Na manhã deste sábado, 3 de junho de 2026, milhares de cidadãos tomaram as ruas de diversas cidades espanholas para protestar contra a crise habitacional. A mobilização ocorreu logo após o Congresso da Espanha rejeitar duas propostas emergenciais apresentadas pelo governo de Pedro Sánchez. Manifestantes exigem redução de aluguéis, proteção contra despejos e controle sobre a compra de imóveis por fundos de investimento.
Contexto político e a votação no Congresso
A derrota parlamentar foi decisiva: o primeiro decreto, que pretendia suspender despejos de inquilinos vulneráveis até 2030, foi rejeitado por 178 votos a 172. O segundo texto, que buscava a renovação automática de contratos de aluguel, recebeu 184 votos contrários e 166 a favor.
Sem maioria, a coalizão do Partido Socialista, apoiada pelo Sumar, precisou contar com outras legendas, mas o Partido Popular, Vox e Junts se posicionaram firmemente contra as propostas. A rejeição impediu que as proteções previstas nos decretos fossem implementadas, aumentando a pressão sobre o primeiro‑ministro.
- Suspensão de despejos até 2030;
- Prorrogação de contratos com vencimento antes de 2028 por dois anos;
- Aumento de impostos sobre apartamentos turísticos;
- Restrição à compra de residências por fundos de investimento.
Impacto econômico e aumento dos preços
Os números do Instituto Nacional de Estatística revelam que os preços de compra de moradias subiram 12,2% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. Imóveis usados registraram alta de 12,9%, enquanto os novos tiveram incremento de 7,4%.
No segmento de locação, a plataforma Idealista apontou um aumento de 8,5% nos preços anunciados em 2025, com Madrid liderando a escalada ao alcançar 9,7% de alta. Esses indicadores mostram que o encarecimento dos imóveis está diretamente ligado ao descontentamento popular.
- 12,2% – alta geral de preços de compra;
- 12,9% – aumento de imóveis usados;
- 7,4% – crescimento de imóveis novos;
- 8,5% – elevação dos aluguéis em 2025;
- 9,7% – alta específica em Madrid.
Vozes dos manifestantes e casos emblemáticos
Entre os rostos que simbolizam a luta, destaca‑se Maricarmen Abascal, uma aposentada de 87 anos que foi despejada após a empresa proprietária tentar elevar o aluguel em 275%. Após negociação, a senhora retornou ao apartamento por um valor reduzido, mas o episódio se tornou um marco dos protestos.
Valéria Racu, porta‑voz do Sindicato de Inquilinas, anunciou que o sindicato está em contato com outras organizações trabalhistas para avaliar a possibilidade de uma greve geral. Em Barcelona, a manifestação prevista para a tarde foi adiada para segunda‑feira devido à previsão de fortes chuvas.
- Redução de aluguéis abusivos;
- Proteção contra despejos arbitrários;
- Limitação ao uso turístico de apartamentos;
- Regulação da atuação de fundos de investimento no mercado residencial.
Perspectivas e possíveis desdobramentos
Com a rejeição dos decretos, o governo Sánchez enfrenta um impasse que pode levar a novas negociações ou à busca de apoio em partidos menores. Analistas apontam que a continuidade das manifestações pode pressionar o Executivo a apresentar um pacote revisado que contemple concessões aos sindicatos e às cidades mais afetadas.
Enquanto isso, a população permanece atenta ao futuro das políticas habitacionais, exigindo respostas concretas que garantam moradia digna e acessível. A expectativa é que, nos próximos dias, surjam propostas alternativas que conciliem os interesses dos inquilinos, dos proprietários e dos investidores, evitando uma escalada ainda maior da crise.
O clima de tensão também tem repercussões nas eleições regionais que se aproximam, tornando a questão da moradia um dos principais temas de campanha. Observadores internacionais acompanham de perto, pois a situação pode servir de alerta para outras nações que enfrentam desafios semelhantes no mercado imobiliário.








