Flávio Bolsonaro, senador do PL, recebeu autorização do governo americano para permanecer nos Estados Unidos por até um ano, com validade até 27 de outubro de 2027. A concessão foi confirmada por consulta ao sistema da U.S. Customs and Border Protection (CBP) na manhã de 28 de outubro de 2026. A família desembarcou em Miami, na Flórida, após uma viagem que gerou grande comoção no Brasil.
Autorização dos EUA e detalhes do visto
O registro do CBP indica que o senador foi admitido na categoria “DT”, que corresponde a um status de entrada temporária (parole). Essa classificação permite que o visitante fique legalmente no país por um período determinado, sem a necessidade de um visto tradicional. Até o momento, as autoridades americanas não divulgaram se o visto será de turista, de negócios ou outra categoria específica.
O Departamento de Estado dos EUA afirmou, no dia 27 de outubro, que concederia vistos à família Bolsonaro, mas manteve sigilo sobre o tipo exato de autorização. A decisão de conceder o visto ocorreu poucos dias após a chegada do jatinho particular Gulfstream G400 ao aeroporto executivo Opa‑Locka, em Miami.
Para entender melhor o processo, segue um resumo dos passos burocráticos:
- Consulta ao sistema CBP revela código “DT” e data limite de permanência.
- Departamento de Estado confirma a emissão de vistos, porém sem detalhes públicos.
- Passaporte diplomático do senador foi cancelado, mas ele utilizou o passaporte italiano para entrar.
A fuga após a decisão do STF
Na noite de domingo, 25 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que Flávio Bolsonaro entregasse todos os seus passaportes, inclusive o diplomático, em até 24 horas. A ordem visava impedir que o senador deixasse o país enquanto fosse investigado por supostos esquemas de lavagem de dinheiro.
Flávio não cumpriu a determinação e, na manhã de segunda‑feira, 26, saiu do Brasil ainda com o passaporte italiano, emitido em 2023 pela primeira‑ministra italiana Giorgia Meloni. O documento foi usado para embarcar na Argentina e, de lá, seguir para os Estados Unidos.
O voo partiu de um aeroporto argentino, fez escala no Equador – onde o governo de Daniel Noboa tem laços amistosos com a família Bolsonaro – e chegou a Miami por volta das 10h da manhã de 28 de outubro. A família – Flávio, sua esposa e as duas filhas – desembarcou sem maiores incidentes.
O plano de voo do jatinho, divulgado por fontes de aviação, confirma que o trajeto incluiu as cidades de Buenos Aires, Quito e Miami, reforçando a ideia de uma operação coordenada para evitar a interceptação das autoridades brasileiras.
Repercussões políticas e internacionais
A chegada de Flávio Bolsonaro aos EUA ocorreu poucos dias depois da derrota nas eleições presidenciais de 25 de outubro, quando o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, venceu com 51,79% dos votos válidos. O resultado marcou a primeira vez que um aliado de Donald Trump perdeu a disputa no Brasil.
O presidente dos EUA, Donald Trump, ainda não se pronunciou oficialmente sobre a entrada do senador, embora tenha reiterado, sem provas, alegações de fraude nas eleições brasileiras. O presidente argentino, Javier Milei, também permaneceu em silêncio, apesar da proximidade política com a família Bolsonaro.
Analistas apontam que a autorização americana pode ser interpretada como um gesto diplomático de apoio a um aliado político dos EUA, mas alertam que o caso ainda está sujeito a revisões legais tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Enquanto isso, a Polícia Federal continua investigando Flávio Bolsonaro por supostos crimes de lavagem de dinheiro e por possíveis irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”.
Os desdobramentos do caso ainda podem influenciar as relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos, sobretudo em áreas como cooperação jurídica e combate à corrupção. Observadores internacionais destacam que a situação testa a capacidade das instituições democráticas brasileiras de fazer cumprir decisões judiciais frente a pressões externas.








