Em um treino de elevação pélvica, a personal trainer Geisi Costa descobriu que sua aluna Cauany Rizzo estava grávida de aproximadamente cinco meses. O fato ocorreu em pleno mês de outubro de 2023, na academia onde ambas treinam, e foi registrado em vídeo antes de ser divulgado nas redes sociais.
A descoberta inesperada
Geisi já havia notado mudanças sutis no corpo de Cauany ao longo de semanas. O quadril assumiu um formato mais arredondado, o rosto ficou ligeiramente inchado e os seios ganharam volume. Além disso, a aluna apresentava humor instável, cãibras frequentes e sonolência incomum, sinais que a personal reconheceu como típicos da gestação.
A treinadora insistiu por meses para que Cauany realizasse um teste de gravidez, mas a aluna, convencida de sua infertilidade, descartava a possibilidade. Em um momento, chegou a fazer um teste caseiro que deu negativo, reforçando a descrença.
Foi somente durante a execução de uma elevação pélvica que Geisi percebeu um leve abaulamento na região abdominal, indicando que o útero já avançava para a fase de 20 semanas. A reação imediata da treinadora foi interromper o exercício e solicitar um novo teste, que confirmou a gestação.
Sintomas que confundiram a aluna
Cauany, influenciadora digital e empreendedora de 27 anos, havia ignorado a gravidez por acreditar que nunca poderia engravidar. Seu histórico clínico mostrava ciclos menstruais raros, uso prolongado de anticoncepcional injetável e DIU hormonal, além de diagnóstico de ovários pequenos e atrofiados.
Nos últimos meses, o corpo de Cauany apresentou um conjunto de sintomas que ela interpretou como doença. Dores que migravam da lombar para a cervical, passando pelo trapézio, cotovelo e pé, foram acompanhadas de sono excessivo, enjoo, tontura, esquecimento, irritação e dor nos seios.
Para buscar explicações, a influenciadora consultou diversos profissionais da saúde:
- Ortopedista
- Cirurgião plástico
- Fisioterapeuta
- Psicólogo
- Psiquiatra
- Ginecologista
Ela realizou ressonância magnética, exames de sangue, acupuntura e quiropraxia. O diagnóstico final foi fibromialgia, levando ao uso de medicação para dor e depressão, além de reposição de ferro por anemia.
Apesar de todo o acompanhamento, nenhum médico solicitou o beta‑HCG, exame que mede a gonadotrofina coriônica humana, hormônio específico da gestação.
Explicação médica sobre as mudanças corporais
A ginecologista Ana Carolina Romanini, especialista em obstetrícia, analisou o caso a partir do relato e do vídeo. Ela explicou que as alterações observadas por Geisi são típicas da gravidez, mesmo em gestantes que ainda não apresentam barriga visível.
A progesterona, hormônio predominante na gestação, promove retenção de líquidos e aumenta a sensação de fadiga. Esse cansaço se intensifica nas primeiras 14 semanas, coincidindo com o quadro de sonolência relatado por Cauany.
Os ligamentos e articulações da pelve tornam‑se mais flexíveis para acomodar o bebê em desenvolvimento. Esse relaxamento pode gerar desconforto nas costas e nas pernas, além de facilitar a realização de exercícios como a elevação pélvica.
As mamas aumentam de tamanho e ficam mais sensíveis já nas primeiras semanas, preparando-se para a lactação. O inchaço facial e o aumento do volume dos seios são, portanto, sinais hormonais claros.
Quanto ao abdômen, ele costuma ficar levemente protuberante por volta da 12ª semana e alcançar a altura do umbigo aos 20 semanas. Em gestações iniciais, porém, a barriga pode demorar a aparecer, o que dificultou a percepção de Cauany.
Durante o exercício, Cauany sentiu uma pontada no baixo‑ventre que diferia da cólica menstrual. A dor ocorre porque o útero em crescimento estica os ligamentos redondos, provocando desconforto que pode irradiar para as pernas.
Geisi, que possui experiência no treinamento de gestantes, adaptou os treinos de Cauany para foco em fortalecimento lombar e equilíbrio, evitando sobrecarga na região pélvica até a confirmação oficial da gestação.
Após o diagnóstico, a aluna recebeu acompanhamento obstétrico adequado e passou a entender que sua condição de saúde era, na verdade, um estado fisiológico natural.
O caso ilustra a importância de considerar a possibilidade de gravidez mesmo quando a mulher apresenta histórico de infertilidade ou uso de contraceptivos de longa duração. Profissionais de saúde e treinadores devem estar atentos a sinais sutis, como alterações no quadril, no rosto e nos seios, bem como a queixas de fadiga e dor inexplicada.
Além disso, a história reforça a necessidade de solicitar o teste de beta‑HCG sempre que houver suspeita, independentemente de relatos anteriores ou de exames negativos realizados em farmácias.
Com a descoberta, Cauany passou a ajustar sua rotina, priorizando cuidados pré‑natal, alimentação balanceada e exercícios seguros para gestantes. A personal trainer Geisi continua a acompanhá‑la, garantindo que os treinos respeitem as limitações e potencializem o bem‑estar da futura mãe.
Este episódio também gerou discussões nas redes sociais sobre a eficácia dos métodos contraceptivos e a importância da comunicação entre profissionais de saúde e clientes. Muitas mulheres relataram experiências semelhantes, destacando a necessidade de informação clara e acessível.
Em síntese, a descoberta inesperada da gravidez de Cauany durante um treino de elevação pélvica demonstra como sinais corporais podem ser interpretados de forma equivocada e como a observação cuidadosa de um profissional experiente pode fazer a diferença.








