Uma revisão recente publicada na revista Nutrition Journal analisou a relação entre a vitamina B12 e a saúde cardiovascular, trazendo novos dados sobre um tema ainda controverso. O estudo foi divulgado em 2024 e reúne evidências de diferentes tipos de pesquisa, incluindo observacionais e ensaios clínicos randomizados. Os autores investigaram se a suplementação de B12 pode realmente proteger o coração ou se os benefícios observados são apenas associações estatísticas.
Contexto das doenças cardiovasculares
As doenças do coração continuam sendo a principal causa de mortalidade no mundo, e fatores como tabagismo, obesidade, diabetes e hipertensão são amplamente reconhecidos como riscos. Além desses, pesquisas recentes apontam que a deficiência de micronutrientes – como folato, vitaminas B6 e B12 – pode exercer influência significativa sobre a integridade dos vasos sanguíneos.
Essas vitaminas atuam como cofatores em processos metabólicos essenciais, entre eles a regulação da homocisteína, um aminoácido cuja elevação está associada a danos endoteliais e formação de placas ateroscleróticas.
- Tabagismo
- Obesidade
- Diabetes
- Hipertensão
- Deficiência de vitaminas B
Como a vitamina B12 interage com a homocisteína
A vitamina B12 é fundamental para a conversão da homocisteína em metionina, processo que impede o acúmulo desse aminoácido no sangue. Quando os níveis de B12 são insuficientes, a homocisteína tende a subir, gerando estresse oxidativo e inflamação nas paredes vasculares.
Embora a redução da homocisteína pareça ser um passo lógico para prevenir eventos cardíacos, a evidência de que isso se traduza em menor incidência de infartos ou AVC ainda não é conclusiva.
Evidências de estudos observacionais e ensaios clínicos
Os estudos observacionais analisados pela revisão mostraram uma associação consistente entre baixos níveis de vitamina B12 e maior risco de aterosclerose, AVC, insuficiência cardíaca e arritmias. Contudo, esses estudos apenas correlacionam fatores, sem estabelecer causa‑efeito.
Por outro lado, ensaios clínicos randomizados – o padrão‑ouro da pesquisa – confirmaram que a suplementação com B12 reduz a concentração de homocisteína, mas, na maioria das vezes, não diminuiu significativamente a ocorrência de eventos cardiovasculares.
Um exemplo marcante foi um ensaio com 3.749 pacientes pós‑infarto, no qual a combinação de ácido fólico, B12 e B6 diminuiu a homocisteína em 27 % sem impactar as taxas de novos infartos ou mortes.
Em contraste, um grande estudo prospectivo envolvendo mais de 43 mil homens encontrou que ingestões elevadas de folato e B12 estavam associadas a reduções de 29 % e 27 % no risco de AVC isquêmico, respectivamente.
Implicações práticas e recomendações
Os autores da revisão concluem que, embora haja uma associação estatística entre níveis adequados de vitamina B12 e menor risco de algumas doenças cardiovasculares, não há suporte suficiente para recomendar a suplementação universal como estratégia preventiva.
Entretanto, subgrupos específicos podem se beneficiar. Pacientes que já sofreram um AVC mostraram redução de cerca de 13 % na recorrência ao receber terapia combinada de B12, folato e B6, sem alterações relevantes no risco de infarto.
Esses achados sugerem que a redução da homocisteína tem efeito mais pronunciado sobre a saúde cerebral do que sobre o músculo cardíaco, possivelmente devido à maior sensibilidade dos vasos cerebrais a variações desse aminoácido.
Portanto, a orientação prática para profissionais de saúde é avaliar individualmente o estado nutricional do paciente, considerar a suplementação de B12 em casos de deficiência comprovada ou em situações clínicas específicas, mas evitar a prescrição indiscriminada para a população em geral.
Em resumo, a vitamina B12 permanece como um nutriente importante para a manutenção da saúde vascular, mas sua eficácia como pílula preventiva contra doenças do coração ainda depende de mais pesquisas robustas.








