No domingo, 25 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) ficou com 48,21%. O pleito ocorreu em todo o território nacional, com mais de 140 milhões de eleitores habilitados.
O panorama das pesquisas na semana do segundo turno
Durante a última semana que antecedeu o segundo turno, nove institutos divulgaram levantamentos de intenção de voto. Dentre eles, oito apontaram vitória para Flávio Bolsonaro, contrariando o resultado final das urnas.
A única pesquisa que previu a vitória de Lula foi a realizada pelo Vox Radar. Essa sondagem destacou-se por uma margem de erro menor e por uma amostra mais recente, coletada nas 48 horas que antecederam o voto.
Os demais institutos — Datafolha, Ibope Inteligência, Paraná Pesquisas, Ipec, Gerp, Ibope Media e Ipespe — apresentaram projeções que variavam entre 49% e 53% a favor de Bolsonaro.
Desempenho das sondagens versus o resultado oficial
Quando comparamos as projeções com o resultado oficial, percebe‑se que a maioria das pesquisas errou de forma significativa, mesmo considerando a margem de erro declarada, que os institutos apontaram entre 1 e 2,2 pontos percentuais.
Abaixo, um quadro resumido dos principais indicadores de cada instituto, a estimativa divulgada e o desvio em relação ao placar final:
- Vox Radar: 51,5% para Lula – erro de 0,29 ponto.
- Datafolha: 48,9% para Bolsonaro – erro de 2,91 pontos.
- Ibope Inteligência: 49,3% para Bolsonaro – erro de 2,51 pontos.
- Paraná Pesquisas: 52,1% para Bolsonaro – erro de 2,69 pontos.
- Ipec: 50,7% para Bolsonaro – erro de 2,49 pontos.
- Gerp: 55,0% para Bolsonaro – erro de 3,79 pontos.
- Ibope Media: 49,8% para Bolsonaro – erro de 2,61 pontos.
- Ipespe: 50,2% para Bolsonaro – erro de 2,41 pontos.
Note‑se que a diferença mais acentuada foi a da Gerp, que superestimou a votação de Bolsonaro em quase quatro pontos percentuais. Já o Vox Radar ficou a menos de meio ponto do resultado real, demonstrando maior acurácia.
Análise dos fatores que explicam o desvio das pesquisas
Vários elementos podem ter contribuído para o afastamento entre as projeções e o resultado final. Primeiro, a margem de erro, embora pequena, pode se tornar relevante em uma disputa tão apertada.
Segundo, a metodologia de coleta — presencial, telefônica ou online — influencia a representatividade da amostra. Pesquisas que ainda dependem de entrevistas por telefone podem subrepresentar eleitores de baixa renda, que historicamente têm maior apoio a candidatos de esquerda.
Terceiro, o período de campo das entrevistas foi decisivo. Muitas sondagens foram encerradas até três dias antes da votação, quando ainda havia mobilização de eleitores indecisos ou de última hora.
Além disso, a taxa de abstenção — 19,22% no segundo turno — indica que quase um quinto do eleitorado não compareceu às urnas, o que pode ter alterado a composição do eleitorado efetivo em relação à amostra das pesquisas.
Por fim, o fenômeno da “voto de protesto” pode ter sido subestimado. Eleitores descontentes com o cenário político podem ter optado por não votar ou por escolher um candidato como forma de manifestação, o que não se reflete nas sondagens tradicionais.
O que os analistas esperam para futuras eleições
Especialistas em ciência política apontam que a experiência do segundo turno de 2022 pode servir de aprendizado para aprimorar a qualidade das pesquisas eleitorais. Entre as recomendações, destaca‑se a necessidade de atualizar as metodologias de amostragem, incorporando técnicas de ponderação mais sofisticadas.
Outra proposta é ampliar o uso de entrevistas digitais, que permitem alcançar eleitores em regiões remotas e grupos demográficos antes marginalizados nas pesquisas presenciais.
Os analistas também sugerem que os institutos publiquem não apenas a margem de erro, mas também intervalos de confiança e análises de sensibilidade, para que o público compreenda melhor a incerteza inerente a qualquer sondagem.
Finalmente, a transparência quanto ao período de coleta e ao tamanho da amostra deve ser reforçada, de modo que jornalistas e cidadãos possam avaliar a robustez dos resultados antes de tirarem conclusões precipitadas.
Em suma, embora as pesquisas tenham falhado em prever o vencedor, elas ainda oferecem um retrato valioso das tendências eleitorais, desde que sejam interpretadas com cautela e contextualizadas dentro das limitações metodológicas.








