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25 anos depois de 11 de setembro: o aumento alarmante de casos de câncer entre sobreviventes e socorristas

Vinte e cinco anos após os ataques terroristas ao World Trade Center, o número de pessoas que recebem certificação de câncer ligado ao desastre ultrapassa a marca de 57 mil, segundo o boletim de agosto de 2026. O crescimento se concentra principalmente em civis que viviam, estudavam ou trabalhavam nas proximidades das torres, além de bombeiros, policiais e voluntários que participaram do resgate. Esses dados revelam que a tragédia de 11 de setembro continua a gerar consequências de saúde graves em 2026.

Crescimento dos casos certificados

O World Trade Center Health Program registrou, até 30 de junho de 2026, 57.044 certificações de câncer, número 19 vezes maior que o total de vítimas fatais no dia do atentado. Em junho de 2025 o total era de 48,5 mil, mostrando um aumento de quase 9 mil casos em apenas um ano.

A divisão entre grupos mostra 28.913 certificações entre sobreviventes civis e 28.131 entre quem atuou no resgate e na limpeza. Pela primeira vez, os moradores, estudantes e trabalhadores da região ultrapassam os socorristas como principal fonte de novas inscrições.

No primeiro trimestre de 2026, 2.096 novos inscritos foram registrados; no segundo trimestre, 2.180. Esse fluxo constante de novos pedidos alimenta a escalada dos números e evidencia que a exposição ainda está gerando efeitos tardios.

Por que o câncer aparece agora?

Os tumores associados à nuvem tóxica do colapso das torres têm períodos de latência longos, que podem ultrapassar duas décadas antes de se manifestarem clinicamente. Muitos dos novos casos correspondem a indivíduos que agora atingiram a idade em que o risco de desenvolver câncer naturalmente aumenta, combinando a vulnerabilidade biológica com a exposição pré‑existente.

O oncologista Stephen Stefani explica que a poeira continha uma mistura única de materiais – cimento pulverizado, asbestos, partículas de combustível e centenas de compostos químicos – que desencadeia inflamação crônica e ativa genes ligados à multiplicação celular descontrolada.

Experimentos com camundongos expostos ao pó do WTC reforçaram essa hipótese: os animais desenvolveram inflamação mais intensa e expressão aumentada de oncogenes, favorecendo o surgimento de tumores, sobretudo em indivíduos com mutações genéticas pré‑existentes.

  • Cimento pulverizado
  • Asbestos (amianto)
  • Partículas de combustível de aviação
  • Metais pesados (chumbo, mercúrio)
  • Compostos orgânicos voláteis

Esses componentes criaram uma nuvem de partículas finas que se espalhou por toda a zona do Ground Zero, atingindo não só os trabalhadores de resgate, mas também moradores, estudantes e comerciantes que viviam nas imediações.

O papel do World Trade Center Health Program

O programa federal de saúde, administrado pelo Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional (NIOSH) e vinculado ao CDC, foi criado para monitorar e tratar as vítimas do atentado. Ele oferece avaliações médicas, certificação de doenças relacionadas ao 11 de setembro e tratamento gratuito para quem comprova a ligação entre a exposição e a enfermidade.

Certificação não equivale a diagnóstico; significa que um médico do programa concluiu que a exposição ao desastre foi um fator provável ou agravante da doença. Essa avaliação garante o acesso a terapias, medicamentos e acompanhamento especializado sem custos para o paciente.

Entre as doenças mais frequentes certificadas, os tumores de pele ocupam a primeira posição, seguidos por câncer de pulmão, tireoide, próstata e leucemia. No último ano, 10.393 das 14.711 condições certificadas foram cânceres, superando em muito a segunda condição mais comum – refluxo gastroesofágico, com 1.553 casos.

Estudos comparativos reforçam a gravidade da situação. Uma meta‑análise de 2022 publicada no Journal of the National Cancer Institute, envolvendo mais de 69 mil socorristas e voluntários, encontrou 19% mais casos de câncer de próstata e 81% mais casos de câncer de tireoide entre os expostos. O mesmo estudo apontou aumento significativo de melanomas e leucemias.

Outro levantamento, publicado no JNCI Cancer Spectrum em 2020, comparou profissionais de resgate com moradores da mesma região que não tiveram contato direto com a poeira. A pesquisa revelou que a probabilidade de desenvolver leucemia era 41% maior entre quem trabalhou no Ground Zero.

O programa também mantém um registro separado para cânceres raros, como sarcoma de tecidos moles, mesotelioma e tumores neuroendócrinos, que embora menos frequentes, exigem tratamentos altamente especializados.

Além do suporte médico, o World Trade Center Health Program oferece apoio psicológico, assistência social e orientação para familiares das vítimas. Essa abordagem integral busca minimizar o impacto de longo prazo na qualidade de vida das comunidades afetadas.

Com o avançar da idade dos expostos e a continuação dos processos de latência, os especialistas preveem que o número de certificações continuará a subir nos próximos anos. A vigilância epidemiológica permanente e o financiamento estável do programa são essenciais para garantir que todos os afetados recebam o tratamento adequado.

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