O Papa Leão XIV foi submetido a uma cirurgia na manhã de terça‑feira, 13 de outubro de 2026, para remover um tumor maligno no pulmão direito. O procedimento ocorreu no Hospital Universitário Agostino Gemelli, em Roma, e foi declarado bem‑sucedido pelas autoridades do Vaticano.
Diagnóstico e descoberta precoce
Durante exames de rotina realizados nas semanas que antecederam a missa dominical, os médicos identificaram um nódulo no pulmão direito do pontífice. Na celebração do último domingo, Leão XIV informou que a lesão havia sido detectada em estágio inicial e que o crescimento estava “bem controlado”.
Posteriormente, a análise histológica do tecido removido confirmou a presença de adenocarcinoma pulmonar, o tipo mais comum de câncer de pulmão, responsável por cerca de 40% dos casos no mundo. Embora a doença seja mais frequente entre fumantes, ela também pode afetar pessoas que nunca fumaram, como é o caso do Papa.
Detalhes da cirurgia e equipe médica
A operação foi realizada por uma equipe multidisciplinar de alta especialização. O procedimento durou aproximadamente uma hora e meia e utilizou a técnica videoassistida, permitindo a remoção precisa do lobo inferior do pulmão direito.
A equipe cirúrgica foi composta pelos médicos Stefano Margaritora, Elisa Meacci, Maria Teresa Congedo e Leonardo Petracca Caravella. A anestesiologia ficou a cargo do professor Massimo Antonelli, juntamente com os doutores Giovanni Punzo e Giuseppe Bello.
- Stefano Margaritora – Cirurgião torácico chefe
- Elisa Meacci – Especialista em oncologia pulmonar
- Maria Teresa Congedo – Assistente de cirurgia
- Leonardo Petracca Caravella – Coordenador de equipe
- Massimo Antonelli – Anestesiologista principal
O Hospital Gemelli, fundado em 1964 e vinculado à Universidade Católica do Sagrado Coração, possui um histórico de atendimento a pontífices. João Paulo II foi internado lá em 1981 após o atentado na Praça de São Pedro, e o Papa Francisco recebeu tratamento para pneumonia bilateral no mesmo estabelecimento.
Contexto histórico e comparações com outros pontífices
O Papa Leão XIV, nascido Robert Francis Prevost em Chicago, nos Estados Unidos, assumiu o pontificado em maio de 2025, tornando‑se o primeiro papa nascido no país americano. Sua trajetória inclui missões no Peru, onde também adquiriu cidadania peruana.
Antes do diagnóstico atual, o pontífice mantinha uma rotina de exercícios físicos, praticando tênis e natação nas áreas de descanso de Castel Gandolfo. Essa dedicação à saúde cardiovascular contrastou com episódios anteriores, como a febre tifoide contraída em 1985 durante sua missão no Peru.
Outros papas também enfrentaram problemas de saúde graves. João Paulo II sofreu um atentado em 1981, enquanto o Papa Francisco lidou com pneumonia em 2022, permanecendo 38 dias internado no Gemelli. Essas situações reforçam a importância de hospitais de referência para a Igreja.
Tipos de tratamento e prognóstico
O tratamento do câncer de pulmão varia conforme o tipo histológico, o estágio da doença e as condições gerais do paciente. No caso de Leão XIV, a lobectomia foi considerada a intervenção mais eficaz, já que o tumor estava localizado e era removível.
Além da cirurgia, outras modalidades terapêuticas podem ser indicadas, dependendo da presença de mutações genéticas ou da extensão do tumor. As opções incluem:
- Quimioterapia – uso de medicamentos citotóxicos para destruir células cancerígenas.
- Radioterapia – aplicação de radiação direcionada ao local do tumor.
- Imunoterapia – estímulo do sistema imunológico para reconhecer e atacar as células malignas.
- Medicamentos direcionados – terapias específicas para alterações genéticas identificadas no adenocarcinoma.
Até o momento, o Vaticano não divulgou a necessidade de terapias adicionais para o pontífice, mas os médicos permanecem em vigilância constante, realizando exames de acompanhamento a cada três meses.
O prognóstico para pacientes com adenocarcinoma em estágio inicial, como o do Papa, costuma ser favorável quando a remoção cirúrgica é completa e não há metástases detectáveis. Estudos do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam taxas de sobrevida de até 70% em cinco anos para casos semelhantes.
Impacto institucional e reações públicas
O anúncio da cirurgia gerou preocupação entre fiéis e autoridades civis ao redor do mundo. Mensagens de apoio foram enviadas por líderes religiosos, chefes de Estado e organizações de saúde, ressaltando a importância da solidariedade internacional.
Dentro do Vaticano, o Papa cumpriu os sete compromissos agendados para a manhã anterior à cirurgia, demonstrando a continuidade de suas funções pastorais mesmo diante do diagnóstico. A comunidade católica foi incentivada a orar pela recuperação rápida e completa do pontífice.
Especialistas em comunicação recomendam que a divulgação de informações médicas siga princípios de transparência, sem sensacionalismo, para evitar rumores e garantir que o público receba dados confiáveis.
Perspectivas futuras e acompanhamento
Nos próximos meses, Leão XIV deverá passar por avaliações periódicas de imagem, exames de sangue e consultas com oncologistas especializados. Caso sejam identificadas alterações, a equipe médica está preparada para ajustar o plano terapêutico.
Além do aspecto clínico, o Papa tem planos de retomar suas viagens pastorais e atividades diplomáticas assim que for liberado pelos médicos. A expectativa é que ele continue a promover mensagens de paz, justiça social e cuidado com o meio ambiente, temas que têm marcado seu pontificado.
Em síntese, a intervenção cirúrgica bem‑sucedida, aliada a um diagnóstico precoce, oferece ao pontífice uma boa chance de recuperação completa. O acompanhamento multidisciplinar e o suporte da comunidade global permanecem como pilares fundamentais para sua saúde a longo prazo.








