Sorriso, no estado de Mato Grosso, deixou de ser o município com maior valor de produção agrícola do Brasil ao encerrar 2025 na terceira posição. O levantamento, divulgado em 17 de julho de 2025 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que São Desidério (BA) e Sapezal (MT) assumiram os dois primeiros lugares.
Mudança no ranking nacional
A Pesquisa Agrícola Municipal (PAM) de 2025 revelou que a classificação dos municípios se baseia no valor total gerado pelas principais lavouras, calculado ao multiplicar a quantidade colhida pelo preço médio pago aos produtores. Esse método permite comparar o desempenho econômico do campo em todo o país.
Em Sapezal, o destaque ficou por conta do algodão, responsável por quase 60% do valor total da produção municipal. Já em Sorriso, a soja manteve seu papel de principal motor, enquanto São Desidério contou com a combinação de algodão e soja para subir ao topo.
- São Desidério (BA) – 1º lugar
- Sapezal (MT) – 2º lugar
- Sorriso (MT) – 3º lugar
O total acumulado dos dez municípios mais ricos chegou a R$ 65,92 bilhões, demonstrando a robustez do agronegócio brasileiro mesmo diante de reconfigurações territoriais.
Impactos da criação de Boa Esperança do Norte
Uma das principais razões para a queda de Sorriso no ranking foi a criação de Boa Esperança do Norte, que passou a ser contabilizado como município independente a partir de 2025. Essa nova unidade absorveu 20% do território anteriormente pertencente a Sorriso e 80% que eram de Nova Ubiratã.
Com a redefinição das fronteiras, a área plantada total de Sorriso recuou 9,3% no ano. A soja perdeu 8,3% de sua extensão, o milho 10% e o algodão quase 20% (19,7%).
Entretanto, a produção não sofreu um declínio proporcional. O valor gerado pela soja aumentou 21,6%, alcançando R$ 4,05 bilhões, e Sorriso manteve a liderança nacional no valor da produção de milho.
No algodão, a queda foi mais acentuada, com redução de 1,6% no valor e 12,8% na quantidade colhida, refletindo a diminuição da área cultivada.
Perfil de Sapezal e seu crescimento acelerado
Sapezal, localizado no oeste de Mato Grosso, fica a aproximadamente 520 km de Cuiabá e conta com pouco mais de 32 mil habitantes. A economia local está intimamente ligada ao agronegócio, especialmente às culturas de soja, milho e algodão.
A ocupação da região intensificou-se nas décadas de 1970 e 1980, quando a fronteira agrícola do estado avançou para o interior. Muitos dos primeiros produtores migraram da Região Sul do Brasil, trazendo técnicas e investimentos que impulsionaram o desenvolvimento.
O núcleo urbano de Sapezal consolidou-se no final dos anos 1980, impulsionado pela abertura da rodovia MT‑235 e por um projeto de colonização liderado pelo empresário André Antônio Maggi, da família que fundou o Grupo Maggi. O município foi oficialmente criado em 1994, ao se emancipar de Campo Novo do Parecis, e Maggi tornou‑se seu primeiro prefeito em 1996.
Desde então, Sapezal tem se destacado como um dos principais polos agrícolas do país. Em 2025, o algodão herbáceo foi a cultura que mais gerou valor, totalizando R$ 5,12 bilhões, um aumento de 42,8% em relação ao ano anterior, com produção de cerca de 1,2 milhão de toneladas.
A soja seguiu em segundo lugar, contribuindo com R$ 2,80 bilhões e apresentando crescimento de 51,4%. O milho completou o trio de destaque, gerando R$ 656,9 milhões e registrando alta de 58,1%.
Esses números refletem a combinação de grandes áreas cultivadas, tecnologia avançada e acesso a mercados internacionais, fatores que consolidam Sapezal como referência no agronegócio nacional.
Conclusões e perspectivas para o futuro
Embora Sorriso tenha perdido a primeira posição no ranking, a cidade continua sendo uma potência agrícola, com desempenho sólido nas principais culturas. A mudança de posição decorre mais da reorganização territorial do que de uma queda real na produção.
A criação de Boa Esperança do Norte demonstra como ajustes administrativos podem impactar indicadores econômicos, sem necessariamente alterar a realidade produtiva dos municípios envolvidos.
Para os produtores de Sorriso, a estratégia passa a focar na otimização das áreas remanescentes, no aumento da produtividade e na diversificação de culturas, visando recuperar ou até superar a liderança nos próximos anos.
Enquanto isso, São Desidério e Sapezal têm a oportunidade de consolidar suas novas posições, atraindo investimentos, ampliando a infraestrutura logística e fortalecendo a cadeia de valor do agronegócio brasileiro.








