A polícia de Israel afirmou nesta quinta‑feira, 29 de outubro, que não há evidência que sustente as acusações do partido Likud de que legendas árabes teriam manipulado a eleição legislativa de 27 de outubro. A declaração foi feita por uma fonte policial que falou à imprensa hebraica, ressaltando a ausência de indícios investigativos ou de inteligência.
Polícia de Israel nega as acusações de fraude
A fonte destacou que o dia da votação transcorreu com poucos incidentes irregulares, especialmente quando comparado a eleições anteriores. Segundo o depoimento, as autoridades não identificaram qualquer prática de suborno, ameaças ou uso de softwares proibidos por parte das legendas árabes.
Além disso, a polícia enfatizou que as alegações carecem de fundamento e que não há documentos ou gravações que comprovem tentativas de manipulação. Essa posição contraria as declarações do primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu, cujo partido Likud tem sido incisivo ao apontar supostos desvios.
Reações políticas e pedidos de prisão
O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, ultradireitista, utilizou a rede social X (ex‑Twitter) para solicitar a prisão imediata de líderes árabes suspeitos de receber apoio financeiro do Catar. Em sua postagem, Ben Gvir afirmou que o Shin Bet deveria “ordenar, ainda esta manhã, as detenções”.
Paralelamente, o presidente do Comitê Eleitoral Central, juiz Noam Sohlberg, enviou carta ao Shin Bet pedindo investigação sobre possíveis financiamentos externos. Embora o magistrado não tenha confirmado a consistência das suspeitas, ele considerou imprescindível averiguar a origem dos recursos.
- Ben Gvir pede prisões de líderes árabes;
- Sohlberg solicita investigação ao Shin Bet;
- Acusações giram em torno de suposto financiamento catariano.
Essas medidas intensificam a tensão entre o governo de coalizão liderado por Netanyahu e os partidos árabes que obtiveram forte desempenho nas urnas.
Implicações para a formação do governo
Com mais de 90% das cédulas apuradas, as projeções atribuem 19 cadeiras ao Raam e à Lista Unificada, duas legendas árabes que podem ser decisivas para alcançar a maioria de 61 assentos no Knesset. Os aliados de Netanyahu somam 53 cadeiras, enquanto o bloco liderado por Gadi Eisenkot, ex‑chefe do Exército, tem 48.
O apoio das legendas árabes pode ser o fator que determinará qual bloco conseguirá formar governo. Alguns membros do Likud já sugeriram a possibilidade de Netanyahu se aliar a Eisenkot e a centristas, mantendo o cargo de primeiro‑ministro interino.
No entanto, a aliança com Eisenkot tem custos políticos para o opositor, que já classificou o militar como inapto para liderar o país. Essa dinâmica cria um cenário complexo de negociações que pode se estender por semanas.
Contexto eleitoral e participação histórica
A eleição de 27 de outubro registrou a maior taxa de comparecimento às urnas em pelo menos 45 anos, refletindo a polarização profunda que marca o país desde o início da guerra na Faixa de Gaza, após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023.
Foi a primeira votação realizada em meio a um conflito armado que já dura três anos, o que elevou a importância simbólica do pleito como referendo sobre o governo ultradireitista de Netanyahu.
A contagem final ainda pode levar dias, e as negociações para formar coalizões deverão ser concluídas antes que se decida se haverá necessidade de um segundo turno, cenário já vivido entre 2019 e 2022.
Enquanto isso, a sociedade israelense acompanha de perto as investigações e os pronunciamentos oficiais, aguardando respostas claras sobre as alegações de fraude e sobre a eventual influência estrangeira nos resultados eleitorais.
Em resumo, a negação da polícia de Israel às acusações de roubo eleitoral reforça a necessidade de um debate transparente sobre a integridade do processo democrático, ao mesmo tempo em que evidencia as disputas de poder que permeiam a atual crise política.








