Em entrevista concedida durante o Rock in Rio 2026, Roberto Medina, fundador do festival, revelou que o sertanejo está novamente nos seus planos. O empresário comentou que, embora ainda não tenha definido detalhes, a presença do gênero no evento é uma possibilidade que ele tem em seu radar. A declaração ocorreu no Rio de Janeiro, durante a edição que celebra a música brasileira em suas múltiplas facetas.
O histórico do Rock in Rio e a abertura para novos gêneros
Desde a primeira edição, em 1985, o Rock in Rio tem sido reconhecido pela diversidade de seu line‑up. O festival já recebeu rock, pop, eletrônica, hip‑hop e, mais recentemente, estilos como pagode, forró e brega. Essa postura inclusiva tem ajudado a romper barreiras regionais e a atrair público de diferentes idades e gostos.
Em 2024, o evento fez um leve aceno ao sertanejo ao incluí‑lo no Dia Brasil, um dia temático criado para homenagear a música nacional. A intenção, segundo Medina, era “tirar as pessoas de suas bolhas” e mostrar a riqueza do panorama musical brasileiro. Embora a participação tenha sido pontual, ela serviu como um teste de aceitação entre os frequentadores habituais.
O sucesso desse experimento encorajou os organizadores a considerar o sertanejo como parte integrante da programação futura. A proposta ganha força especialmente porque o gênero lidera as paradas de streaming e rádio em todo o país, atingindo tanto áreas urbanas quanto rurais.
Especialistas defendem a inclusão do sertanejo
Vários colunistas e influenciadores do cenário musical já manifestaram apoio à ideia. Mauro Ferreira, do G1, destaca que o festival precisa refletir a realidade de consumo musical no Brasil, afirmando que “esse encontro precisa acontecer na edição de 2028”. Ele elogia a capacidade de artistas como Ana Castela e Luan Santana de montar espetáculos de alto nível técnico, comparáveis a shows internacionais.
Marcos Bernardes, conhecido como Marcão no portal Blognejo, lembra que o Rock in Rio já abriu espaço para gêneros antes marginalizados, como pagode e brega. Para ele, a única presença sertaneja até agora foi o show de Chitãozinho e Xororó no Dia Brasil de 2024, que considerou “mais protocolar do que representativo”.
Renato Sertanejeiro, apresentador e influenciador, reforça que a música sertaneja é a música popular brasileira e que “o Brasil é multicultural; esse match de culturas é legal”. Ele acredita que um dia dedicado ao sertanejo poderia ser um ponto de convergência entre públicos diferentes, agregando valor ao festival.
Cenários possíveis para o sertanejo no próximo Rock
Os especialistas sugerem diferentes formas de integrar o gênero ao line‑up. Uma das ideias é reservar o Palco Mundo para artistas de grande projeção, como Luan Santana, Ana Castela ou a dupla Jorge & Mateus, garantindo produção de alta qualidade e atraindo grande público.
Outra proposta é utilizar o Palco Sunset, conhecido por shows experimentais e tributos, para apresentações que celebrem as raízes do sertanejo. Mauro Ferreira sugere um tributo a Tião Carreiro & Pardinho com a participação de Zezé Di Camargo & Luciano e Victor & Leo, criando um diálogo entre gerações.
Além desses, há a possibilidade de criar um bloco de colaborações entre sertanejo e outros estilos. Por exemplo, um número conjunto entre Panda e Leonardo, misturando rock alternativo e sertanejo universitário, poderia gerar um momento inesperado e viral.
- Palco Mundo: Luan Santana, Ana Castela, Jorge & Mateus.
- Palco Sunset: tributo a Tião Carreiro & Pardinho com Zezé Di Camargo & Luciano e Victor & Leo.
- Colaborações cruzadas: Panda + Leonardo; Pabllo Vittar + Henrique & Juliano.
Roberta Medina, vice‑presidente da Rock World, também se mostrou aberta à ideia, respondendo a perguntas do público com um “Vamos ver”. Sua postura indica que a decisão ainda depende de pesquisas de mercado e da aceitação do público carioca, tradicionalmente mais ligado ao rock e à música eletrônica.
Para que a proposta se concretize, os organizadores precisam superar a percepção de que o sertanejo seria “apenas Chitãozinho e Xororó”. Uma pesquisa aprofundada poderia revelar a variedade de subgêneros – do sertanejo de raiz ao universitário – e demonstrar que há espaço para artistas inovadores no festival.
O impacto de incluir o sertanejo pode ser medido em termos de venda de ingressos, engajamento nas redes sociais e cobertura da imprensa. Dados recentes mostram que artistas sertanejos costumam gerar picos de visualizações no YouTube e TikTok, o que poderia ampliar a visibilidade global do Rock in Rio.
Além do aspecto comercial, a inclusão reforça o compromisso do festival com a representatividade cultural. Ao abraçar o gênero mais ouvido no país, o Rock in Rio reafirma seu papel como palco nacional que celebra a pluralidade musical.
Em resumo, a conversa sobre o sertanejo no Rock in Rio ainda está em fase de planejamento, mas conta com apoio de especialistas, artistas e do público. Se a proposta avançar, os próximos anos podem marcar uma nova era para o festival, onde a tradição do rock convive harmoniosamente com o ritmo das viola e da sanfona.








