O banco Itaú BBA indicou que o preço do frango pode recuar nos próximos meses, principalmente na Região Sul, depois da confirmação de um foco da doença de Newcastle em Nova Itaberaba, Santa Catarina, nesta sexta‑feira (23). A expectativa de redução de preços está ligada à suspensão temporária das exportações do estado, que responde por quase dois terços da produção nacional. O efeito deve ser mais perceptível no atacado e pode se intensificar no primeiro trimestre de 2027, período em que o consumo doméstico costuma cair.
Impacto das restrições de exportação
Santa Catarina exporta cerca de 63% do frango que produz, a maior proporção entre os estados brasileiros. Quando as autoridades dos principais mercados importadores – China, Arábia Saudita, Chile e México – anunciaram a interrupção das compras, os frigoríficos locais viram-se diante de um excesso de oferta interna.
Essas quatro nações figuram entre os maiores compradores da carne avícola catarinense. A decisão de suspender as importações foi tomada rapidamente, após a confirmação do foco viral, e deverá durar enquanto as autoridades sanitárias estrangeiras mantiverem restrições.
- China
- Arábia Saudita
- Chile
- México
Com a exportação reduzida, os frigoríficos podem acumular estoques, aumentar custos de armazenagem e enfrentar pressão sobre o fluxo de caixa. O Itaú BBA alerta que esses fatores podem gerar descontos maiores no atacado, mas não garantem queda nos preços finais ao consumidor.
Cenário de produção e estoque interno
De janeiro a setembro, a quantidade de aves abatidas subiu 3,7% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto a carne produzida cresceu 6,2%, segundo estimativas do próprio banco. Para o ano completo, a projeção é de um avanço de cerca de 6% na produção total.
Esse crescimento de oferta ocorre simultaneamente a um momento de diminuição do consumo doméstico, que costuma acontecer logo após as festas de fim de ano. O 13º salário termina, as despesas escolares aumentam e o orçamento familiar fica mais apertado.
Com mais frango disponível no mercado interno e menos demanda, a lógica econômica aponta para uma pressão descendente nos preços, sobretudo no atacado da Região Sul. No entanto, o efeito pode ser atenuado por fatores como o custo de transporte, a capacidade de armazenamento dos distribuidores e a concorrência de outros produtos proteicos.
Perspectivas para consumidores e atacadistas
O Itaú BBA destaca que a magnitude da queda dependerá do tempo que os países compradores levarão para retomar as importações. Em 2024, um foco da doença de Newcastle no Rio Grande do Sul provocou uma interrupção de apenas um mês, sem impacto significativo nos preços. Já em 2025, restrições mais extensas após um caso de gripe aviária duraram quatro meses, levando a uma desvalorização perceptível.
O cenário atual parece situar‑se entre esses dois extremos: a interrupção está concentrada em Santa Catarina e afeta principalmente o atacado sulista. Caso as exportações permaneçam suspensas por mais de alguns meses, os distribuidores poderão baixar preços para escoar o excesso de produto.
Para o consumidor final, a redução pode não ser imediata. O Itaú alerta que os supermercados podem manter margens de lucro e que a queda nos preços de varejo dependerá da velocidade com que os descontos no atacado se traduzam em promoções nas prateleiras.
Em síntese, a combinação de maior oferta interna, menor demanda pós‑festas e a pausa nas exportações cria um ambiente propício à diminuição dos preços do frango na Região Sul. Observadores de mercado recomendam acompanhar os indicadores de estoque e os anúncios dos principais compradores estrangeiros para entender quando a tendência de queda poderá se consolidar.








