Mais de 53,6 milhões de americanos já registraram voto antecipado para as eleições de meio de mandato, que ocorrem nesta terça‑feira (3) em todo o território dos Estados Unidos. O número foi divulgado no domingo (1º) pelo Election Lab da Universidade da Flórida e já supera o recorde de 2022, que ficou em torno de 46 milhões de votos antecipados. Essa marca reflete um aumento significativo da participação cidadã em um cenário político marcado por intensas disputas entre partidos.
Participação histórica nas urnas antecipadas
O encerramento da votação presencial antecipada aconteceu neste domingo em estados como Nova Iorque, encerrando uma fase que se destacou pelos recordes regionais. Enquanto os prazos variam de estado para estado, os votos enviados pelo correio ainda podem elevar ainda mais o total nacional. Até o meio‑dia de domingo, aproximadamente 29,8 milhões de votos foram feitos presencialmente e 23,9 milhões foram enviados por correio.
Alguns estados apresentaram números particularmente expressivos, sobretudo aqueles onde as disputas pelo Senado são consideradas competitivas. No Texas, mais de sete milhões de eleitores já haviam votado antecipadamente, colocando o estado entre os líderes de participação. Geórgia e Carolina do Norte também registraram forte engajamento, com mais de três milhões de votos antecipados cada.
- Texas – +7 milhões de votos antecipados
- Geórgia – +3,2 milhões de votos antecipados
- Carolina do Norte – +3,1 milhões de votos antecipados
- Flórida – +2,8 milhões de votos antecipados
- Pensilvânia – +2,5 milhões de votos antecipados
Esses números não apenas superam os de 2022, mas também indicam uma tendência de maior mobilização dos eleitores, independentemente da filiação partidária. Analistas apontam que a combinação de campanhas agressivas, facilidade de voto por correio e preocupação com questões econômicas tem impulsionado esse movimento.
A campanha de Donald Trump e a disputa pelo Congresso
Mesmo não aparecendo nas cédulas, o ex‑presidente Donald Trump tem transformado a eleição de meio de mandato em um referendo sobre seu segundo mandato. Nos últimos dias, Trump intensificou sua presença em comícios presenciais nos estados de Iowa e Kansas, tradicionais bastiões republicanos onde as corridas pelo Senado ganharam destaque nacional.
Em Iowa, Trump discursou por mais de duas horas, defendendo a candidata republicana ao Senado Ashley Hinson e o candidato ao governo estadual Zach Lahn. O presidente ainda fez referência à vitória da equipe de futebol americano da Universidade de Iowa sobre Wisconsin, usando o triunfo esportivo como metáfora de confiança para o resultado eleitoral.
Além dos eventos presenciais, a estratégia de Trump inclui uma maratona de “tele‑rallies”, sessões virtuais em que ele fala diretamente com eleitores por telefone. Na segunda‑feira (2), véspera da eleição, estão programados nove desses encontros, distribuídos entre a manhã e a noite.
Um momento simbólico foi agendado para as duas da tarde da mesma segunda‑feira: um discurso no espelho d’água em frente ao Memorial Lincoln, em Washington, D.C. A escolha do local reforça a narrativa de continuidade e de defesa dos valores que, segundo o presidente, estão sob ameaça.
Apesar do otimismo exibido nos discursos, as pesquisas de opinião mostram um cenário desfavorável para Trump. Uma pesquisa Reuters/Ipsos concluída em 26 de outubro indica que apenas 32% dos adultos americanos aprovam seu desempenho, um dos menores patamares de seu segundo mandato. Entre eleitores registrados, 47% declaram preferência pelos democratas ao Congresso, contra 36% que apoiam os republicanos.
Desafios econômicos e perspectivas eleitorais
A economia aparece como a principal preocupação do eleitorado. Na mesma pesquisa Reuters/Ipsos, 73% dos entrevistados afirmaram que o custo de vida está seguindo na direção errada, citando inflação alta e aumento dos preços dos combustíveis como fatores críticos, especialmente após o início da guerra envolvendo o Irã.
Essas questões econômicas parecem motivar maior entusiasmo entre os eleitores democratas. Cerca de 46% dos democratas disseram estar muito motivados a votar, enquanto apenas 30% dos republicanos relataram o mesmo nível de motivação. Essa diferença pode influenciar diretamente a competitividade nas corridas por cadeiras da Câmara dos Representantes e pelas vagas no Senado.
Em jogo estão todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 vagas no Senado e diversos governos estaduais. O resultado definirá o equilíbrio de forças em Washington nos próximos dois anos, determinando se os republicanos manterão a maioria no Congresso ou se os democratas conseguirão retomar o controle.
O cenário ainda é incerto porque os votos enviados por correio continuam sendo contabilizados. Em estados como Flórida e Pensilvânia, onde o prazo de entrega ainda não expirou, os números podem mudar significativamente até a manhã de quarta‑feira, quando a apuração oficial será concluída.
Observadores internacionais destacam que a alta participação em voto antecipado pode sinalizar um eleitorado mais engajado e, ao mesmo tempo, uma pressão maior sobre os candidatos para apresentarem propostas claras sobre inflação, energia e segurança nacional. A combinação de mobilização republicana liderada por Trump e o descontentamento econômico dos eleitores cria um panorama complexo que ainda será desdobrado nas urnas.








