Em Brasília, na manhã da última quarta‑feira (9), o ex‑governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), entregou uma carta dirigida a lideranças cristãs. No documento, ele afirma que o uso medicinal do canabidiol não pode servir de justificativa para a liberação irresponsável de drogas no país.
Contexto e motivação da carta
A apresentação ocorreu em um evento que reuniu representantes de organizações filantrópicas, educacionais e jurídicas evangélicas. Entre os presentes estavam membros do Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas (Fonif), da Associação Brasileira das Instituições Evangélicas de Ensino (ABIEE), da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure) e da Aliança Evangélica Brasileira.
Pastores de diferentes denominações – independentes, batistas, presbiterianas e pentecostais – também participaram, reforçando a abrangência ecumênica do encontro. Zema aproveitou o momento para denunciar o que chamou de “crise moral e de valores” que, segundo ele, assola o Brasil.
Principais compromissos da chapa Zema‑Girão
O documento contém doze compromissos que a chapa pretende cumprir caso vença as urnas. Os pontos foram organizados em blocos temáticos e incluem, entre outros, a defesa da vida, a política de drogas, a liberdade religiosa e a proteção das liberdades civis.
- Defesa da vida: a chapa se compromete a proteger a vida desde a concepção até a morte natural, rejeitando qualquer ampliação das hipóteses de aborto legal.
- Política de drogas: oposição à flexibilização do porte, consumo e cultivo da maconha para fins recreativos; o uso medicinal de canabidiol deve permanecer restrito a indicações médicas comprovadas.
- Educação: apoio ao ensino domiciliar (homeschooling) e às escolas cívico‑militares como alternativas ao modelo tradicional.
- Liberdade de crença: garantia de autonomia das igrejas e dos fiéis, sem intercâmbio de favores ou coação religiosa.
- Combate à intolerância religiosa: medidas para prevenir atos de discriminação contra grupos religiosos.
- Regulação de apostas: bloqueio de sites ilegais, restrição de publicidade e combate à lavagem de dinheiro associada a jogos de azar.
- Proteção das liberdades civis: postura firme contra decisões que considerem arbitrárias por parte da Suprema Corte ou de outras instâncias judiciais.
Os compromissos ainda incluem ações para prevenir o superendividamento e para garantir atenção especial à liberdade de imprensa, expressão, pensamento, associação e atividade partidária.
Posicionamento sobre a política de drogas
Zema enfatizou que a decisão sobre mudanças na legislação de drogas deve ser prerrogativa do Congresso Nacional, e não do Poder Judiciário. Segundo ele, a flexibilização para fins recreativos poderia abrir precedentes perigosos, especialmente se o uso medicinal for usado como pretexto para ampliar a disponibilidade de substâncias psicoativas.
Ele destacou que, embora o canabidiol tenha reconhecido valor terapêutico, seu uso deve permanecer estritamente regulado, evitando que pacientes e profissionais de saúde se tornem porta‑vozes de uma agenda de descriminalização mais ampla.
O candidato ainda alertou para a necessidade de políticas de prevenção ao consumo e de tratamento eficaz para dependentes, ressaltando que a estratégia deve ser baseada em evidências científicas e não em ideologias.
Defesa do ensino domiciliar e das escolas cívico‑militares
No campo da educação, a carta propõe a ampliação do homeschooling como direito dos pais que desejam assumir a responsabilidade direta pela formação dos filhos. Zema argumenta que o modelo pode ser supervisionado por órgãos reguladores para garantir qualidade e cumprimento do currículo básico.
Além disso, a proposta inclui o fortalecimento das escolas cívico‑militares, que combinam disciplina, formação cívica e excelência acadêmica. Segundo o candidato, essas instituições seriam uma resposta às demandas de pais que buscam ambientes mais seguros e estruturados para seus filhos.
Ele reforçou que a política educacional deve ser pautada pela liberdade de escolha, sem imposição de um modelo único para todas as famílias brasileiras.
Liberdade religiosa e combate à intolerância
A carta destaca o compromisso da chapa em proteger a liberdade de crença e culto, garantindo que o Estado seja neutro e que nenhuma religião seja favorecida ou discriminada. Zema prometeu que, durante a campanha e, se eleito, seu governo respeitará a autonomia das igrejas e dos fiéis, evitando qualquer troca de favores entre poder público e lideranças religiosas.
Para enfrentar a intolerância, a proposta inclui campanhas de conscientização, apoio a projetos inter-religiosos e a criação de mecanismos de denúncia e punição para atos de discriminação.
Essa postura visa consolidar um ambiente de respeito mútuo entre diferentes tradições religiosas, reforçando a laicidade do Estado.
Conclusão e próximos passos
Ao encerrar a apresentação, Zema convidou os participantes a disseminarem a carta entre suas comunidades, enfatizando que a adesão aos compromissos pode influenciar a agenda política nacional. Ele ressaltou que a campanha será conduzida em todo o país, com foco em valores cristãos, na defesa da vida e na preservação das liberdades individuais.
O documento ainda prevê a criação de um canal de comunicação direto com os eleitores, permitindo que dúvidas e sugestões sejam encaminhadas ao time de campanha. Caso a chapa vença as eleições, os compromissos serão transformados em projetos de lei e medidas executivas, sempre em consonância com a Constituição e com a vontade popular.








