O telescópio espacial Neil Gehrels Swift, da NASA, vai reentrar na atmosfera terrestre nesta quarta‑feira (4) por volta das 07h19, horário de Brasília. A maior parte dos seus 1,5 tonelada de estrutura será consumida pelo calor intenso da reentrada, mas fragmentos menores podem alcançar o solo. A trajetória atravessa principalmente a América do Sul, parte da África, Ásia e Oceania, enquanto Europa e Estados Unidos ficam fora da zona de risco.
Causa da reentrada e tentativa de resgate
O Swift foi lançado em 2004 e, ao longo de mais de duas décadas, estudou explosões de raios‑gama e outros fenômenos cósmicos. Sem sistema de propulsão próprio, o satélite começou a perder altitude gradualmente, tornando inevitável sua queda ao fim da vida útil.
Em julho, a NASA firmou parceria com a startup americana Katalyst para lançar a nave de captura chamada LINK. O objetivo era acoplar a LINK ao Swift, elevar sua órbita e prolongar a missão por mais alguns anos.
Infelizmente, poucos dias após o lançamento, a LINK começou a girar de forma descontrolada, impossibilitando o acoplamento. Em meados de agosto, a equipe de controle abortou a operação, deixando o Swift seguir seu caminho natural de volta à Terra.
Risco para a população e áreas afetadas
De acordo com a NASA, a probabilidade de alguém ser ferido por um fragmento do satélite é de aproximadamente 1 em 2.100, o que indica um risco muito baixo. Mesmo assim, as agências de defesa civil de vários países monitoram a zona de queda para alertar a população caso algum objeto maior seja detectado.
A previsão da Aerospace Corporation indica uma margem de erro de duas horas para mais ou para menos em relação ao horário de reentrada. Essa margem amplia a área potencial de impacto, que inclui grandes regiões da América do Sul, partes da África Central, sul da Ásia e áreas remotas da Austrália.
- Brasil (principalmente a região Centro‑Oeste e parte do Sudeste)
- Argentina e Uruguai
- Paraguai e Bolívia
- Algumas áreas da África Ocidental
- Ilhas do Pacífico Sul
Não há relatos de áreas densamente povoadas dentro da zona de maior probabilidade de queda, o que reduz ainda mais a chance de danos materiais ou pessoais.
O legado científico do Swift
Durante sua missão, o Swift detectou mais de 2 000 explosões de raios‑gama, contribuindo significativamente para a compreensão dos eventos mais energéticos do universo desde o Big Bang. Cada detecção permitiu que astrônomos estudassem a física de explosões estelares, colapsos de estrelas massivas e fusões de buracos negros.
O satélite também possuía três telescópios integrados: um detector de raios‑gama, um telescópio de raios‑X e um telescópio óptico‑ultravioleta. Essa combinação única possibilitou observações simultâneas em diferentes comprimentos de onda, oferecendo uma visão completa dos fenômenos estudados.
O investimento de US$ 500 milhões na construção e operação do Swift foi justificado pelos milhares de artigos científicos publicados a partir dos seus dados, bem como pelas colaborações internacionais que ampliaram o alcance da pesquisa.
Mesmo após o fim da missão, os arquivos de dados do Swift permanecem disponíveis para a comunidade científica, garantindo que futuras gerações de pesquisadores possam extrair novas informações dos eventos já observados.
O que esperar da reentrada
Especialistas afirmam que a maior parte da estrutura será vaporizada a altitudes entre 70 km e 90 km, onde o ar rarefeito gera temperaturas superiores a 2 000 °C. Os fragmentos que sobreviverem provavelmente serão pequenos, com menos de 30 cm de diâmetro, e cairão em áreas desabitadas.
Os serviços de monitoramento espacial dos governos brasileiro, argentino e chileno emitiram comunicados pedindo que a população mantenha a calma e siga as orientações das autoridades caso haja alguma atualização.
Em resumo, a reentrada do Swift marca o fim de uma era de exploração espacial que durou mais de vinte anos, mas também reforça a importância de projetos de captura e desorbitação controlada para evitar riscos futuros.
Para quem acompanha a notícia, a NASA ainda não divulgou um comunicado oficial confirmando a data exata, embora a previsão da Aerospace Corporation seja amplamente aceita pela comunidade científica.








