Em entrevista ao jornal Em Ponto, da GloboNews, Cadu de Lula, governador eleito do Rio Grande do Norte, explicou que a PEC da Segurança Pública, aprovada pelo Senado nesta terça‑feira (3), tem como objetivo facilitar a integração entre as forças federais, estaduais e municipais no combate ao crime organizado.
Contexto político e econômico da proposta
Cadu de Lula foi questionado sobre a ausência de posicionamento do presidente Lula a respeito da dívida pública e dos juros que pressionam o próximo mandato. O governador sugeriu que o presidente pode estar usando esse período para consolidar ideias estratégicas antes de apresentá‑las ao país.
Ele ressaltou que a estabilidade macroeconômica é fundamental para que políticas de segurança, como a PEC, possam ser implementadas com recursos adequados e sem comprometer o equilíbrio fiscal.
Além disso, Cadu destacou que a nova geração de dirigentes do PT tem buscado alinhar a agenda econômica com a necessidade de investimentos em segurança, saúde e educação, evitando conflitos internos que possam enfraquecer a governabilidade.
Impactos da PEC da Segurança Pública
A proposta legislativa prevê mecanismos de cooperação entre diferentes esferas de governo, permitindo que informações e operações sejam compartilhadas de forma mais ágil. Segundo o governador, isso representa um avanço significativo no combate ao crime organizado, que tem se expandido para o Nordeste nos últimos anos.
Ele enumerou os principais benefícios esperados:
- Integração de bases de dados: compartilhamento de registros de investigação entre polícias federal, estadual e municipal.
- Operações conjuntas: planejamento e execução de ações coordenadas em áreas de fronteira e rotas de tráfico.
- Capacitação conjunta: treinamento unificado para agentes de diferentes forças, aumentando a eficácia tática.
- Uso de tecnologia: implantação de sistemas de monitoramento em tempo real, facilitando a resposta rápida.
Essas medidas, segundo Cadu, devem gerar um ambiente de maior segurança nas cidades e no interior, reduzindo a sensação de impunidade entre a população.
O governador também enfatizou a necessidade de “polícia na rua, ocupação de territórios” como estratégia para impedir que organizações criminosas se estabeleçam em comunidades vulneráveis.
Relações internas no PT e a transição de governo
Quando indagado sobre as diferenças entre a nova geração de dirigentes do PT e os quadros mais antigos, Cadu rejeitou a ideia de conflito interno. Ele afirmou que os líderes tradicionais contribuíram para a ascensão dos novos nomes, criando um ambiente de colaboração que fortalece a agenda do partido.
Sobre sua relação com a atual governadora Fátima Bezerra, também do PT, o governador eleito destacou a lealdade à antecessora, mas deixou claro que seu mandato terá características próprias.
“Eu tenho uma trajetória mais voltada ao desenvolvimento e à geração de emprego e renda, enquanto a Fátima tem uma forte atuação no movimento sindical. As ideias se complementam, mas o meu governo será diferente do dela”, disse Cadu.
Ele apontou que seu plano de governo inclui investimentos em infraestrutura, apoio a pequenas e médias empresas e políticas de inclusão social, tudo alinhado com a estratégia de segurança pública proposta pela PEC.
Perspectivas para o futuro da segurança no Nordeste
O Nordeste tem sido alvo crescente de quadrilhas de tráfico de drogas, armas e pessoas. Cadu de Lula alertou que a falta de integração entre as forças de segurança tem dificultado a resposta eficaz a esses desafios.
Com a PEC em vigor, ele espera que as autoridades possam agir de forma coordenada, reduzindo a fragmentação de esforços e aumentando a taxa de resolução de crimes.
Ele ainda citou exemplos de sucesso em outros estados onde a cooperação interinstitucional reduziu significativamente os índices de violência, sugerindo que o modelo pode ser adaptado ao contexto nordestino.
Por fim, Cadu reforçou a importância da participação cidadã, incentivando a população a denunciar atividades suspeitas e a colaborar com as forças de segurança, criando uma rede de vigilância comunitária que complemente as ações governamentais.








