Em entrevista concedida na manhã de quarta‑feira (28), o ex‑presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evitou se posicionar sobre a afirmação de Flávio Bolsonaro de que seria o “verdadeiro presidente” do Brasil. A declaração do senador foi feita após a divulgação de uma carta em redes sociais, e gerou ampla repercussão tanto no Brasil quanto no exterior. Trump respondeu que não iria se envolver no assunto, mantendo uma postura cautelosa diante da controvérsia.
Contexto da declaração de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e filho do ex‑presidente Jair Bolsonaro, publicou uma carta em formato de imagens nas redes sociais, alegando ser o “verdadeiro presidente” do país. O documento, sem qualquer evidência comprobatória, agradecia a líderes internacionais, incluindo o próprio Trump.
Posteriormente, o senador lançou uma versão revisada da carta, substituindo os termos “verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito” por “líder do Brasil” e “líder”. Essa mudança buscou suavizar a linguagem, mas não alterou o teor da alegação.
As acusações de fraude eleitoral feitas por Flávio Bolsonaro contrastam com o resultado oficial das eleições de 2022, que foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao declarar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.
Reação de Donald Trump
Quando questionado por um jornalista se concordava com a afirmação de Flávio, Trump respondeu que não queria se pronunciar sobre o assunto. O ex‑presidente ainda reiterou que as eleições brasileiras foram “muito estranhas”, sem apresentar provas ou dados que sustentassem a tese de fraude.
Além disso, Trump manifestou que acredita que Flávio Bolsonaro foi tratado de forma injusta no Brasil, mas deixou claro que ainda não havia conversado diretamente com o senador.
Em outro momento, ao retornar de viagem durante a madrugada, Trump afirmou que aprovaria a entrada de Flávio nos Estados Unidos, indicando que o governo americano concederia o visto ao senador e sua família.
Detalhes da viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos
A viagem de Flávio Bolsonaro ao exterior ocorreu em meio a decisões judiciais no Brasil. O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal, mas ele conseguiu sair do país por terra, cruzando a fronteira com a Argentina na noite de terça‑feira (27).
Após a travessia, Flávio embarcou em um avião privado em Puerto Iguazú, com escala no Equador, antes de chegar a Miami, nos Estados Unidos, na manhã de quarta‑feira. Acompanharam-no a esposa e as duas filhas.
- Saída do Brasil: fronteira com a Argentina, 27/09.
- Escala no Equador.
- Chegada a Miami: manhã de 28/09.
Um representante do Departamento de Estado dos EUA informou que o governo concederia vistos a Flávio e sua família, permitindo a entrada legal no país.
Implicações políticas e reações no Brasil
O Partido Liberal (PL), ao qual Flávio Bolsonaro pertence, reconheceu oficialmente o resultado das eleições, mas solicitou esclarecimentos à Justiça sobre eventuais irregularidades. A postura do partido demonstra um esforço para equilibrar a crítica ao processo eleitoral com a necessidade de respeitar a decisão do TSE.
Analistas políticos apontam que a tentativa de Flávio de se autodenominar “líder” ou “presidente” pode ser vista como uma estratégia de manutenção de relevância dentro do espectro conservador brasileiro, especialmente após a derrota de seu pai nas urnas.
Organizações de imprensa e observadores internacionais reiteraram que não há evidências de fraude nas eleições de 2022, reforçando a legitimidade do mandato de Lula. A falta de provas concretas, aliada à retórica inflamatória, tem alimentado debates acalorados nas redes sociais.
Enquanto isso, a postura de Trump de não se envolver diretamente pode ser interpretada como um cálculo diplomático para evitar atritos com o governo brasileiro, que agora tem Lula como presidente.
O episódio também reacendeu discussões sobre a influência de figuras políticas estrangeiras nas narrativas internas de outros países, sobretudo quando há histórico de apoio mútuo entre líderes populistas.
Em resumo, a recusa de Trump em apoiar a declaração de Flávio Bolsonaro, combinada com a concessão de vistos ao senador, demonstra a complexidade das relações bilaterais entre Estados Unidos e Brasil em um momento de transição política.








