A pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta‑feira (16) revelou que 96 % dos eleitores brasileiros pretendem comparecer às urnas no segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. O levantamento indica ainda que apenas 1 % dos entrevistados afirma que não irá ao local de votação. Esses números chegam após um primeiro turno que registrou mais de 33 milhões de ausentes, equivalentes a 21 % do eleitorado.
Intenção de voto no segundo turno
Quando a questão da presença nas urnas é abordada de forma geral, a maioria esmagadora dos eleitores demonstra disposição para exercer o direito de voto. Dos 2.520 entrevistados, 96 % disseram que irão às seções eleitorais, enquanto 1 % garantiu que permanecerá em casa. Os restantes 3 % se declararam indecisos, refletindo dúvidas que ainda podem ser influenciadas por campanhas ou acontecimentos de última hora.
Os números também revelam diferenças sutis entre os eleitores que pretendem votar em branco, nulo ou simplesmente não escolher nenhum candidato. Nesse segmento, 63 % ainda pretende comparecer às urnas, 23 % pretende se abster e 13 % permanecem indecisos. Esses dados apontam que, mesmo entre os que não têm preferência clara, a maioria reconhece a importância da participação eleitoral.
- 96 % – pretendem votar
- 1 % – afirmam que não vão votar
- 3 % – indecisos
- 63 % – eleitores de voto em branco/nulo pretendem ir
- 23 % – eleitores de branco/nulo não pretendem ir
Perfil dos eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro
Entre os eleitores que declararam apoio ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a intenção de comparecer às urnas também foi quase unânime. O levantamento aponta que 98 % desses eleitores afirmam que irão votar, enquanto 2 % ainda não tomaram uma decisão definitiva. Essa taxa de presença supera a média geral e demonstra um engajamento elevado entre a base de Lula.
De forma paralela, os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) apresentam um padrão quase idêntico. Também 98 % dos que se declaram apoiadores do filho do ex‑presidente afirmam que vão às urnas, e 2 % permanecem indecisos. Essa simetria evidencia que, independentemente da escolha partidária, a maioria dos apoiadores de ambos os candidatos pretende exercer seu voto.
Eleitores indecisos e abstencionistas
O grupo de eleitores que não pretendem votar ou ainda não decidiram o que fazer representa 4 % do total pesquisado. Dentro desse segmento, a principal razão apontada – citada por 47 % dos entrevistados – é a indecisão quanto à escolha do candidato. Essa dúvida pode ser fruto de avaliações de propostas, desempenho dos debates ou mesmo de cansaço político.
Outros fatores também influenciam a decisão de não comparecer às urnas. Cerca de 27 % dos indecisos relataram que ainda têm dúvidas entre os dois principais concorrentes, enquanto 20 % declararam que não se identificam com nenhum dos candidatos disponíveis. Essas motivações revelam um cenário de descontentamento que pode ser decisivo em uma disputa apertada.
- 47 % – indecisão sobre candidatos
- 27 % – dúvidas entre os dois concorrentes
- 20 % – nenhum candidato agrada
Metodologia da pesquisa Datafolha
A pesquisa foi encomendada pelo jornal Folha de S.Paulo e realizada entre os dias 13 e 14 de outubro, com um total de 2.520 entrevistas presenciais. O trabalho seguiu rigorosamente os padrões de amostragem probabilística, garantindo que a margem de erro seja de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95 %.
Os dados foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR‑00466/2026, o que assegura transparência e possibilita a verificação pública da metodologia. Para o subgrupo de eleitores que não vão ou ainda estão indecisos, a margem de erro é maior, chegando a 10 pontos percentuais, devido ao tamanho reduzido da amostra dentro desse segmento.
Além da margem de erro, a pesquisa também considerou fatores demográficos como idade, nível de escolaridade, região geográfica e renda, permitindo uma análise mais detalhada dos comportamentos eleitorais em diferentes partes do país.
Implicações para a campanha do segundo turno
Os números divulgados sugerem que a batalha pelo voto será mais sobre a conquista dos indecisos e dos abstencionistas do que sobre a mobilização da base tradicional. Com 96 % dos eleitores declarando intenção de ir às urnas, a disputa se concentrará nos poucos pontos percentuais que podem mudar o resultado final.
Os candidatos ainda têm a oportunidade de trabalhar estratégias de comunicação direcionadas aos 4 % indecisos, oferecendo propostas claras, reforçando presença nas redes sociais e realizando visitas a regiões onde a taxa de comparecimento historicamente tem sido menor.
Ao mesmo tempo, a campanha deve estar atenta ao risco de descontentamento entre os 20 % que não gostam de nenhum candidato. Esse bloco pode ser decisivo se houver mobilização de eleitores de voto em branco ou nulo, o que poderia alterar o cálculo de votos válidos e, consequentemente, a porcentagem necessária para a vitória.
Conclusão
Em síntese, a pesquisa Datafolha indica que a maioria dos brasileiros pretende cumprir o dever cívico de votar no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Entretanto, os pequenos grupos de indecisos e abstencionistas permanecem como alvos estratégicos para as campanhas, que buscarão transformar dúvidas em votos efetivos. O cenário apresentado reforça a importância da participação popular e a necessidade de um debate político que consiga engajar até os eleitores mais relutantes.








