O Banco Central oficializou nesta quinta‑feira, 1º de outubro, a remoção do limite máximo de R$ 500 nas transações realizadas via Pix por aproximação. A mudança, prevista na Instrução Normativa BCB Nº 746, permite que clientes ajustem o teto de valor diretamente com a instituição financeira onde mantêm conta.
Entendendo a nova regra do Pix por aproximação
Até o dia 30 de setembro, o limite de R$ 500 era rígido e não podia ser alterado pelo usuário. Agora, cada banco ou fintech pode oferecer a possibilidade de aumentar ou reduzir esse teto, respeitando as políticas internas e o perfil de risco do cliente.
Essa flexibilização tem como objetivo ampliar a adoção da tecnologia, tornando‑a mais competitiva frente a cartões de crédito e débito, que já permitem ajustes de limite de forma personalizada.
Como funciona o Pix por aproximação
Introduzido em fevereiro de 2025, o Pix por aproximação funciona como um pagamento por NFC (Near Field Communication). O consumidor aproxima o celular ou outro dispositivo habilitado de um terminal de pagamento, sem precisar digitar senhas ou escanear QR Codes.
O processo pode ser iniciado tanto pelo aplicativo bancário quanto por carteiras digitais. Atualmente, a Google Wallet e a Samsung Wallet são compatíveis, enquanto a Apple Wallet ainda não oferece suporte.
- Velocidade: a transação ocorre em poucos segundos, reduzindo filas.
- Segurança: o NFC utiliza criptografia de ponta a ponta, dificultando fraudes.
- Conveniência: elimina a necessidade de inserir senhas ou esperar por confirmação de QR Code.
Impactos para consumidores e comerciantes
Para o consumidor, a remoção do teto fixo abre espaço para compras de maior valor sem interrupções. Caso o cliente deseje limitar o valor por questões de segurança, ele pode solicitar ao banco um teto menor.
Já os comerciantes precisam garantir que seus terminais aceitem a modalidade. Muitas empresas de maquininhas já atualizaram o firmware para suportar o Pix por aproximação, mas a adoção ainda é incipiente.
Em agosto de 2026, apenas 2 milhões de transações foram registradas, representando 0,06% do total de operações via Pix, segundo a Agência Brasil. Esse número demonstra que, apesar da conveniência, a penetração ainda é baixa.
Perspectivas de crescimento e desafios
Especialistas acreditam que a possibilidade de ajuste de limite pode impulsionar a popularização da tecnologia. Quando o cliente sente que tem controle total sobre o valor máximo permitido, a confiança aumenta.
Entretanto, a expansão depende de três fatores críticos:
- Atualização dos terminais de pagamento em todo o país.
- Campanhas de educação financeira que expliquem a segurança do NFC.
- Políticas claras das instituições financeiras sobre limites personalizados.
Se esses pontos forem atendidos, o Pix por aproximação tem potencial para superar a barreira dos 5% de participação nas transações Pix nos próximos dois anos.
Em síntese, a flexibilização do limite representa um passo estratégico do Banco Central para modernizar os meios de pagamento, alinhando‑se às tendências globais de pagamentos sem contato.








