A cantora Selena Gomez revelou neste domingo, 18 de outubro de 2026, que o uso intenso de cigarro eletrônico com nicotina alterou drasticamente sua voz, deixando-a mais grave e rouca. O alerta foi publicado em suas redes sociais, onde a artista admitiu que não conseguirá recuperar o timbre original enquanto continuar a vapear. A declaração gerou amplo debate sobre os efeitos do vape na saúde vocal.
Efeitos imediatos do vape nas cordas vocais
Os dispositivos de vaporização aquecem um líquido que contém nicotina, solventes e aromatizantes, produzindo um aerossol inalado pelos usuários. Quando esse aerossol entra em contato com a mucosa da laringe, a temperatura elevada e as substâncias químicas provocam irritação direta das pregas vocais.
Essa irritação pode causar ressecamento, edema e inflamação, resultando em rouquidão, fadiga vocal e dificuldade de projeção. Em casos mais graves, o acúmulo de líquido gelatinoso nas pregas vocais, conhecido como edema de Reinke, altera permanentemente o timbre da voz.
Além da nicotina, os vapes costumam conter outros componentes que aumentam o risco de lesões:
- Solventes como propilenoglicol e glicerina vegetal, que podem gerar subprodutos tóxicos ao serem aquecidos.
- Aromatizantes químicos que, embora agradáveis ao olfato, podem ser irritantes para a mucosa respiratória.
- Metais pesados provenientes da bobina de aquecimento, como níquel, chumbo e cádmio.
- Sal de nicotina, forma mais concentrada que favorece absorção rápida e intensifica os efeitos adversos.
Esses agentes combinados criam um ambiente propício ao desenvolvimento de inflamações crônicas, que podem se tornar permanentes se o hábito de vapear não for interrompido.
Estudos científicos apontam riscos à saúde vocal e sistêmica
Uma pesquisa da Universidade Federal de Sergipe analisou a frequência de buscas no Google Trends entre 2014 e 2024 para os termos “vape” e “rouquidão”. Os resultados mostraram que o pico de interesse por “vape” chegou a 100 pontos, enquanto “rouquidão” atingiu 22 pontos, indicando correlação entre o aumento do consumo de vape e queixas de alterações vocais.
Os pesquisadores observaram que, sempre que a procura por “vape” aumentava, a de “rouquidão” também subia, sugerindo um padrão de causa e efeito que merece atenção das autoridades de saúde.
Os achados foram publicados na revista “Audiology – Communication Research”, motivados por relatos clínicos de otorrinolaringologistas que recebiam um número crescente de pacientes com voz rouca, fadiga vocal e edema de Reinke após uso de cigarros eletrônicos.
Outro estudo, realizado no Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (ICT‑Unesp), revelou que o vape altera a composição da saliva, aumentando a acidez e reduzindo a capacidade de neutralização de bactérias. Esse desequilíbrio eleva o risco de cáries, lesões da mucosa oral e doença periodontal.
Além dos efeitos locais na laringe, o vape está associado a doenças pulmonares agudas, como bronquite e pneumonia, e a condições crônicas como asma, DPOC e enfisema. Os aerossóis também podem causar alterações nos vasos sanguíneos, elevando o risco de eventos cardiovasculares.
Os componentes químicos presentes nos líquidos de vape incluem substâncias reconhecidamente cancerígenas, como formaldeído e acroleína, que se formam durante o processo de aquecimento. Por isso, a ideia de que o vape seria menos nocivo que o cigarro tradicional tem sido refutada por múltiplos estudos.
Como prevenir danos e buscar ajuda profissional
Especialistas recomendam que quem já percebe alterações na voz procure um otorrinolaringologista para avaliação detalhada das pregas vocais. O diagnóstico precoce pode impedir a progressão de edema de Reinke e evitar danos permanentes.
Para quem ainda utiliza cigarros eletrônicos, a primeira medida é reduzir a frequência e a concentração de nicotina, preferindo opções sem nicotina ou com doses menores. A substituição gradual por terapias de reposição de nicotina ou apoio psicológico pode facilitar o abandono do hábito.
É fundamental hidratar a laringe bebendo água regularmente, evitar ambientes secos e limitar o consumo de álcool e cafeína, que podem agravar o ressecamento das cordas vocais.
Profissionais de saúde recomendam ainda exercícios de aquecimento vocal e técnicas de respiração diafragmática para reduzir a fadiga vocal e melhorar a projeção da fala.
Selena Gomez concluiu seu alerta incentivando os seguidores a refletirem sobre os riscos do vape: “É muito difícil largar a nicotina, mas não vale a pena. O dano à voz é apenas um dos muitos problemas que podem surgir.”
Ao divulgar sua experiência, a cantora contribuiu para que mais pessoas reconheçam os sinais de alerta e busquem orientação médica antes que os sintomas se tornem irreversíveis.








