Um estudo do Laboratório de Impacto Climático (CIL) estima que o Brasil pode registrar até 13,3 mil óbitos adicionais relacionados ao calor até fevereiro de 2027. A projeção considera o período em que o fenômeno El Niño eleva as temperaturas acima da média histórica. Os pesquisadores usaram como referência a média de mortalidade entre 1996 e 2025 para calcular o excesso de mortes esperado.
Impacto do calor extremo no território nacional
O aumento de temperatura afeta especialmente regiões com alta densidade populacional e vulnerabilidade social. Entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, a estimativa indica cerca de 8 mil mortes extras no Brasil, número que pode ser reduzido com intervenções antecipadas. Idosos, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores ao ar livre são os grupos mais expostos ao risco.
Além do risco direto de insolação, o calor intenso eleva a incidência de problemas cardiovasculares e respiratórios. Hospitais podem enfrentar sobrecarga, sobretudo nas capitais do Sudeste, onde a combinação de alta urbanização e ondas de calor cria um cenário crítico.
Projeções globais e comparações regionais
O estudo do CIL projeta 239 mil mortes adicionais por calor nos próximos seis meses em todo o mundo, comparado a um ano normal. Quando o horizonte se estende até fevereiro de 2027, o número sobe para 451 mil óbitos extras. O Sul Global concentra a maior parte desses impactos, com destaque para o Sahel, Nigéria, Sudão, Níger e Chade.
No Sudeste Asiático, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja somam 19,4 mil mortes adicionais, enquanto a Indonésia tem estimativa de 19,3 mil. Essas cifras ajudam a direcionar recursos de emergência para os locais mais vulneráveis.
Estratégias de prevenção e adaptação ao calor
Os pesquisadores enfatizam que a antecipação dos períodos de maior risco permite a implementação de medidas preventivas eficazes. Entre as ações recomendadas estão:
- Instalação de centros de resfriamento públicos em áreas de alta densidade populacional;
- Criação de pontos de hidratação gratuitos em parques, praças e vias de grande circulação;
- Monitoramento ativo de pessoas vulneráveis, como idosos em lares e pacientes crônicos;
- Proteção de trabalhadores expostos ao sol, com pausas regulares e equipamentos de refrigeração;
- Reforço da capacidade dos serviços de saúde, ampliando leitos e equipes de pronto‑atendimento.
Outra medida eficaz consiste em combinar previsões meteorológicas com dados de saúde pública. Essa integração permite que autoridades identifiquem, com antecedência, os municípios que enfrentarão maior risco e concentrem recursos como água potável, equipes médicas móveis e campanhas de conscientização.
O papel das autoridades e da sociedade civil
Governos em todas as esferas devem usar as informações do CIL para elaborar planos de ação específicos. A comunicação clara, por meio de sistemas de alerta precoce, pode alertar a população sobre a iminência de ondas de calor, permitindo que adotem medidas de proteção individual.
Organizações não governamentais e comunidades locais também têm papel fundamental na difusão de boas práticas, como a criação de redes de apoio a vizinhos idosos e a promoção de ambientes urbanos mais frescos, com áreas verdes e sombras.
Embora as temperaturas acima da média não possam ser controladas, a mitigação dos seus efeitos sobre a saúde depende da capacidade de resposta rápida e coordenada. A projeção do CIL serve como ferramenta estratégica para reduzir o número de vítimas e salvar vidas.








