O portal de notícias g1 comemora 20 anos de existência nesta sexta‑feira, 18 de setembro de 2026, marcando duas décadas de presença digital em todo o território nacional. A celebração destaca a evolução de um projeto arriscado que se tornou a principal fonte de informação online do país.
A gênese do projeto
Em 2004, a direção da Globo percebeu que a internet começava a mudar os hábitos de consumo de notícias e decidiu investir em um site nativo, distinto da Globo.com. Na época, apenas 32,2 milhões de brasileiros estavam conectados, segundo a IBOPE/NetRatings, o que tornava a iniciativa ousada.
O objetivo era criar uma plataforma que entregasse conteúdo em tempo real, com agilidade e precisão, atendendo a um público que ainda utilizava conexões de banda larga limitadas. O conceito de “notícia instantânea” ainda era incipiente, mas a Globo apostou na capacidade de adaptar seu jornalismo ao novo meio.
Para materializar a ideia, foram definidos três pilares: Jornalismo, Esporte e Entretenimento. Cada área recebeu um protótipo de produto pensado especificamente para o consumo online, com nomes temporários que seriam refinados ao longo do desenvolvimento.
- Jornalismo – cobertura de política, economia e acontecimentos nacionais.
- Esporte – notícias, resultados e análises de competições.
- Entretenimento – cultura pop, celebridades e eventos.
A escolha do nome foi objeto de intenso debate no Conselho de Administração. Opções como “Globo Notícia” foram consideradas, mas o termo g1 foi eleito por representar modernidade e dinamismo, atributos essenciais para a marca digital.
A escolha do nome e a montagem da equipe
O projeto recebeu o codinome G1, que mais tarde se transformou no nome oficial do portal. Juarez Queiroz, então diretor geral da Globo.com, recorda que a decisão foi tomada em uma reunião decisiva, onde o nome foi votado e aprovado pelos conselheiros.
Para conduzir o lançamento, a Globo recrutou talentos com experiência em internet e jornalismo tradicional. Álvaro Pereira Jr., veterano da emissora e ex‑editor‑chefe do “Fantástico”, foi nomeado editor‑chefe do g1 e recebeu a missão de montar a redação em São Paulo, em um prédio separado da TV.
A estratégia de separar fisicamente a equipe visava criar uma cultura própria, distinta da tradicional da TV aberta. “Precisávamos de um ambiente que respirasse a internet, com ritmo e linguagem diferentes”, afirma Álvaro em entrevista.
- Márcia Menezes – editora‑chefe do Jornal das Dez, trazia expertise em conteúdo de alta qualidade.
- Renato Franzini – jornalista com passagem pela Folha de S.Paulo e experiência em projetos digitais.
- Equipe jovem – jornalistas recém‑formados, especializados em multimídia e redes sociais.
A estrutura física, localizada na Alameda Santos, permitiu que a equipe experimentasse formatos inovadores, como vídeo curto, infográficos interativos e cobertura em tempo real de eventos ao vivo.
O crescimento e os marcos de duas décadas
Desde o lançamento oficial em 18 de setembro de 2006, o g1 evoluiu rapidamente, acompanhando a expansão da internet no Brasil. Em 2010, já ultrapassava 10 milhões de visitas diárias, número que dobrou a cada quatro anos, impulsionado pela popularização dos smartphones.
O primeiro iPhone chegou ao mercado em 2007, mas foi somente em 2012 que a maioria dos brasileiros começou a acessar notícias pelo celular. O g1, antecipando essa mudança, desenvolveu aplicativos nativos para iOS e Android, que hoje contam com mais de 30 milhões de downloads combinados.
Em 2014, a redação mudou para um novo prédio, reforçando a identidade digital e permitindo a expansão de áreas como dados, fact‑checking e produção de podcasts. Essa mudança marcou o início de uma fase de diversificação de formatos.
Alguns marcos importantes incluem:
- 2015 – Lançamento da seção de “Fact‑checking”, reforçando a credibilidade em tempos de desinformação.
- 2018 – Criação do “g1 Podcast”, que hoje reúne mais de 200 episódios sobre política, cultura e ciência.
- 2020 – Cobertura em tempo real da pandemia de Covid‑19, com mais de 5 mil artigos publicados em um ano.
- 2022 – Implementação de inteligência artificial para personalizar recomendações de notícias.
- 2024 – Introdução de vídeos curtos em formato vertical, otimizados para TikTok e Reels.
O crescimento de audiência foi acompanhado por investimentos em tecnologia. Em 2021, o g1 adotou uma arquitetura de microsserviços, garantindo maior velocidade e estabilidade durante picos de tráfego, como eleições e grandes eventos esportivos.
Além da expansão digital, o portal manteve seu compromisso com o jornalismo investigativo. Reportagens premiadas, como a série sobre corrupção em licitações públicas (2020) e a investigação sobre desmatamento ilegal na Amazônia (2023), consolidaram a reputação do g1 como fonte confiável.
Hoje, o g1 atinge mais de 60 milhões de usuários únicos por mês, representando quase 40% da audiência digital de notícias no Brasil, segundo dados da Comscore. Esse número reflete não apenas a popularidade, mas também a capacidade de adaptação constante a novos hábitos de consumo.
O futuro do portal está ligado à inovação contínua. Projetos em andamento incluem a integração de realidade aumentada nas coberturas esportivas, o uso de chatbots para personalizar a entrega de notícias e a expansão de conteúdos em língua indígena, ampliando a inclusão digital.
Em resumo, a jornada de 20 anos do g1 demonstra como uma aposta ousada, aliada a uma cultura organizacional voltada para a internet, pode transformar o panorama da mídia. O portal segue liderando a transição do jornalismo tradicional para o digital, mantendo o compromisso com a rapidez, a precisão e a profundidade das informações.








