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Surto de intoxicação por bebida caseira mata 48 pessoas no sul da Nigéria

Na quinta‑feira, 17 de setembro de 2026, autoridades de Ondo, estado situado no sul da Nigéria, confirmaram que 48 vítimas perderam a vida após consumirem uma bebida alcoólica produzida em casa, suspeita de conter metanol. Os incidentes foram registrados nas áreas de Odigbo e Irele, onde milhares de moradores dependem de bebidas artesanais como alternativa mais barata ao álcool industrializado.

Contexto do consumo de álcool artesanal na região

O consumo de bebidas de produção caseira é uma prática enraizada nas comunidades rurais nigerianas. Por falta de acesso a produtos regulamentados e pelos preços mais baixos, famílias e pequenos comerciantes preparam licores a partir de frutas, raízes e ervas locais. Essa tradição, embora culturalmente aceita, apresenta riscos quando a produção não segue padrões de segurança, especialmente quanto à destilação e ao controle de impurezas.

Em Ondo, a bebida conhecida como “rabo de macaco” ganhou popularidade nos últimos anos. Ela é descrita como um licor forte, de cor escura, consumido em festas, casamentos e encontros sociais. A popularidade aumentou porque o produto pode ser vendido em pequenos sacos plásticos, facilitando o transporte e a distribuição em áreas de difícil acesso.

Entretanto, a falta de fiscalização permite que alguns lotes sejam adulterados com substâncias tóxicas, como o metanol, que é extremamente perigoso para o organismo humano. O metanol pode causar cegueira, insuficiência renal e morte, mesmo em pequenas quantidades.

Desdobramento da tragédia e resposta das autoridades

Segundo Banji Ajaka, secretário de Saúde do estado de Ondo, aproximadamente 182 pessoas foram afetadas pelo consumo da bebida contaminada, das quais cerca de 100 ainda permanecem em tratamento hospitalar. As unidades de saúde de Odigbo e Irele registraram um aumento abrupto de casos de intoxicação alcoólica, com sintomas que incluíam dor abdominal intensa, vômitos, visão turva e falência múltipla de órgãos.

O porta‑voz da polícia estadual, Abayomi Jimoh, informou que quinze indivíduos foram detidos em conexão com o caso. Entre eles, há um suposto fabricante que teria adicionado metanol ao lote final, alegando que a prática visava aumentar o teor alcoólico e, consequentemente, o lucro.

As investigações apontam que o processo de destilação foi realizado em condições inadequadas, sem equipamentos de filtragem ou testes de pureza. A colaboração de um dos suspeitos com a polícia tem permitido que as autoridades rastreiem a origem dos ingredientes e identifiquem outros pontos de venda que possam estar oferecendo o mesmo produto adulterado.

Medidas emergenciais e prevenção futura

A Agência Nacional para Administração e Controle de Alimentos e Medicamentos da Nigéria (NAFDAC) já havia anunciado, antes do surto, a proibição da comercialização de álcool em sachês e pequenos recipientes de plástico, citando o risco de acesso por crianças e adolescentes. Após a tragédia, o órgão reforçou a proibição e iniciou uma campanha de conscientização nacional, destacando os perigos do metanol e incentivando a população a adquirir bebidas apenas de fornecedores licenciados.

  • Fiscalização intensificada: inspeções surpresa em mercados informais e pontos de venda de álcool artesanal.
  • Campanhas educativas: uso de rádios comunitárias, escolas e redes sociais para alertar sobre sinais de intoxicação por metanol.
  • Distribuição de kits de teste: fornecimento de reagentes simples para comerciantes verificarem a presença de metanol em seus produtos.
  • Assistência médica gratuita: hospitais da região receberam suprimentos de antídotos e suporte de ventilação para tratar vítimas.

Além das ações governamentais, líderes comunitários têm se mobilizado para criar comitês de vigilância que monitoram a produção local de bebidas. Esses grupos visam promover práticas seguras, como a utilização de destiladores de cobre adequados e a realização de testes de pureza antes da comercialização.

Especialistas em saúde pública ressaltam que a solução de longo prazo depende de investimentos em infraestrutura rural, acesso a crédito para pequenos produtores e a formalização de negócios informais. Quando os produtores conseguem registrar suas atividades e obter certificações, há maior incentivo para cumprir normas de segurança e, consequentemente, reduzir a incidência de casos como o de Odigbo.

Enquanto isso, as famílias das vítimas enfrentam um luto profundo e a necessidade de apoio psicossocial. Organizações não‑governamentais locais já iniciaram programas de apoio emocional e de auxílio financeiro para as famílias que perderam seus entes queridos ou que ainda lidam com as sequelas da intoxicação.

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