital. Simultaneamente, o Hospital das Clínicas iniciou um procedimento interno de apuração ética, enquanto o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) instaurou uma sindicância para investigar possíveis infrações ao código de ética médica.

O advogado do médico, Thaffer Nasser, informou que está analisando as circunstâncias do afastamento e que o residente tem colaborado com as investigações, fornecendo esclarecimentos necessários. A defesa ressalta que o caso está sendo tratado com cautela e responsabilidade, aguardando o desfecho das apurações.

Além das medidas institucionais, a situação gerou debates amplos sobre o uso das redes sociais por profissionais de saúde, a importância da proteção de dados de pacientes e a necessidade de combater preconceitos relacionados ao peso corporal no ambiente clínico.

Perfil profissional e trajetória do residente

Antes de ingressar na residência, Guilherme Lourenço Monteiro desenvolveu uma sólida formação acadêmica. Seu percurso inclui:

  • Conclusão do ensino médio em um colégio estadual da Polícia Militar de Goiás, na cidade de Porangatu (GO).
  • Aprovação no vestibular de 2019 e ingresso no curso de medicina da Universidade Federal do Tocantins (UFT), campus de Palmas (TO).
  • Participação como monitor e bolsista de iniciação científica, com pesquisas sobre doação de corpos e órgãos e sobre a morfofisiologia da Covid‑19.
  • Integração à Liga Universitária de Oncologia da UFT e coautoria de artigos científicos sobre mortalidade por câncer de próstata, apresentados em congressos e publicados em revistas especializadas.

Na reta final da graduação, ele se destacou no processo seletivo da residência médica do HC Ribeirão Preto, obtendo nota 7,2 na prova teórica, 8,5 na avaliação prática e média final de 7,85, o que garantiu sua vaga para iniciar as atividades em março de 2026.

Entretanto, a conduta nas redes sociais trouxe à tona questões éticas que colocaram sua carreira em risco. O caso evidencia a necessidade de orientação contínua sobre confidencialidade e respeito ao paciente, sobretudo em ambientes digitais onde a informação pode se espalhar rapidamente.

Especialistas em bioética apontam que a exposição de prontuários sem consentimento viola a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o Código de Ética Médica, que preconiza o sigilo profissional como princípio fundamental. A situação também ressalta o impacto negativo de comentários discriminatórios, que podem reforçar estigmas e prejudicar a relação de confiança entre médico e paciente.

Enquanto as investigações prosseguem, o HC Ribeirão Preto reforçou seu compromisso com a ética médica, anunciando a realização de treinamentos obrigatórios sobre privacidade de dados e conduta nas redes sociais para todos os residentes e profissionais da instituição.

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